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Automobilismo Fórmula 1

7 pilotos que ressurgiram na Fórmula 1 após uma grande oportunidade

O Grande Prêmio da Holanda de 2026 terminou com vários assuntos para repercutir, mas um deles chamou atenção justamente por envolver um piloto que estava longe dos holofotes da Fórmula 1. Yuki Tsunoda voltou a pilotar um carro da categoria pela Racing Bulls em Zandvoort e aproveitou a oportunidade para mostrar que ainda tem velocidade suficiente para competir no mais alto nível.

O japonês havia perdido sua vaga na Red Bull depois de uma temporada difícil em 2025 e passou a exercer a função de piloto de testes e reserva. A chance de retornar à pista surgiu quando Liam Lawson foi chamado para substituir Isack Hadjar na equipe principal, abrindo espaço para Tsunoda na Racing Bulls.

O resultado não foi um pódio ou sequer uma pontuação: Tsunoda terminou em 11º. Ainda assim, sua atuação teve um significado maior. “Fiz tudo o que podia hoje e realmente gostei”, afirmou o piloto após a corrida.

Agora, resta saber se o desempenho será suficiente para recolocá-lo em uma posição de destaque e, principalmente, se poderá ajudá-lo a conseguir novamente uma vaga em tempo integral. A história da Fórmula 1 mostra que uma oportunidade desse tipo pode mudar completamente a trajetória de um piloto. Ao longo dos anos, vários competidores conseguiram transformar uma corrida excepcional em uma segunda chance na categoria.

Nico Hulkenberg: o “super-sub” que voltou ao grid

Poucos pilotos representam melhor essa situação do que Nico Hulkenberg. Depois de perder sua vaga na Renault no fim de 2019, o alemão ficou sem assento para a temporada seguinte. Em 2020, porém, recebeu uma oportunidade inesperada. A Racing Point precisou de substitutos quando Sergio Perez e Lance Stroll foram afastados após contraírem Covid-19, e Hulkenberg foi chamado para assumir o carro.

Sua primeira oportunidade em Silverstone terminou antes mesmo da largada por causa de um problema no carro. Mas o alemão teve uma segunda chance na semana seguinte, no GP de 70º Aniversário. Dessa vez, ele não desperdiçou. Hulkenberg largou em terceiro, atrás apenas dos dois carros da Mercedes, e terminou a corrida em sétimo.

Ainda naquele ano, voltou a substituir um piloto no GP de Eifel, no circuito de Nürburgring. Mesmo largando do fundo do grid, conseguiu terminar em oitavo. As atuações foram suficientes para mantê-lo no radar do paddock. Ele continuou como reserva em 2021 e ainda fez outras aparições em 2022.

Todo esse processo contribuiu para seu retorno definitivo ao grid em 2023, pela Haas. A trajetória continuou a render frutos. Já pela Sauber, Hulkenberg conquistou no GP da Grã-Bretanha seu primeiro pódio na Fórmula 1, encerrando uma longa espera. Seu caso mostra que uma boa atuação como substituto pode não apenas salvar uma carreira, mas também manter um piloto relevante durante anos até surgir uma nova oportunidade.

Carlos Sainz: uma resposta imediata depois de perder a Ferrari

Carlos Sainz viveu uma situação diferente, mas igualmente marcante. O espanhol começou 2024 já sabendo que deixaria a Ferrari ao final da temporada. A equipe havia acertado a chegada de Lewis Hamilton para 2025, e Sainz precisaria encontrar um novo destino. A situação ficou ainda mais complicada quando ele precisou ficar fora do GP da Arábia Saudita por causa de uma cirurgia de apendicite.

O substituto naquele fim de semana foi Ollie Bearman, que também aproveitou sua oportunidade e chamou atenção. Sainz, porém, teve sua própria resposta na corrida seguinte. Duas semanas depois, no GP da Austrália, o espanhol voltou ao carro e apresentou uma atuação extraordinária. Largou em segundo e terminou a corrida na primeira posição, conquistando sua terceira vitória na Fórmula 1.

Foi uma das melhores formas possíveis de lembrar ao paddock que ele continuava sendo um piloto de alto nível. A vitória aumentou o interesse de outras equipes em seu trabalho e, posteriormente, Sainz assinou com a Williams para a temporada de 2025. Ou seja, mesmo sabendo que estava de saída da Ferrari, o espanhol conseguiu transformar um momento de incerteza em uma demonstração de força.

Alain Prost: uma pausa que terminou com outro título mundial

As grandes reviravoltas não são exclusividade da era moderna da Fórmula 1. Alain Prost passou por uma situação ainda mais dramática no início dos anos 1990.

Depois de deixar a McLaren e ir para a Ferrari, o francês terminou 1990 como vice-campeão, perdendo o título para Ayrton Senna em uma disputa extremamente controversa. As relações entre Prost e Ferrari se deterioraram durante 1991. O piloto criticou publicamente a perda de competitividade da equipe e acabou sendo dispensado antes mesmo do fim da temporada.

Sem tempo para encontrar uma vaga competitiva para 1992, Prost ficou fora da Fórmula 1. A pausa, entretanto, durou apenas um ano. Em 1993, ele retornou ao grid pela Williams e mostrou imediatamente que não havia perdido sua capacidade de vencer.

