Assim como o Barcelona de Hansi Flick, o atacante Lamine Yamal não vive seu melhor momento. Transbordando de autoconfiança nos dias que antecederam a partida, com mensagens que o Real Madrid usou como motivação, ele não conseguiu repetir a inesquecível atuação de 26 de outubro de 2024, quando seu gol impressionante na vitória por 4 a 0 sobre o arquirrival provocou insultos racistas de alguns indesejáveis. Desta vez, a animosidade contra o camisa 10 dos blaugranas se multiplicou infinitamente desde o aquecimento, sem antecipar que a partida terminaria com o revés do time catalão.
Durante a partida contra o Real Madrid, Lamine Yamal se envolveu numa briga com Dani Carvajal, Vinícius Júnior e metade do elenco dos merengues criticando-o por suas palavras na quinta-feira, antes das vésperas do El Clásico em La Liga, apesar do contexto despreocupado. “O Real Madrid rouba e reclama”, disse ele. O suficiente para a capital tomar nota. Houve muito barulho em torno do atacante do Barcelona, que caiu na armadilha sem saber como ignorá-la e a alimentou com um vídeo que publicou no dia anterior relembrando sua grande atuação há um ano em Chamartín.
No entanto, em campo, foi noite e dia em comparação aos 4 a 0 na última edição de La Liga. O jogador de Rocafonda não decolou realmente. Ele conseguiu quatro de seus nove dribles, mas o Barcelona sentiu falta de seu equilíbrio, essencial para competir no mais alto nível. “Muitos passes para trás”, disse Vinícius Júnior a ele no El Clásico. E o jogador do Real Madrid tinha razão, porque Yamal não enfrentou a tarefa como costuma fazer nem assumiu a liderança que deveria ser exigida do número 10 do Barça, especialmente quando seus dois parceiros de ataque da temporada passada, marcadores de 76 gols entre eles (42 de Robert Lewandowski e 34 de Raphinha), estavam faltando mais um dia.
A dor na virilha o afetou no segundo tempo contra o PSG no dia 1º de outubro, mas Lamine Yamal teve tempo de se recuperar com um plano personalizado. Ele foi titular na partida contra o Girona, jogando mais minutos antes de ser substituído; apesar do empate em 1 a 1, o atacante ganhou mais tempo na goleada sobre o Olympiacos e completou o El Clásico com uma atuação que faria você esquecer que ele não estava à altura. Mesmo que o astro do Barcelona tenha se mostrado longe de sua melhor forma, com falta de velocidade e capacidade de direcionar passes, internamente não há sinais de recidiva de seus problemas pubianos.
O jogador do time juvenil treinou ontem sem problemas e enfrenta uma semana limpa, sem jogos no meio da semana, para se preparar para o jogo de domingo contra o Elche e continuar aumentando sua carga de trabalho para ter um melhor desempenho em campo. É aqui que o Barcelona quer que Lamine Yamal seja o assunto da cidade, e não fora de campo, depois de ter monopolizado tanto os holofotes. Aos 18 anos, o jogador transmite sua vida nas redes sociais, incluindo um jogo com seus amigos na Ciutat Esportiva na quinta-feira, quando seus companheiros de equipe estavam na televisão durante o Media Day antes do El Clásico.
Naquela noite, Lamine Yamal deixou levar na Kings League e, no dia seguinte, foi para o torneio. Quando o técnico dos blaugranas, Hansi Flick, falou sobre egos em Vallecas, não se tratava apenas dele, mas também dele, durante o El Clásico contra o Real Madrid. Na véspera do confronto entre Barcelona e PSG pela fase de pontos corridos da UEFA Champions League, o alemão foi mais direto: “Ele é excepcional, mas precisa se concentrar no trabalho”. Como na vida, para ter um bom desempenho, tudo depende disso.

Como Lamine Yamal busca recuperar o ritmo no Barcelona após derrota no El Clásico
Depois de um início de temporada promissor, Lamine Yamal vive um momento de oscilação no Barcelona. O jovem atacante, de apenas 18 anos, tem enfrentado uma leve queda técnica que chamou a atenção da comissão comandada por Hansi Flick. O desempenho abaixo do habitual, evidenciado na derrota para o Real Madrid no último El Clásico, reforçou a necessidade de reencontrar o ritmo que o destacou no início do ciclo.
