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Ayyoub Bouaddi: conheça o jovem que saiu do anonimato para custar R$ 700 milhões ao Manchester City

Há poucos meses, Ayyoub Bouaddi era um nome conhecido principalmente por quem acompanhava de perto o futebol francês e as categorias de base. Agora, o jovem meio-campista de 18 anos é protagonista de uma das maiores transferências da história recente do futebol.

O Manchester City pagou cerca de US$ 117 milhões, aproximadamente €95 milhões, para tirar Bouaddi do Lille e colocá-lo no centro de um novo projeto no Etihad Stadium. A contratação não apenas chamou atenção pelo valor: ela transformou o marroquino no adolescente mais caro da história da Premier League e no jogador de 18 anos mais caro de todos os tempos.

E pensar que, até pouco antes da Copa do Mundo de 2026, Bouaddi nem sequer era presença constante nas discussões sobre os grandes talentos do futebol mundial.

Da França ao Marrocos e da Copa do Mundo ao City

A trajetória recente de Bouaddi foi uma verdadeira montanha-russa. Nascido na França, o meio-campista defendeu o país em 27 partidas pelas diferentes categorias de base, desde o sub-16 até o sub-21.

Em maio, porém, tudo mudou.

No dia 15, a mudança de seleção foi oficialmente confirmada, permitindo que Bouaddi passasse a representar o Marrocos. Apenas 11 dias depois, o jovem já estava na lista final do técnico Mohamed Ouahbi para disputar a Copa do Mundo.

A aposta se mostrou acertada.

No dia 13 de junho, Bouaddi ganhou os holofotes ao comandar o meio-campo marroquino diante do Brasil. A personalidade apresentada por um jogador de apenas 18 anos impressionou e ajudou a transformar o meio-campista em um dos nomes mais comentados do torneio.

O Marrocos chegou às quartas de final e mostrou que a campanha histórica de 2022 não havia sido apenas um acaso. Para Bouaddi, porém, a Copa do Mundo representou algo ainda maior: foi a porta de entrada definitiva para o futebol mundial.

Poucas semanas depois, ele já estava assinando com o Manchester City.

Manchester City paga caro por presente e futuro

O Lille sabia que tinha uma joia nas mãos e não pretendia facilitar a saída. Depois de longas negociações, o Manchester City aceitou pagar cerca de €95 milhões pela contratação.

A maior parte do valor é garantida, com apenas uma pequena parcela condicionada ao cumprimento de metas.

A transferência coloca Bouaddi à frente de outro nome formado no Lille: Leny Yoro. O defensor francês havia se tornado o adolescente mais caro da história da Premier League após sua ida para o Manchester United, em 2024, em uma negociação avaliada em aproximadamente US$ 80 milhões.

Agora, Bouaddi assumiu os dois recordes.

O meio-campista assinou contrato de cinco temporadas, válido até 2031, e utilizará a camisa 32, mesmo número que vestia no Lille. Entre os antigos donos da camisa em Manchester, o mais famoso é Carlos Tevez, que utilizou o número tanto no City quanto no United.

Por que o Manchester City quis Bouaddi?

A principal missão de Bouaddi no Manchester City será pesada: ajudar a preencher o espaço deixado por Rodri.

O espanhol, vencedor da Bola de Ouro de 2024, estabeleceu-se como uma das figuras mais importantes do meio-campo do futebol mundial, e substituir um jogador desse nível não é uma tarefa simples. Ainda assim, o City acredita que Bouaddi possui características que podem fazê-lo assumir um papel importante no setor.

Durante o anúncio da contratação, o diretor de futebol Hugo Viana destacou a inteligência futebolística do jovem e revelou que o clube acompanhava o jogador de perto.

Para o Manchester City, a contratação não é apenas uma aposta pensando no futuro. Bouaddi chega para contribuir imediatamente, mas também com margem considerável para evolução. E foi justamente essa combinação que fez o City abrir os cofres.

O meio-campista demonstrou na Copa do Mundo uma maturidade incomum para sua idade. Sua calma com a bola, capacidade de leitura do jogo e personalidade para atuar contra grandes adversários chamaram atenção.

Promessa que já não era tão desconhecida

Apesar de a Copa do Mundo ter apresentado Bouaddi para uma audiência global, o jogador já vinha construindo uma trajetória impressionante no Lille.

