Zinedine Zidane é o novo treinador da França
Futebol Copa do Mundo

Zidane conseguirá extrair o talento das estrelas da França?

Anunciado nesta terça-feira (28), Zinedine Zidane é o novo técnico da seleção francesa, após 14 anos de trabalho de Didier Deschamps. Os primeiros compromissos acontecerão em setembro, com a estreia contra a Turquia pela UEFA Nations League.

As negociações com o ex-jogador e representantes da Federação Francesa de Futebol começaram em fevereiro de 2025, após Deschamps anunciar semanas antes que deixaria a função ao término da Copa do Mundo de 2026.

Na apresentação oficial, realizada em Paris, Zidane destacou o tempo que passou a aguardar nos bastidores e a se preparar para ocupar o cargo. “Recebi várias propostas nos últimos quatro ou cinco anos, mas recusei todas. A seleção nacional era a única coisa que eu queria”, comentou Zidane, emocionado.

Ainda que o entusiasmo em assumir a função tenha sido o assunto principal da coletiva de imprensa, o ex-treinador do Real Madrid ofereceu certas pistas aos torcedores franceses sobre como abordaria o tema. Tanto que até ele ignorou uma pergunta sobre Kylian Mbappé, comunicando que era o momento para ele descansar e que a conversa seria em setembro.

Ao ser questionado a respeito do esquema de jogo preferido, Zidane optou por não trazer detalhes táticos. “Não consigo explicar em poucas palavras como vamos vencer. Preciso chegar, me reunir com os jogadores e explicar meus planos a eles. Depois disso, dependerá de mim manter este time vencendo.”

Entretanto, ele confirmou que o intuito era realizar as coisas de maneira diferente, salientando que haveria uma certa continuação do trabalho do antecessor, a quem já elogiou a passagem do ex-colega de seleção. Todavia, a coletiva gerou dúvidas sobre diversas questões, dentre elas: como Zidane extrairá o talento dos jogadores da França?

As semelhanças entre os treinadores Zinedine Zidane e Didier Deschamps

Zidane e Deschamps
Foto: Reprodução

Ambos campeões da Copa do Mundo de 1998, Zidane e Deschamps possuem características semelhantes em sua gestão, especialmente pelo pragmatismo. Além disso, tem a abordagem literal nas fases ofensivas que o antecessor adotou na Copa do Mundo anterior.

Por conta do talento do setor de ataque à disposição, é razoável que o eterno camisa 10 siga o mesmo caminho. “Eu jogava como camisa 10”, falou Zidane, entendendo que manteria a posição na qual Michael Olise se destacou durante grande parte do torneio.

Já que a equipe marcou 20 gols na América do Norte, Deschamps pode ter deixado as bases para o estilo de jogo ofensivo do sucessor.  Zinedine Zidane achou uma situação completamente melhor do que a do antecessor no início da passagem, quando tinha feridas por conta da frustrante campanha na Copa do Mundo de 2010.

Ainda assim, a nomeação traz incerteza. Considerando que Zidane ficou cinco anos afastado do comando técnico do futebol, pode parecer uma aposta arriscada. O próprio técnico reconheceu que comandar a seleção seria uma proposta completamente nova. “É novo para mim, mas não estou com medo. É isso que eu queria.”

Como esperado, a reação entre jogadores e torcedores à chegada de Zidane foi especialmente positiva. Ele foi recepcionado por uma multidão de torcedores com sinalizadores e faixas ao sair da sede da Federação Francesa de Futebol.

Os elogios de um ex-companheiro para Zidane

Zinedine Zidane e Lizarazu se abraçando
Foto: Xavier Laine/Getty Images

O ex-colega de Zdaine na França e no Bordeaux, Bixente Lizarazu, ficou feliz pela chegada do treinador. “É um grande dia para o futebol francês. Ele está mais do que apto para treinar a seleção francesa, considerando o que fez no Real Madrid com grandes jogadores e egos inflados”, disse ele ao portal France Info.

O respeito que o ex-jogador três vezes vencedor da Bola de Ouro estimula no vestiário é um dos pontos fortes. Mais do que Didier Deschamps, Zidane é uma figura que pode até ofuscar os próprios atletas em relação ao talento. Nesse caso , ele pode ser o técnico ideal para tirar o máximo proveito de um ataque de Mbappé, Ousmane Dembélé, Désiré Doué e Olise.

Após o período sem jogos, a seleção francesa enfrentará quatro partidas pela Nations League, oferecendo aos jogadores da França um curso intensivo sobre o estilo novo de gestão. O primeiro jogo será contra a Turquia e depois enfrentará a Bélgica (duas vezes) e a Itália.

Créditos da foto da capa: Jean Catuffe/Getty Images