Na primeira corrida da temporada, na África do Sul, Prost largou da pole e venceu. Aquela vitória foi apenas o começo. Ao longo do campeonato, o francês conquistou outras seis vitórias e garantiu seu quarto título mundial antes de se aposentar da Fórmula 1 no fim daquele ano. Foi um dos retornos mais impressionantes da história da categoria.

Mika Salo: substituto de Schumacher que virou peça importante da Ferrari

Mika Salo também sabe o que significa transformar uma oportunidade temporária em uma grande vitrine. O finlandês estreou na Fórmula 1 em 1994 e passou por equipes como Lotus, Tyrrell e Arrows. Em 1999, porém, ficou sem vaga. A oportunidade apareceu quando Ricardo Zonta se lesionou e Salo foi chamado para substituí-lo na BAR e pouco depois, surgiu um desafio ainda maior.

Michael Schumacher sofreu um acidente no GP da Grã-Bretanha e quebrou a perna. A Ferrari precisava de alguém para ocupar seu lugar, e Salo foi escolhido. A responsabilidade era enorme, mas o finlandês respondeu bem.

Depois de terminar em nono na Áustria, Salo conseguiu um resultado impressionante em Hockenheim. Largou em quarto e chegou a liderar a corrida. Posteriormente, recebeu a ordem para ceder a posição ao companheiro Eddie Irvine, que disputava o campeonato. Mesmo assim, terminou em segundo e conquistou seu primeiro pódio na F1.

Salo ainda conseguiu outro terceiro lugar em Monza durante suas participações pela Ferrari. Suas performances ajudaram a equipe a conquistar o Campeonato de Construtores e chamaram a atenção da Sauber, que o contratou para uma temporada completa em 2000.

Bottas: do pior momento da carreira ao “Bottas 2.0”

Valtteri Bottas teve uma recuperação de outro tipo. Depois de uma boa primeira temporada pela Mercedes, em 2017, o finlandês venceu pela primeira vez na Fórmula 1. Mas 2018 foi completamente diferente. Bottas não venceu nenhuma corrida e terminou apenas em quinto no campeonato, enquanto Lewis Hamilton conquistava seu sexto título mundial.

O momento foi tão difícil que Bottas revelou posteriormente ter considerado abandonar a Fórmula 1. Em vez disso, decidiu usar o inverno para se reconstruir. A resposta veio logo na primeira corrida de 2019. Na Austrália, Bottas largou ao lado de Hamilton e assumiu a liderança ainda na primeira curva. A partir daí, dominou a corrida e venceu com uma vantagem de aproximadamente 20 segundos.

No rádio, após cruzar a linha de chegada, surgiu o famoso “Bottas 2.0”, acompanhado de uma declaração direcionada às pessoas que haviam duvidado dele. A vitória marcou o início de sua melhor temporada na Fórmula 1. Bottas terminou 2019 como vice-campeão e venceu quatro corridas. Foi uma demonstração de que, às vezes, uma temporada ruim pode servir justamente como combustível para uma das melhores respostas possíveis.

Kevin Magnussen e Sergio Perez: retornos que mudaram suas carreiras

Kevin Magnussen também recebeu uma segunda oportunidade depois de ficar fora do grid. Após quatro temporadas pela Haas, o dinamarquês perdeu sua vaga para 2021. Passou um período competindo em outras categorias antes de receber uma ligação inesperada da própria Haas para retornar em 2022.

Sua volta não poderia ter começado melhor. No GP do Bahrein, Magnussen classificou-se em sétimo e terminou a corrida em quinto. A atuação levou Günther Steiner, então chefe da equipe, a definir o retorno como um “comeback viking”. Meses depois, Magnussen viveu outro momento inesquecível: conquistou a pole position para o GP de São Paulo.

Já Sergio Perez teve uma situação parecida antes de sua chegada à Red Bull. O mexicano perdeu sua vaga na Racing Point para Sebastian Vettel para a temporada de 2021. Com o futuro incerto, Perez precisava de uma grande atuação para mostrar que ainda merecia estar na Fórmula 1.

Ela veio no momento perfeito. No GP da Turquia de 2020, Perez terminou em segundo. Duas corridas depois, no Bahrein, protagonizou uma recuperação espetacular. Depois de cair para o fundo do pelotão após um incidente na primeira volta, o mexicano avançou pelo grid e conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1. A atuação foi decisiva para manter seu nome em evidência e acabou contribuindo para sua contratação pela Red Bull em 2021.

Tsunoda agora tenta escrever seu próprio capítulo

É justamente por essas histórias que o desempenho de Tsunoda em Zandvoort merece atenção. O japonês ainda não sabe se a participação pela Racing Bulls será suficiente para garantir uma nova oportunidade em tempo integral. Mas ele agora tem algo que não possuía antes daquele fim de semana: uma nova demonstração de que ainda pode competir em alto nível.

Hulkenberg transformou participações como substituto em um retorno definitivo. Sainz respondeu à incerteza com uma vitória. Prost voltou de um ano sabático para conquistar outro título. Salo aproveitou a chance na Ferrari. Bottas se reinventou. Magnussen e Perez também transformaram grandes atuações em novas oportunidades.

A Fórmula 1 é uma categoria na qual oportunidades podem aparecer quando menos se espera e também desaparecer rapidamente. Para Tsunoda, Zandvoort pode ter sido apenas uma corrida. Mas, olhando para o passado, também pode representar o início de um novo capítulo. 

Foto: (Reprodução/ Grande Prêmio)