Xabi Alonso
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Xabi Alonso no Real Madrid: o fim da era dos gestores e o início de uma revolução tática para 25/26!

Xabi Alonso chega ao Real Madrid para substituir Ancelotti e marca o fim da era dos gestores e o início de um novo ciclo com foco em identidade tática. Veja a análise.

A transição de Carlo Ancelotti para Xabi Alonso no comando do Real Madrid representa mais do que uma simples troca de nomes. Trata-se de uma mudança de paradigma em Valdebebas. Sai um técnico com perfil gestor, identificado historicamente com a tradição do clube, e entra um jovem estrategista, símbolo de uma nova geração de treinadores que moldam o jogo a partir da prancheta. A chegada de Alonso indica que o Real Madrid está pronto para abraçar o futebol moderno em sua essência mais tática e estrutural.

Uma guinada no perfil técnico do clube

Ao longo das últimas duas décadas, o Real Madrid foi liderado por treinadores como Zinedine Zidane, Carlo Ancelotti, José Mourinho, Fabio Capello e Vicente del Bosque. Todos, à sua maneira, compartilhavam uma característica: eram gestores de grupo, com excelente leitura emocional do elenco, profundo conhecimento do clube e uma abordagem reativa ou pragmática.

Carlo Ancelotti, que deixa o clube ao final da temporada 2024/25, é o exemplo máximo dessa filosofia. Vencedor da Champions League em duas passagens distintas, o italiano não ficou marcado por implantar um sistema tático autoral, mas por sua capacidade de adaptar o time aos talentos disponíveis. Seus times eram maleáveis, letais em transições e organizados o suficiente sem a bola. No entanto, o Real Madrid sempre dependeu de momentos individuais – de Benzema a Vinícius Jr. – para resolver jogos grandes.

A aposta em Xabi Alonso sinaliza uma ruptura com esse modelo. Como escreveu o jornalista espanhol José Sámano no El País, “o Real Madrid finalmente busca uma ideia antes do talento”. Para o The Guardian, trata-se de “um momento simbólico de transição entre a velha guarda de elite do futebol e a geração que estuda, analisa e modela o jogo de forma quase científica”.

O que Alonso fez no Bayer Leverkusen

A trajetória meteórica de Xabi Alonso como técnico é explicada por resultados, mas também por ideias táticas consistentes. Ao assumir o Bayer Leverkusen em outubro de 2022, Xabi Alonso herdou um time instável e o transformou em uma das equipes mais autorais da Europa. Em 2024/25, seu Leverkusen quebrou a hegemonia do Bayern na Bundesliga de forma invicta, além de chegar às fases finais da Liga Europa.

Seu modelo de jogo é baseado em organização posicional, pressão coordenada, flexibilidade de sistemas (entre 3-4-3 e 3-2-4-1) e construção desde a defesa. Seus zagueiros participam da criação como meio-campistas, os alas jogam altos e abertos, e os volantes (como Xhaka e Palacios) são responsáveis por ditar o ritmo e alternar a direção das jogadas.

Alonso também mostrou ser capaz de potencializar jovens talentos, como Florian Wirtz, Jeremie Frimpong e Hincapié. Além disso, ele se mostrou um técnico capaz de ajustar o time jogo a jogo, explorando fragilidades específicas dos adversários. O Kicker, principal veículo alemão especializado, descreveu seu trabalho como “um exemplo moderno de controle através da estrutura”.

O que esperar do Real Madrid sob o comando de Xabi Alonso

A chegada de Alonso ao Real Madrid indica que Florentino Pérez busca uma redefinição do estilo do clube para o futuro. Com jogadores como Tchouaméni, Camavinga, Bellingham, Valverde e Arda Güler, o elenco atual já possui o perfil físico-técnico ideal para um sistema de jogo mais estruturado e intenso.

A tendência é que o Real jogue com maior compactação entre setores, pressão na saída de bola adversária e menos dependência de ações individuais em campo aberto. Em vez do 4-3-3 clássico, Alonso pode implementar variações com três zagueiros e alas abertos, ou manter a base tradicional, mas com movimentos coordenados desde a primeira linha.

O maior desafio de Xabi Alonso estará em traduzir suas ideias para um elenco de superestrelas. Lidar com egos, gerir minutos de veteranos e manter a exigência competitiva são fatores que exigirão do espanhol mais do que pranchetas e conceitos.

Um novo Real Madrid, ainda mais europeu?

Curiosamente, o movimento do Real Madrid segue a tendência vista nos gigantes da Europa. Clubes como Manchester City (Guardiola), Arsenal (Arteta), Liverpool (com Klopp e agora Arne Slot) e Barcelona (Hansi Flick) têm buscado técnicos com formação tática sólida e propostas identitárias.

Xabi Alonso, por ter atuado nos maiores centros do futebol (La Liga, Premier League e Bundesliga), carrega uma visão multicultural do jogo, além de forte formação teórica – teve contato direto com treinadores como Rafa Benítez, Pep Guardiola, José Mourinho e Ancelotti.

Desafios e expectativas no Bernabéu

A exigência por resultados no Real Madrid não permite longas fases de transição. Alonso precisará mostrar desde os primeiros jogos que seu modelo pode vencer. Sua identificação com o clube e sua inteligência emocional como ex-jogador ajudam, mas o futebol de alto nível exige entrega tática imediata.

Será possível manter Vinícius Jr. e Bellingham decisivos dentro de um esquema estruturado? Haverá espaço para Modric e Kroos em seus últimos anos? A estrutura defensiva será capaz de sustentar a linha alta contra gigantes europeus?

São perguntas que Alonso terá que responder com resultados e coerência. Mas sua chegada aponta para um Real Madrid mais técnico, mais europeu e mais moderno do que nunca.

Conclusão: a revolução silenciosa de Valdebebas

A troca de Ancelotti por Xabi Alonso no Real Madrid não é apenas uma substituição no banco de reservas. É um marco na transformação do clube para uma nova era. A era em que não basta talento individual: é preciso sistema, método e controle.

Se Alonso conseguir aplicar sua visão no Santiago Bernabéu, pode-se esperar um Real mais dominante com a bola, mais agressivo sem ela, e, quem sabe, mais consistente nas grandes noites europeias.

Credito foto de capa: Getty Images