O UFC, como maior organização de MMA do mundo, não é apenas um evento esportivo, mas também um espetáculo de entretenimento. O sucesso financeiro da companhia depende de grandes estrelas, campeões carismáticos e lutas que atraiam milhões de espectadores. Por isso, alguns campeões, apesar de seus méritos esportivos, acabam não sendo os favoritos dos dirigentes da organização.
Seja por falta de apelo midiático, pelo estilo de luta pouco atrativo ou pela existência de nomes mais rentáveis na mesma divisão, certos campeões parecem estar constantemente em uma posição desconfortável dentro do UFC.
Entre esses casos, três nomes se destacam. Cada um, à sua maneira, se encaixa no perfil de lutadores que, embora altamente competentes, não têm a preferência da organização. Seja pelo estilo de luta, pela falta de popularidade ou por representar uma ameaça ao plano de marketing do UFC, esses campeões parecem lutar não apenas contra seus adversários, mas também contra a própria vontade do evento.
(Foto: Divulgação/UFC)
Confira três campeões que o UFC gostaria de ver derrotados
Belal Muhammad: O campeão sem apelo midiático
Belal Muhammad é um exemplo claro de um lutador que conquistou sua posição através do mérito, mas que não tem o carisma ou a popularidade desejados pelo UFC. Invicto há anos, Muhammad construiu sua campanha rumo ao título dos meio-médios com vitórias convincentes sobre nomes de peso, como o próprio ex-campeão Leon Edwards. No entanto, mesmo com um cartel impressionante e um jogo sólido, seu nome raramente é mencionado quando se fala em superestrelas da divisão.
O problema central é que Muhammad não tem um estilo de luta explosivo ou um personagem marcante. Ele é eficiente, mas não espetacular. Seu jogo é baseado em um grappling seguro e um striking funcional, o que muitas vezes resulta em lutas pouco empolgantes para o grande público. Além disso, fora do octógono, sua presença nas redes sociais e na mídia é relativamente discreta, embora ele esteja tentando mudar isso nos últimos tempos.
Em uma divisão que já teve campeões como Georges St-Pierre e Kamaru Usman, que combinavam habilidades de elite com forte apelo midiático, Muhammad parece ser um nome que o UFC gostaria de evitar no topo. A organização claramente preferiria um campeão como Shavkat Rakhmonov ou até um retorno de Colby Covington, lutadores que geram muito mais interesse e vendem melhor o espetáculo.
Merab Dvalishvili: o problema de estar no caminho de estrelas
O caso de Merab Dvalishvili é outro exemplo interessante. O georgiano se consolidou como o melhor peso-galo do mundo após uma sequência impressionante de vitórias, incluindo triunfos sobre José Aldo e Henry Cejudo antes de bater Sean O’Malley. Seu estilo de luta baseado em pressão constante e wrestling incansável faz dele um adversário extremamente difícil de ser batido. No entanto, sua ascensão ao topo não parece ser um plano ideal para o UFC.
Isso porque a divisão dos galos tem nomes muito mais midiáticos e vendáveis. Sean O’Malley, por exemplo, é um astro consolidado, com um estilo de luta vistoso e uma forte presença online. O UFC claramente vê O’Malley como um futuro rosto da organização, alguém que pode vender pay-per-views e atrair um público mais jovem. Dvalishvili, por outro lado, é um lutador extremamente dominante, mas que não tem a mesma capacidade de gerar interesse fora do octógono.
Além disso, o UFC também teve dificuldades com a relação entre Dvalishvili e Aljamain Sterling, seu companheiro de treinos e ex-campeão da categoria. Por muito tempo, Merab se recusou a disputar o título enquanto Sterling era o dono do cinturão, o que complicou os planos da organização para a divisão. Agora, como campeão, ele está virando um querido da torcida, mas não do UFC.
Julianna Peña: A sombra de Kayla Harrison
Julianna Peña é outro caso peculiar. Ex-campeã peso-galo, ela conseguiu a maior vitória de sua carreira ao destronar Amanda Nunes em 2021, mas perdeu a revanche no ano seguinte. Agora, de volta ao posto de campeã, Peña parece estar em uma posição incômoda para o UFC, que tem planos mais ambiciosos para a divisão feminina.
O principal motivo para isso é Kayla Harrison, uma das maiores estrelas do MMA feminino fora do UFC e agora contratada pela organização. Harrison, bicampeã olímpica no judô e ex-campeã da PFL, é vista como um nome muito mais vendável e capaz de carregar o peso-galo para novas alturas. Com um cartel quase perfeito e um estilo de luta dominante, Harrison é a lutadora que o UFC quer promover como a nova rainha da categoria.
O problema é que, enquanto Peña for campeã, essa transição não pode acontecer de forma tão natural. Embora seja uma lutadora talentosa e carismática, Peña não tem o mesmo apelo midiático que Harrison e nem o histórico de dominação que a ex-judoca possui. Para o UFC, seria muito mais interessante ver Harrison se tornando campeã rapidamente, garantindo um novo ciclo de interesse e vendas de pay-per-views.
O UFC é um negócio, e nem sempre os lutadores mais talentosos são aqueles que a organização quer ver no topo. Belal Muhammad, Merab Dvalishvili e Julianna Peña são exemplos de campeões que, por diferentes razões, parecem não se encaixar nos planos de marketing da companhia. Seja pela falta de carisma, pelo estilo de luta menos atrativo ou pela existência de estrelas mais lucrativas na mesma divisão, esses lutadores enfrentam uma resistência silenciosa por parte do UFC.
Isso não significa que eles perderão seus cinturões tão cedo, mas fica claro que, dentro e fora do octógono, a luta desses campeões é contra mais do que apenas seus adversários. Eles precisam não apenas vencer suas lutas, mas também provar que merecem seu espaço em um esporte onde o talento nem sempre é o fator mais importante para se manter no topo.