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A volta de Amanda Nunes ao UFC coloca seu legado em risco?

Desde que Amanda Nunes anunciou sua aposentadoria após a vitória dominante sobre Irene Aldana em junho de 2023, o mundo do MMA passou a conviver com a sensação de fim de uma era.

A Leoa, como é carinhosamente chamada pelos fãs, saiu do esporte no auge, detendo dois cinturões simultaneamente, peso-galo e peso-pena, e com um cartel impressionante que inclui vitórias sobre as maiores atletas da história do UFC, como Ronda Rousey, Cris Cyborg, Valentina Shevchenko, Miesha Tate e Holly Holm.

No entanto, movimentos recentes apontam para o retorno da brasileira ao octógono, desta vez para enfrentar Kayla Harrison, atual campeã peso-galo do UFC após uma vitória expressiva sobre Julianna Peña. A pergunta que se impõe agora é: vale a pena para Amanda Nunes arriscar seu legado em uma luta contra Harrison?

O legado de Amanda Nunes

Antes de qualquer avaliação sobre o retorno, é fundamental entender o tamanho do legado construído por Amanda Nunes. Ela não é apenas a maior lutadora da história do MMA feminino, ela é uma das maiores de todos os tempos, independente de gênero.

Ao longo de sua carreira, Amanda redefiniu o que significa ser uma campeã dominante. Venceu em todas as frentes, contra todos os estilos, e conquistou feitos inéditos para atletas mulheres no MMA, numa carreira bem difícil de ser superada.

A aposentadoria veio no momento certo, na visão de muitos especialistas. Amanda Nunes se retirou no auge de sua forma, sem ter perdido o cinturão no octógono, algo raro entre lendas do esporte. Assim como Khabib Nurmagomedov, que deixou o esporte invicto e no topo, a Leoa selou sua história de maneira quase perfeita. Ao sair de cena sem decadência, ela consolidou uma imagem de invencibilidade e respeito que poucos alcançaram.

O desafio chamado Kayla Harrison

Amanda Nunes já encarou Kayla Harrison, quando a americana se tornou campeã do UFC
Amanda Nunes já encarou Kayla Harrison, quando a americana se tornou campeã do UFC (Imagem: Ed Mulholland/Getty Images)

Kayla Harrison, por sua vez, representa uma ameaça real. Bicampeã olímpica no judô, ex-campeã da PFL, Harrison é uma força física rara no MMA feminino. Sua transição para o UFC foi mais bem-sucedida do que muitos imaginavam, culminando na conquista do cinturão peso-galo com uma performance dominante sobre Julianna Peña, uma adversária que, vale lembrar, já derrotou Amanda Nunes em 2021.

Além de sua força bruta, Kayla tem se mostrado uma atleta disciplinada e em constante evolução no striking. Ela representa o novo ciclo do MMA feminino, mais atlético, mais físico e com menos brechas técnicas.

Enfrentar uma oponente assim após mais de dois anos de aposentadoria pode ser uma receita perigosa, até mesmo para alguém com o calibre de Amanda Nunes.

Há dois lados nessa moeda. De um lado, a oportunidade de Amanda Nunes retornar e vencer Kayla Harrison significaria um feito histórico. Seria a consagração final de sua carreira, a prova definitiva de que mesmo fora de atividade, ela continua sendo a melhor. Além disso, do ponto de vista financeiro, uma superluta contra Kayla seria altamente lucrativa, atraindo atenção global e bolsa substâncial.

Por outro lado, o risco é gigantesco. Uma derrota para Harrison não apagaria o legado da Leoa, mas certamente o mancharia. Pior ainda, poderia reabrir debates que já pareciam resolvidos, como quem é a maior lutadora da história ou se Amanda realmente teria vencido todas suas rivais no auge. Perder para uma estrela em ascensão pode transformar uma despedida épica em uma lembrança amarga.

Além disso, há a questão física. Aposentadorias no MMA não são apenas um hiato competitivo; envolvem mudanças de rotina, diminuição do ritmo de treinos e, muitas vezes, uma adaptação ao estilo de vida longe das pressões do octógono.

Voltar a um nível de performance ideal exige tempo, sacrifício e uma motivação que nem todos conseguem encontrar novamente. Amanda teria que ser mais do que a lutadora que se aposentou em 2023, ela precisa ser ainda melhor para vencer Harrison em 2025.

Vale a pena?

A resposta depende do que Amanda Nunes busca neste momento da vida. Se for glória, desafio e a chance de encerrar de vez qualquer dúvida sobre sua supremacia, a luta contra Kayla Harrison pode ser o último capítulo perfeito.

No entanto, se o objetivo é preservar um legado já impecável, sem riscos desnecessários, o melhor talvez seja permanecer como está: como uma lenda que soube a hora certa de parar.

A decisão é pessoal, mas o que está em jogo é muito mais do que um cinturão, é o peso da história. E no caso de Amanda Nunes, a história já foi escrita em letras maiúsculas e douradas. Resta saber se ela está disposta a reabrir esse livro ou deixá-lo fechado.

(Imagem de capa: Reprodução UFC)