De acordo com o Mundo Deportivo, Yamal tem demonstrado sinais de cansaço e menor impacto ofensivo nas últimas partidas do Barcelona, com menos aceleração nas jogadas individuais e dificuldade em romper as defesas adversárias. O clube catalão descarta qualquer recaída da antiga lesão no púbis, que o incomodou na temporada passada. O foco, agora, está em recuperar a intensidade e a confiança.
Nos treinamentos, o atacante tem sido orientado a aprimorar a tomada de decisão e a execução rápida das jogadas, dois aspectos que se tornaram marca de seu jogo desde que foi integrado ao time principal. A comissão técnica acredita que a pausa sem compromissos de meio de semana pode ser decisiva para ajudá-lo a reencontrar o melhor desempenho físico e mental antes do duelo contra o Elche.
Fora de campo, o clube também monitora a rotina do jogador, após episódios recentes que levantaram dúvidas sobre seu foco — como participações em eventos e atividades recreativas fora do ambiente esportivo. Internamente, a mensagem é clara: Lamine deve “voltar a falar com o futebol”, retomando o protagonismo dentro das quatro linhas.
Mesmo com a oscilação, o Barcelona mantém total confiança em seu talento. Considerado um dos maiores prospectos da base nos últimos anos, Yamal segue como peça importante no projeto de renovação do elenco. Agora, o desafio é transformar a autocrítica em evolução e reencontrar o brilho que o fez ser visto como o novo símbolo da era pós-Messi.

Como Lamine Yamal tenta superar a dependência de Lewandowski e Raphinha nos próximos jogos do Barcelona
O Barcelona atravessa uma fase de ajustes ofensivos, e Lamine Yamal está no centro dessa transição. Após a derrota no El Clásico, o jovem atacante busca recuperar o protagonismo e, ao mesmo tempo, reduzir sua dependência das referências mais experientes do setor ofensivo — Robert Lewandowski e Raphinha. A comissão técnica de Hansi Flick tem incentivado o camisa 27 a assumir maior autonomia criativa, participando mais da construção e finalização das jogadas.
Nos últimos jogos, Yamal mostrou dificuldade em manter o mesmo nível de influência sem a presença de Raphinha, seu parceiro habitual pela direita, e com Lewandowski mais isolado no comando do ataque do Barcelona. O brasileiro costuma ser o principal apoio de Yamal nas triangulações e jogadas de profundidade, enquanto o centroavante polonês representa o ponto de referência dentro da área. Quando ambos não estão em plena forma, o jovem acaba sobrecarregado e menos eficiente no último terço do campo.
Para reverter esse cenário, o técnico Flick tem trabalhado para diversificar as opções de ataque. O plano passa por aproximar Yamal dos meio-campistas criativos, como Pedri e Frenkie de Jong, além de explorar a mobilidade de Ferran Torres ou Marcus Rashford, dependendo da escalação. A ideia é que o garoto atue com mais liberdade de movimentação, sem ficar limitado às jogadas de linha de fundo ou aos cruzamentos para Lewandowski.
O clube acredita que o talento individual de Yamal pode ser potencializado se ele aprender a ser mais decisivo independentemente dos companheiros. Internamente, a avaliação é de que ele precisa transformar o brilho pontual em constância, assumindo a responsabilidade de decidir jogos — algo que o próprio Flick tem cobrado nos treinos.
A sequência de partidas contra adversários de menor expressão em La Liga pode ser o cenário ideal para essa evolução. Com menos pressão e mais tempo de bola, Yamal terá a oportunidade de se afirmar como um atacante capaz de desequilibrar mesmo sem depender dos movimentos de Lewandowski ou Raphinha. O Barcelona aposta que esse amadurecimento será fundamental para recuperar a consistência ofensiva e manter vivo o projeto de renovação liderado por Flick.
(Foto: Getty Images)