Mano Menezes é o novo técnico da Seleção do Peru e passa a integrar uma seleta lista de treinadores brasileiros que marcaram época no comando de seleções estrangeiras. Ao longo da história do futebol, técnicos do Brasil deixaram suas marcas fora do país, com projetos consistentes, títulos e transformações estruturais. Nesta matéria, reunimos os 5 melhores trabalhos de brasileiros à frente de seleções internacionais.
1. Felipão – Portugal

Este dispensa comentários. Após a conquista do penta pela seleção brasileira, Felipão aceitou o projeto de Portugal e por lá teve uma passagem de cinco anos e meio, da qual transformou o futebol do país. Scolari deu aos lusos a inédita chance de disputar a final de uma Eurocopa em 2004 e o 4° lugar na Copa de 2006, algo que não acontecia desde 1966.
Além disso, Felipão esteve diretamente ligado à descoberta de um dos maiores jogadores de todos os tempos: Cristiano Ronaldo. Ele e Murtosa estiveram no processo de lapidação do astro da camisa 7 e tornaram ele uma figura forte e que pôde mostrar o talento para o mundo inteiro.
2. Zico (Japão)

A chamada “Terra do Sol Nascente” viveu um período áureo com Zico no comando técnico. Porém tudo fazia parte de um movimento estratégico que se tornaria o pontapé inicial para a profissionalização do esporte no país asiático.
Desde que era jogador do Kashima Antlers, Zico introduziu uma mentalidade profissional e uma seriedade tática que eram desconhecidas para os japoneses. O “Galinho” se dedicou a transformar o Kashima, que até então era um time de fábrica (Sumitomo Metals), em um clube de futebol de verdade.
À frente dos “Samurais Azuis”, Zico foi técnico da seleção entre 2002 e 2006 e teve um retrospecto sólido. Foram 64 jogos, com 36 vitórias, 13 empates e 15 derrotas — um aproveitamento de 63%. Inclusive, se Felipão esteve diretamente na formação de um ídolo, Zico não esteve muito atrás e foi fundamental na revelação de Yasuhito Endo, Hidetoshi Nakata e Shunsuke Nakamura.
3. Paulo César Carpegiani (Paraguai)

Ao passo que o torcedor flamenguista não esquece a campanha daquele Flamengo de 1981, os paraguaios eternizaram o Paraguai de 1998. O que une esses dois é que Paulo César Carpegiani foi o comandante dos dois times. A Albirroja teve um desempenho simplesmente espetacular nas eliminatórias para a Copa da França, ficando com 29 pontos.
O Paraguai naquela jornada pré-copa perdeu somente 5 das 16 partidas que disputou nas eliminatórias — e sempre reveses pela margem mínima. Os Guaranis chegaram com expectativa para o Mundial e caíram num grupo difícil — com Espanha, Nigéria e Bulgária. Carpegiani, junto de Carlos Gamarra, Francisco Arce e Júlio César Enciso, levaram o time a uma vice-colocação naquela chave e foram eliminados na prorrogação nas oitavas, contra a França.
4. Sylvinho (Albânia)

Um dos mais recentes a se tornar técnico de uma seleção estrangeira. Sylvinho teve uma passagem pelo Corinthians entre 2021 e 2022, mas tempos depois escolheu iniciar uma empreitada com a seleção da Albânia. Pelos Shqiponjat (Águias), o brasileiro vem fazendo um trabalho sólido que perdura até os dias de hoje. Sylvinho já comandou o selecionado na Eurocopa de 2024 e o próximo desafio é levar o país para a Copa do Mundo.
A chance está lançada e o desafio é contra a Polônia. Será que os torcedores poderão ver mais uma façanha das Águias?
5. Didi (Peru)

Não será a primeira vez que a Seleção do Peru terá um técnico brasileiro. Isso já aconteceu no século passado, mais precisamente em 1969, quando Didi, lenda do Santos, comandou o time peruano. À frente dos Incas, o “Folha Seca” levou o país de volta à Copa do Mundo depois de 40 anos e regeu aquela que é até hoje a melhor campanha peruana em um Mundial: em 1970, quando chegou às quartas de final.
Ele foi um dos “cabeças” da que pode ser considerada a maior geração do futebol peruano, que tinha como principal destaque Teófilo Cubillas. Didi eliminou Bolívia e Argentina nas eliminatórias e levou o país que até então só havia participado de uma Copa do Mundo (em 1930) para a de 1970.
Mais um para a lista!
É bem verdade que existiram outros treinadores que comandaram outras seleções: Carlos Alberto Parreira, Alexandre Guimarães, Antônio Carlos Zago, Joel Santana, são alguns exemplos. Mas, a chegada de Mano Menezes demonstra que nossa escola de técnicos nunca parou de exportar nomes e pode impactar o futebol local.
O gaúcho, de 63 anos, aceita um desafio gigante e deverá honrar o legado deixado por Didi, ídolo da nação peruana. A apresentação de Mano Menezes está marcada para esta quinta-feira, em uma coletiva de imprensa.
Créditos pela foto de capa: Reprodução/Ge Globo