Muito se especulou no início da janela de transferências sobre um possível reencontro de Xabi Alonso com Martín Zubimendi no Real Madrid — afinal, ambos conviveram na Real Sociedad e o espanhol sempre foi um nome bem cotado no Bernabéu. Mas quem se adiantou foi o Arsenal. Com as saídas confirmadas de Thomas e Jorginho, Mikel Arteta viu a oportunidade perfeita e trabalhou nos bastidores para trazer o volante para Londres antes que outro gigante europeu agisse.
O próprio treinador não escondeu o quanto a negociação foi planejada. “Foi um plano realmente bem orquestrado. Ambos jogadores (Mikel Merino e Zubimendi) estavam muito interessados em vir, o que é essencial. A Real Sociedad entendeu a situação e seu comportamento foi excelente”, declarou Arteta, destacando a postura do clube basco no processo. O resultado foi um reforço de impacto imediato para os Gunners, que rapidamente viram seu novo meio-campista se destacar no futebol inglês.
De Old Trafford ao Emirates: adaptação acelerada de Zubimendi
Zubimendi estreou justamente contra o Manchester United, em Old Trafford, um dos palcos mais exigentes da Premier League. Sofreu no início, mas passou no teste. De lá para cá, seu nível só subiu. Ele completou os 90 minutos nas quatro primeiras partidas do campeonato — contra United, Leeds, Liverpool e Nottingham Forest — e já se tornou intocável no onze de Arteta. “Martín é um jogador que aportará enorme qualidade e inteligência ao nosso time. Ele se encaixa muito bem e tem todos os atributos para ser uma peça-chave”, disse o técnico na sua apresentação.
No campo, Zubimendi vem cumprindo exatamente o que prometia no papel. Atua como o primeiro passador, responsável por organizar o jogo desde trás, e roça os 90% de acerto nos passes por partida. Mais do que isso, está surpreendendo pela capacidade de recuperação: são em média quatro bolas retomadas, 1,5 desarmes e mais de cinco duelos vencidos por jogo. Tudo isso compensando, com leitura e posicionamento, uma suposta falta de vigor físico que, na prática, não aparece.
Gols inesperados e protagonismo crescente
Se o Arsenal esperava um organizador, ganhou também um finalizador. Zubimendi, conhecido por ser um volante mais posicional e discreto na hora de chegar à área, marcou um feito inédito na carreira diante do Nottingham Forest: seu primeiro “doblete” como profissional, depois de 289 partidas oficiais. O primeiro gol foi um voleio certeiro da entrada da área para abrir o placar; o segundo, uma chegada surpresa pela segunda linha para completar de cabeça um cruzamento de Trossard.
O desempenho rendeu-lhe o prêmio de melhor em campo e elogios rasgados de Arteta. “Incrível. Dois gols muito diferentes. Ele chegou e você sente uma presença real, uma autoridade em tudo que faz”, disse o treinador. “Não vi ele fazer isso nos treinos. São dois gols muito difíceis de marcar”, completou. A torcida no Emirates percebeu o recado: o novo camisa do meio-campo não é só um reforço, mas uma peça transformadora.
De “sucessor de Rodri” a líder na Premier
Desde que despontou em San Sebastián, Zubimendi carregava a etiqueta de “novo Rodri Hernández”. Mas enquanto o volante do Manchester City precisou de mais tempo para atingir seu auge, o agora ex-Real Sociedad já demonstra maturidade e impacto imediato no Arsenal. Sua leitura de jogo, a precisão no passe e o equilíbrio entre defesa e ataque fazem dele um líder silencioso, que dita o ritmo do time e dá segurança ao resto do setor.
Em poucos meses, o espanhol virou uma espécie de “chefe de operações” no meio-campo gunner. O que parecia uma aposta de médio prazo se tornou um ganho imediato, tanto que Arteta já molda sua equipe em função das virtudes de Zubimendi. E, se manter esse ritmo, não apenas será titular indiscutível no Arsenal, como também se consolidará como peça-chave da seleção espanhola.
O futuro: Arsenal reforçado e Premier em alerta
O sucesso de Zubimendi reforça a ideia de que o Arsenal não é mais apenas um time promissor, mas um projeto sólido, capaz de competir por títulos grandes. Com o espanhol comandando o meio e nomes como Odegaard, Saka e Jesus à frente, Arteta vê seu plano ganhar consistência. Ao mesmo tempo, os rivais da Premier começam a olhar com outros olhos para o ex-jogador da Real Sociedad, que chega à liga inglesa não só como um reforço, mas como um protagonista inesperado.
Para o próprio Zubimendi, a transferência também parece um divisor de águas. De promessa e pilar silencioso no País Basco, passa a ser visto como líder técnico de um dos principais clubes da Inglaterra. Se continuar nesse ritmo, os rumores que um dia o ligaram ao Real Madrid podem voltar, mas agora com um status diferente: não o de “futuro sucessor”, mas de estrela consolidada.