A Inter mostrou força mental e repertório ofensivo para vencer a Juventus por 3 a 2, em Milão, e dar mais um passo rumo ao título da Serie A. Em um Derby d’Italia intenso e repleto de reviravoltas, a equipe nerazzurra soube aproveitar a expulsão de Kalulu ainda no primeiro tempo, mas também precisou lidar com a valentia bianconera até os minutos finais. O gol decisivo de Piotr Zielinski, já perto dos acréscimos, garantiu três pontos fundamentais e manteve a Inter com folga no topo da tabela.
Com o triunfo, a Inter chega a 61 pontos, abrindo oito de vantagem sobre o vice-líder Milan. A Juventus, por sua vez, estaciona nos 46 e, além de ver o rival disparar, ainda corre risco de perder posição no G4 para a Roma. Mais do que a diferença na classificação, o clássico evidenciou o contraste entre um time que exala confiança e outro que, apesar da competitividade, ainda oscila em momentos decisivos.
O jogo
O clássico começou equilibrado, com as duas equipes buscando intensidade desde os primeiros minutos. A Inter tentou impor posse e amplitude pelos lados, enquanto a Juventus apostava em transições rápidas e infiltrações pelo meio.
Aos 16 minutos, o primeiro golpe. O brasileiro Luis Henrique recebeu pela direita e tentou cruzamento buscando companheiros na área. A bola desviou em Cambiaso e morreu no fundo das redes, enganando Di Gregorio. Um gol com dose de acaso, mas que premiava a postura ofensiva da Inter naquele início.
A Juventus, porém, não se abateu. Cambiaso, que havia sido infeliz no lance do gol contra, tratou de se redimir pouco depois. Após boa jogada pela direita, McKennie cruzou rasteiro, Luis Henrique hesitou na marcação e o lateral bianconero apareceu com oportunismo para empatar. O jogo ganhava contornos de duelo franco, sem espaço para acomodação.
O primeiro tempo seguiu aberto. Marcus Thuram quase recolocou a Inter na frente em cabeçada firme defendida por Di Gregorio. No rebote, Bastoni acertou finalização que explodiu nas duas traves.
Quando o duelo parecia caminhar para um intervalo empatado, veio o ponto de inflexão. Kalulu recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso, deixando a Juventus com um a menos ainda antes do descanso. A desvantagem numérica mudava o cenário estratégico para a etapa final.
Apesar da inferioridade numérica, a Juventus voltou do intervalo com postura corajosa. Longe de se retrair completamente, o time buscou explorar espaços deixados pela Inter, que naturalmente adiantou suas linhas.
Cambiaso voltou a levar perigo pela esquerda, exigindo defesa importante de Sommer. Na sequência, o goleiro suíço precisou trabalhar novamente em finalizações de Miretti e McKennie no mesmo lance. A Juve mostrava que não seria apenas espectadora.
Esse momento revelou um aspecto importante do clássico: a Inter, mesmo com um homem a mais, demorou a transformar a vantagem numérica em domínio territorial claro. Faltava acelerar a circulação da bola e ocupar melhor os corredores laterais.
A entrada de Çalhanoglu deu novo dinamismo ao meio-campo nerazzurro. Com mais qualidade na distribuição e finalizações de média distância, a Inter passou a pressionar com maior consistência. Di Gregorio começou a aparecer com frequência, defendendo chute potente da entrada da área.
O segundo gol saiu aos 30 minutos. Dimarco cruzou com precisão, e Pio Esposito desviou de cabeça para colocar a Inter novamente em vantagem. A jogada simbolizou o padrão ofensivo da equipe: amplitude, cruzamento bem executado e presença decisiva na área.
Parecia o golpe definitivo. Mas o Derby d’Italia raramente segue roteiro previsível.
Mesmo com dez jogadores, a Juventus encontrou forças para reagir. Locatelli recebeu de McKennie dentro da área e bateu colocado no canto, empatando novamente. A valentia bianconera transformava o clássico em um duelo de nervos.
A partir daí, a Inter assumiu pressão total. Di Gregorio realizou defesa espetacular em cabeçada de Bisseck, mantendo o empate e alimentando a tensão no estádio. A equipe milanesa rondava a área, mas encontrava dificuldades para furar o bloqueio defensivo adversário.
Quando o empate já parecia consolidado, Zielinski apareceu. Recebeu próximo à meia-lua e soltou chute forte de canhota, indefensável, garantindo o 3 a 2 já na reta final. O gol explodiu o estádio e selou uma vitória que pode ter peso simbólico na corrida pelo título.
Inter mostra autoridade em jogo complicado
A vitória reafirma a condição da Inter como principal candidata ao scudetto. Mesmo enfrentando dificuldades e um adversário resiliente, o time mostrou repertório, banco decisivo e poder de reação.
Por outro lado, a Juventus sai derrotada, mas com moral preservada pela postura combativa mesmo com um jogador a menos. Ainda assim, a distância para o líder se torna significativa, e a luta pelo G4 ganha contornos mais tensos.
O Derby d’Italia entregou emoção, intensidade e drama, como manda a tradição. E, no fim, a Inter mostrou que, além de qualidade técnica, tem algo fundamental em campanhas campeãs: a capacidade de decidir quando mais importa.
(Foto: Getty Images)