Nascido e criado nos arredores de Paris, ele foi descoberto pelo clube do norte da França aos 13 anos. O Lille possui uma tradição importante na formação de talentos e já ajudou a desenvolver jogadores como Eden Hazard, Benjamin Pavard, Lucas Digne, Yohan Cabaye e Lucas Chevalier.

Mais recentemente, o clube também revelou Leny Yoro.

Bouaddi assinou seu primeiro contrato profissional aos 15 anos, em 2023, e não demorou muito para chegar ao time principal. Em outubro daquele ano, apenas três dias depois de completar 16 anos, fez sua estreia pelo Lille.

O jovem se tornou o jogador mais novo da história do clube e também estabeleceu, naquele momento, o recorde de atleta mais jovem a disputar uma competição europeia organizada pela UEFA.

Poucos dias depois, veio a estreia na Ligue 1. Ao final da temporada 2023/24, Bouaddi já havia participado de 18 jogos pelo time profissional. E ele ainda tinha apenas 16 anos.

Nem o Real Madrid assustou Bouaddi

A experiência de Bouaddi foi aumentando rapidamente.

Na temporada 2024/25, o meio-campista passou a ganhar cada vez mais espaço, especialmente em jogos de alto nível pela Champions League. Foram 36 partidas em todas as competições, número que aumentou para 42 na temporada seguinte.

Ao deixar o Lille, Bouaddi já acumulava 104 partidas entre futebol profissional e seleção. Ou seja, apesar da idade, o Manchester City não contratou um jogador completamente cru.

Um dos melhores exemplos disso aconteceu em outubro de 2024. No dia em que completou 17 anos, Bouaddi foi titular do Lille contra o Real Madrid pela Champions League.

Do outro lado estavam jogadores como Aurélien Tchouaméni e Eduardo Camavinga. O Real Madrid era o atual campeão europeu e chegava embalado por uma sequência de 36 jogos sem derrota.

Bouaddi jogou os 90 minutos e ajudou o Lille a vencer os espanhóis, encerrando uma invencibilidade que já durava quase nove meses.

Nada mal para um presente de aniversário. A atuação chamou atenção dentro e fora da França e mostrou que o jovem não parecia sentir o peso dos grandes palcos.

Mentalidade que impressiona quem acompanha Bouaddi

O talento técnico é apenas uma parte da explicação para a ascensão de Bouaddi.

Durante sua passagem pelo Lille, o jovem recebeu elogios constantes por sua postura e maturidade. Bruno Génésio, técnico do clube na época, classificou Bouaddi como um jovem extremamente inteligente e destacou sua capacidade de lidar com as responsabilidades.

Mohamed Ouahbi também utilizou a atuação contra o Real Madrid como exemplo durante a Copa do Mundo, classificando aquela apresentação como uma verdadeira obra-prima.

Outro aspecto destacado por quem trabalhou com Bouaddi nas categorias de base é sua capacidade de aprender.

Mickaël Delestrez, ex-treinador do jogador no Lille, já havia ressaltado sua humildade, capacidade de ouvir e facilidade para colocar em prática as orientações recebidas.

No futebol moderno, talento sem cabeça no lugar pode acabar rápido. Existem inúmeros jogadores tecnicamente brilhantes que não conseguiram transformar o potencial em uma carreira de alto nível.

Bouaddi, até agora, parece ter encontrado um equilíbrio importante entre confiança e humildade.

Agora começa o verdadeiro desafio

A ascensão de Ayyoub Bouaddi foi meteórica. Em poucos meses, ele trocou a seleção francesa de base pelo Marrocos, brilhou na Copa do Mundo, tornou-se um dos jovens mais valorizados do futebol e fechou uma transferência milionária para o Manchester City. Mas a parte mais difícil começa agora.

Vestir a camisa do City significa disputar espaço em um dos elencos mais qualificados do futebol europeu. Além disso, o preço da contratação inevitavelmente criará uma expectativa gigantesca sobre cada atuação.

Por €95 milhões, Bouaddi não poderá passar despercebido.

O jovem, porém, já mostrou que não costuma se intimidar facilmente. Ele enfrentou o Real Madrid aos 17 anos, ganhou destaque contra o Brasil em uma Copa do Mundo e se tornou protagonista de uma das maiores transferências da janela.

Agora, terá pela frente o maior desafio de sua carreira: provar que o Manchester City não pagou apenas por uma promessa.