O técnico Xabi Alonso chegou ao Real Madrid não apenas para seguir as estrelas, mas para revolucionar tudo. Em apenas três partidas sob seu comando, o treinador fez todos correrem, transformou Arda Güler no cérebro do time para a saída de bola, tornou Gonzalo García praticamente intocável e resgatou um esquema tático que não era visto há 25 anos, considerado por muitos como algo impossível de retornar ao Santiago Bernabéu. Ver os merengues atuando com três zagueiros e dois alas não foi motivo de preocupação, pelo contrário: a equipe passou a pressionar com mais intensidade, trocar passes com maior velocidade e apresentar solidez defensiva.
Desde os tempos de José Mourinho, cada técnico trouxe sua marca, mas nenhum mostrou tamanha ousadia para promover mudanças como Xabi Alonso. Agora, sob seu comando, o Real Madrid vive um início promissor, avançando com consistência na Copa do Mundo de Clubes. O time já está nas oitavas de final, onde enfrentará a Juventus, e há expectativa pela presença do astro francês Kylian Mbappé, que ficou fora da fase inicial por conta de uma gastroenterite. O atacante chegou a ser hospitalizado nos EUA, mas retornou aos treinamentos na última terça-feira.
Antes do confronto contra a Juventus nesta terça-feira, válido pelas oitavas de final do Mundial de Clubes, Xabi Alonso trouxe uma mudança tática no Real Madrid que rendeu frutos na vitória por 3 a 0 sobre o RB Salzburg na quinta-feira (26), garantindo o primeiro lugar no Grupo H. Ao chegar ao Santiago Bernabéu, ele reforçou sua reputação de estrategista, consolidada no Bayer Leverkusen, e escalou pela primeira vez uma defesa com cinco jogadores desde que assumiu o cargo.
O esquema contra o RB Salzburg, nesta quinta-feira pela rodada final da fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes, com três zagueiros centrais e laterais ofensivos, marcou um distanciamento claro do tradicional 4-3-3 usado por Carlo Ancelotti e Zinedine Zidane na última década no clube merengue. Essa mudança remeteu ao time de Vicente del Bosque, que conquistou o título da UEFA Champions League na temporada de 2000, a última formação do Real Madrid com esse sistema.
E a alteração deu certo: o Real Madrid controlou o jogo. Bellingham e Güler encontravam Vinícius em zonas perigosas, e o brasileiro abriu o placar aos 40 minutos, driblando dois marcadores antes de finalizar no canto inferior direito. Pouco depois, Vinícius deu assistência de calcanhar para Valverde marcar nos acréscimos da primeira etapa. Gonzalo García fechou o placar aos 39 minutos do segundo tempo, encobrindo o goleiro do Salzburg para concluir um contra-ataque. Foi um desempenho muito superior aos primeiros jogos do time no Mundial.

Gonzalo se firma no Real Madrid
Autor de dois gols no Mundial de Clubes e com 225 minutos jogados dos 270 possíveis, Gonzalo García ganhou a confiança de Xabi Alonso, que deixou claro: se precisar substituir Rodrygo ou Vinícius, ele será a primeira opção. Cria da base, o atacante pouco foi utilizado por Ancelotti, mas agora desponta como grande aposta do novo treinador. Contra o Salzburg, fez mais uma partida impecável, coroada com um belo gol após corrida de 40 metros, mostrando força e técnica ao encobrir o goleiro.
Antes dado como certo para deixar o clube no verão, Gonzalo García conquistou espaço no elenco principal e começa a se equiparar a nomes como Rodrygo e Endrick. Embora Vini e Mbappé continuem sendo os grandes astros, ele surge como peça complementar ideal.

Vini Jr reencontra seu melhor futebol no Real Madrid
O brasileiro Vinicius Júniors voltou a brilhar e foi decisivo para garantir a vaga antecipada às oitavas de final. Primeiro, marcou um belo gol após passe magistral de Bellingham, demonstrando suas principais virtudes: velocidade, drible e finalização precisa. Depois, serviu Valverde para ampliar, num lance tão bonito que arrancou elogios até de Guti, comentarista da DAZN. Foi a melhor exibição do camisa 7 no torneio, consolidando sua influência no ataque do Real Madrid.
Com ele em campo, o Real Madrid superou rapidamente o empate na estreia contra o Al-Hilal ao emplacar vitórias contra Pachuca e Salzburg, garantindo a classificação às oitavas de final para enfrentar a Juventus, nesta terça-feira, no dia 1º de julho, às 16h (horário de Brasília). Com sete pontos, sete gols feitos e apenas dois sofridos, o time chega forte à fase final, ainda mais reforçado pelo retorno de Mbappé.

Xabi Alonso mantém peças-chave no elenco do Real Madrid
Apesar de estar de saída, Luka Modric queria permanecer mais uma temporada, mas seu contrato não foi renovado sem explicações claras. Durante sua apresentação, Xabi Alonso não assumiu responsabilidade pela decisão, mas a realidade é que o croata continua sendo a primeira substituição, situação semelhante à vivida sob comando de Ancelotti. É difícil compreender que ele vá encerrar sua carreira no Milan, e não no Real Madrid.
Após Courtois ter feito onze defesas contra o Pachuca, Xabi decidiu testar algo diferente no Real Madrid e apostou no sistema usado em Leverkusen para enfrentar o Salzburg, e deu certo, com o goleiro belga praticamente como espectador em campo. De onze defesas contra os mexicanos a apenas uma grande defesa contra os austríacos: uma mudança drástica graças ao bom desempenho defensivo.
Por fim, o técnico Xabi Alonso transformou Arda Güler no principal articulador ofensivo do Real Madrid, responsável por iniciar as jogadas. O turco aceitou o desafio com alegria, demonstrando liderança com a bola e segurança sem ela. Ainda há espaço para evolução física e tática, mas seu comprometimento defensivo é incontestável.
(Foto: Getty Images)