A França manteve o início perfeito sob o comando de Zinédine Zidane ao vencer a Bélgica por 1 a 0 pela segunda rodada da Nations League. Em uma partida equilibrada e com boas oportunidades para os dois lados, os franceses precisaram esperar até os 89 minutos para garantir mais uma vitória.
O gol decisivo saiu dos pés de Michael Olise, que entrou no segundo tempo e resolveu a partida em uma grande jogada individual. Depois de Kylian Mbappé decidir o duelo anterior contra a Turquia, novamente uma ação individual foi fundamental para garantir os três pontos.
Apesar do resultado apertado, o confronto em Bruxelas deixou sinais positivos sobre o início do trabalho de Zidane. A França apresentou uma equipe bastante modificada e, ainda assim, conseguiu mostrar alguns dos princípios que o novo treinador deseja implementar.
Entre as principais conclusões estão a excelente estreia de Lucas Da Cunha, os primeiros sinais de uma identidade tática clara e um problema que ainda precisa ser resolvido: a falta de eficiência no último terço do campo.
Lucas Da Cunha impressiona em estreia pela França
Uma das maiores curiosidades antes da partida era a presença de Lucas Da Cunha entre os titulares. O meio-campista do Como recebeu sua primeira oportunidade pela seleção principal e foi utilizado como volante, atuando como o jogador mais recuado do meio-campo francês.
Da Cunha respondeu rapidamente à confiança de Zidane. Com personalidade, conseguiu limitar a influência de Youri Tielemans e participou bastante da construção francesa. Sua qualidade técnica também apareceu em diversos lançamentos e inversões precisas durante a partida.
A capacidade de interpretar os movimentos dos companheiros foi outro ponto positivo. Além da contribuição com a bola, o jogador mostrou disposição defensiva e boa leitura dos espaços. Da Cunha ainda esteve perto de transformar sua estreia em algo ainda mais especial, mas uma finalização de esquerda terminou na trave de Senne Lammens.
Sua atuação ganha importância porque a França procura há algum tempo um meio-campista central canhoto com qualidade técnica. Da Cunha, que anteriormente atuava mais aberto e foi transformado em meio-campista no Como de Cesc Fàbregas, surge agora como uma opção interessante. Jérémy Jacquet e Andy Diouf, outros jogadores que receberam oportunidades, também deixaram boas impressões.
Zidane começa a encontrar sua fórmula na França
A estreia de Zidane diante da Turquia havia ficado marcada principalmente pela primeira partida do treinador e pela lesão de Kylian Mbappé. Contra a Bélgica, porém, foi possível observar com maior clareza como o técnico pretende montar sua seleção.
Zidane já havia explicado que deseja uma França agressiva, com pressão alta e organizada em um 4-3-3 ofensivo. Em Bruxelas, mesmo com diversas mudanças na escalação, alguns desses princípios apareceram durante boa parte do confronto.
Somente Mike Maignan e Maxence Lacroix permaneceram entre os titulares em relação à partida anterior. Ainda assim, a equipe apresentou uma conexão interessante entre jogadores que praticamente não possuíam experiência juntos pela seleção.
Lacroix e Jérémy Jacquet tiveram papel importante na saída de bola, avançando passes capazes de quebrar as primeiras linhas de pressão belgas. No meio, Zidane utilizou três jogadores canhotos, mas conseguiu manter equilíbrio e boa circulação.
Camavinga e Akliouche também ganham pontos com Zidane
Eduardo Camavinga voltou à seleção e teve uma participação bastante intensa pelo lado esquerdo do meio-campo. O jogador mostrou energia durante toda a partida e ajudou tanto na pressão quanto na construção das jogadas.
Maghnes Akliouche também apresentou bom desempenho em uma função que parece combinar bastante com as características de Rayan Cherki, outra opção importante para o futuro da equipe.
Mais do que desempenhos individuais, chamou atenção a maneira como jogadores com pouca experiência juntos conseguiram entender rapidamente suas funções. Para um treinador que ainda está nos primeiros dias de trabalho, esse tipo de resposta representa um sinal bastante positivo.
Com duas vitórias em duas partidas, Zidane mantém 100% de aproveitamento no comando da França. O resultado obviamente ajuda, mas a partida contra a Bélgica também mostrou uma equipe começando a construir uma identidade mais clara.
França ainda desperdiça oportunidades demais
Existe, porém, um ponto que precisa melhorar. A França voltou a depender de uma jogada individual para vencer uma partida que poderia ter sido resolvida antes. Olise marcou somente aos 89 minutos, repetindo de certa forma o roteiro visto diante da Turquia, quando Mbappé decidiu outro confronto equilibrado.
Conseguir contar com jogadores capazes de resolver partidas individualmente é uma enorme vantagem. O problema surge quando isso passa a ser a principal solução ofensiva. Contra a Bélgica, a França chegou a acertar a trave duas vezes, mas teve dificuldades para transformar seu volume ofensivo em finalizações realmente perigosas.
Estéban Lepaul recebeu sua primeira oportunidade como titular, mas participou pouco nas zonas de finalização. Quando conseguiu aparecer, também não teve sucesso. Bradley Barcola poderia ter aproveitado melhor algumas situações, enquanto a entrada de Ousmane Dembélé teve pouco impacto.
Désiré Doué foi a principal exceção. O jovem chamou atenção pela capacidade de drible e foi uma das peças ofensivas mais perigosas da França. Mesmo assim, somente uma em cada três finalizações da equipe encontrou o alvo.
França vence, mas ainda tem espaço para crescer
A ausência de Mbappé naturalmente diminui o poder ofensivo da seleção francesa, mas também oferece a Zidane a oportunidade de buscar novas soluções. Se a equipe pretende se tornar mais completa, outros jogadores precisam assumir maior responsabilidade na criação e principalmente na finalização.
Por outro lado, o início do treinador dificilmente poderia ser mais positivo em termos de resultados. Duas partidas, duas vitórias e sinais claros de uma França mais agressiva na pressão e disposta a controlar os jogos através de um meio-campo técnico.
A estreia de Lucas Da Cunha também representa uma excelente notícia. Se o jogador conseguir repetir atuações como a apresentada em Bruxelas, Zidane pode ter encontrado uma nova alternativa para uma posição que vinha procurando mais qualidade técnica e equilíbrio.
A vitória sobre a Bélgica, portanto, mantém o início perfeito da era Zidane, mas também mostra onde está o próximo desafio. A França já começa a apresentar uma identidade interessante e possui talento individual de sobra. Agora, precisa transformar esse domínio em mais gols para não depender sempre de uma jogada brilhante nos minutos finais.
Foto: AFP



