O Chelsea segue em busca de um novo treinador e, entre os nomes avaliados para substituir Liam Rosenior, aparece Xabi Alonso. Mesmo após uma passagem irregular pelo Real Madrid, o espanhol ainda mantém prestígio elevado no mercado — muito em função do trabalho histórico no Bayer Leverkusen, onde conquistou a Bundesliga de 2023/2024.
Caso seja o escolhido, a tendência é de uma mudança clara de identidade em Stamford Bridge.
Mas, na prática, como jogariam os Blues sob o comando de Alonso?
O sistema de três zagueiros como ponto de partida

O modelo base de Xabi Alonso é o 3-4-2-1, sustentado por três pilares bem definidos: controle através da posse, construção desde a defesa e pressão alta coordenada.
Trata-se de uma estrutura dinâmica, com constantes variações posicionais — principalmente na saída de bola, quando um dos defensores avança ao meio para criar superioridade numérica. No Leverkusen, esse papel era frequentemente executado por Piero Hincapié ou Jonathan Tah, ambos com boa distribuição e imposição física.
No contexto do Chelsea, isso exigiria adaptação. O elenco é jovem, ainda oscila nas tomadas de decisão e nem sempre sustenta intensidade sem a bola por longos períodos. Na linha defensiva, Reece James surge como candidato a exercer essa função híbrida, por sua origem como lateral e capacidade de apoiar por dentro. Já Levi Colwill, mesmo atualmente lesionado, seria peça-chave na saída de jogo.
A linha ainda demandaria um terceiro nome com perfil físico e técnico. Nesse cenário, o mercado entra em pauta — e jogadores como Edmond Tapsoba, hoje no Leverkusen e já adaptado ao modelo de Alonso, encaixariam perfeitamente.
Alas como protagonistas no último terço

Os alas foram peças fundamentais no sucesso de Alonso no Leverkusen. Grimaldo, Frimpong, Stanisic e Mukiele tiveram protagonismo constante, seja atacando profundidade ou aparecendo próximos à área para finalizar.
No Chelsea, esse não seria exatamente um problema. Malo Gusto oferece profundidade e agressividade pelo lado direito, enquanto Marc Cucurella já está adaptado à função e contribui com leitura defensiva consistente.
Além disso, abre-se espaço para recuperar jogadores pouco utilizados, como Jorrel Hato. O holandês se destaca pela velocidade e capacidade de recuperação, características que podem ser potencializadas nesse sistema.
Meio-campo: a maior dor de cabeça

O setor mais complexo do Chelsea hoje não é por falta de qualidade, mas justamente pelo excesso de opções. O elenco reúne nomes como Moisés Caicedo, Enzo Fernández, Andrey Santos e Cole Palmer — todos com nível de seleção.
No 3-4-2-1, porém, apenas dois meio-campistas de origem atuam centralizados, já que os alas completam a linha de quatro. Isso exige escolhas.
Dentro da lógica de Alonso, Caicedo e Enzo aparecem como favoritos. São os jogadores mais preparados para equilibrar o time, proteger a defesa e ditar o ritmo.
Mas há um ponto incontornável: Cole Palmer. O camisa 10 não pode ficar fora. A solução natural seria utilizá-lo mais avançado, em uma linha atrás do centroavante, onde pode influenciar diretamente no último terço.
Um ataque mais fluido e funcional
Cole Palmer tende a ser o principal articulador, com liberdade para ocupar entrelinhas e participar das ações decisivas. Sua capacidade de criar em diferentes zonas do campo o torna peça central no modelo.
Alonso costuma dar autonomia aos meias ofensivos para se aproximarem do gol, o que pode aumentar ainda mais a produção do inglês — menos preso à construção e mais focado em acelerar jogadas e finalizar.
Ao seu lado, o Chelsea pode alternar perfis: a criatividade de Palmer combinada com a agressividade de nomes como Pedro Neto, Estevão ou Alejandro Garnacho. Isso daria ao ataque um equilíbrio entre controle e ruptura.
No comando, João Pedro surge como uma opção interessante. Apesar de poder atuar mais recuado, afastá-lo da área reduziria seu impacto. O brasileiro combina mobilidade, velocidade e capacidade de finalização — características alinhadas ao que Alonso já utilizou com Patrick Schick e Victor Boniface no Leverkusen.
O que esperar de um Chelsea de Xabi Alonso
Se a chegada se concretizar, o impacto mais imediato tende a ser coletivo: um time mais organizado com a bola, maior controle territorial e pressão mais coordenada sem posse.
Por outro lado, resultados instantâneos são improváveis. O modelo de Alonso exige tempo, entendimento coletivo e peças bem ajustadas às funções — algo que ficou evidente tanto no início de seu trabalho no Leverkusen quanto em sua passagem pelo Real Madrid.
As cartas estão na mesa. Ao apostar em Xabi Alonso, o Chelsea não estará apenas escolhendo um treinador, mas um projeto de jogo — que exige paciência para alcançar o nível apresentado pelo Leverkusen na temporada 2023/24.
Créditos da foto de capa: Divulgação/Getty Images