Xabi Alonso, Real Madrid
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Xabi Alonso e os desafios para transformar o Real Madrid na Copa do Mundo de Clubes

A chegada de Xabi Alonso ao Real Madrid marca o início de uma nova era no clube merengue. O ex-volante, consagrado como jogador e promissor como técnico, enfrenta uma missão complexa: implementar sua filosofia de jogo em um elenco acostumado a rotinas muito diferentes. A Copa do Mundo de Clubes, embora emocionante, evidencia os “vícios” herdados do passado que Alonso precisa corrigir com urgência.

A ilusão da mudança imediata

É comum no futebol moderno esperar resultados imediatos de treinadores recém-chegados. No entanto, Xabi Alonso sabe que transformar um time como o Real Madrid não se resume a vitórias rápidas ou resultados imediatos. O verdadeiro desafio está na reconstrução da identidade de jogo — e esse processo exige tempo, paciência e muitos treinamentos.

Na estreia do Real Madrid na Copa do Mundo de Clubes, contra o Al Hilal, ficou evidente que o time ainda carrega muitos automatismos herdados de Carlo Ancelotti. Como afirmou o próprio Alonso, o time ainda está “aprendendo a andar”, antes de poder correr.

1. Superar os automatismos do passado

Durante anos, o Real Madrid se baseou em transições rápidas e blocos defensivos baixos. Xabi Alonso, por outro lado, quer um time mais proativo, que controle o jogo com posse de bola e agressividade sem a bola. Contudo, como destacou Courtois após o empate, os jogadores ainda seguem rotinas anteriores. Em apenas quatro treinos, é impossível apagar quatro anos de um modelo consolidado.

Essa transição não é apenas tática — é cultural. Os jogadores precisam reaprender conceitos básicos sob uma nova lógica de jogo, o que exige não só treino, mas convencimento coletivo.

2. Pressionar e dominar, mesmo sem o fator surpresa

Com Alonso, o Real Madrid busca sufocar os adversários por meio de uma posse de bola qualificada e pressão coordenada. Isso significa abrir mão da estratégia de “contra-ataque mortal” que tantas vezes funcionou em jogos grandes.

Na Copa do Mundo de Clubes, essa mudança foi perceptível. A equipe trocou mais passes e buscou o controle territorial, mas ainda faltou fluidez e criatividade no terço final. O treinador destacou a necessidade de “dar um novo ritmo ao jogo” e valorizar a pausa com a bola. Para Xabi Alonso, atacar também significa pensar — e não apenas correr.

3. Organizar a defesa para não perseguir sombras

Um dos principais pontos de fragilidade na estreia foi a transição defensiva. O Real Madrid sofreu quando o Al Hilal superou a primeira linha de pressão. Isso expôs a zaga e deixou o time vulnerável a contra-ataques, algo que Alonso quer evitar a todo custo.

O técnico exige um time comprometido na pressão pós-perda, com gestos rápidos e atitude coletiva. Xabi Alonso não busca uma pressão cega, mas uma pressão inteligente, adaptada ao contexto. A meta é clara: manter o controle do jogo com e sem a bola. Para isso, o treinador sabe que precisa de um grupo sincronizado e disposto a sacrificar-se taticamente.

4. A maldição dos pênaltis

Outro problema reincidente é a baixa eficiência nas cobranças de pênalti. O Real Madrid perdeu 7 das últimas 19 penalidades — um número alarmante para um clube de elite. Na estreia da Copa do Mundo de Clubes, Fede Valverde teve a chance de dar a vitória ao time, mas parou em Bono.

Enquanto rivais como o Barcelona convertem todos os pênaltis da temporada, o time de Alonso ainda busca um cobrador confiável. Essa é mais uma questão que o treinador precisa resolver — técnica e psicologicamente.

5. Dinamismo posicional: uma regra de ouro no modelo de Xabi Alonso

Um dos princípios básicos do futebol de Xabi Alonso é a ocupação inteligente dos espaços. As posições precisam estar preenchidas — mas não fixamente por um único jogador. Contra o Al Hilal, o Real Madrid falhou nesse aspecto. O ataque foi estático, especialmente com Rodrygo e Vinícius, facilitando a marcação do adversário.

Sem movimentação, o jogo perde profundidade e criatividade. Alonso quer um time que troque de posições, que crie superioridades e confunda a defesa rival. A posse de bola, para ele, não é fim, mas meio para abrir espaços com paciência e inteligência.


Xabi Alonso inicia seu legado no Real Madrid com coragem e visão

A Copa do Mundo de Clubes é apenas o primeiro capítulo de um projeto ambicioso. Xabi Alonso chegou para deixar sua marca no Real Madrid, mas não pretende fazer isso com fórmulas prontas. Sua proposta é moderna, estratégica e desafiadora. Ele quer mudar a forma como o time pensa, ataca e se defende.

Ainda há muito a ser ajustado, desde o equilíbrio defensivo até a movimentação ofensiva. Mas os sinais são promissores. O treinador tem ideias claras, conhecimento profundo do jogo e respeito do elenco. Agora, é questão de tempo, treino e ajustes — e o futebol mundial observa com atenção os próximos passos de Xabi Alonso no Real Madrid.

Créditos foto de capa: REUTERS/Hannah Mckay