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Automobilismo Fórmula 1

McLaren assusta Mercedes após sequência de vitórias, e especialista faz alerta para Monza

A Mercedes começou 2026 com uma vantagem que parecia difícil de ser alcançada, mas a situação mudou rapidamente nas últimas corridas. Depois de dominar o início da temporada, a equipe alemã viu a McLaren crescer de forma significativa e agora precisa descobrir se a recuperação de Lando Norris representa apenas uma fase ou o começo de uma ameaça real para o restante do campeonato.

O alerta foi feito por Alex Brundle, ex-piloto e comentarista da Fórmula 1. Para ele, a Mercedes pode ter um problema sério caso o desempenho apresentado pela McLaren no Grande Prêmio da Holanda se repita nas próximas etapas.

Norris venceu em Zandvoort pela segunda vez consecutiva, depois de também triunfar no Grande Prêmio da Hungria. Em ambas as corridas, o britânico contou com uma McLaren que apresentou evolução significativa após o pacote de atualizações introduzido pela equipe. Na Holanda, ele conseguiu superar Kimi Antonelli depois de perder a liderança no reinício da prova e terminou mais de 11 segundos à frente do piloto da Mercedes.

O resultado foi importante não apenas pelos pontos. A vitória mostrou que a McLaren agora consegue enfrentar a Mercedes diretamente em condições de corrida, algo que parecia improvável durante a primeira parte do campeonato. Antonelli, inclusive, reconheceu após Zandvoort que a Mercedes já não possui o carro mais rápido do grid. Segundo o líder do campeonato, a McLaren deu um grande salto de desempenho desde a atualização levada para a Hungria.

Monza será o primeiro grande teste para a McLaren

Apesar da força demonstrada em Hungaroring e Zandvoort, ainda existe uma dúvida importante: a McLaren é realmente mais rápida que a Mercedes ou simplesmente encontrou condições particularmente favoráveis nas últimas duas pistas?

Alex Brundle destacou que os próximos circuitos possuem características diferentes das duas etapas em que a McLaren conquistou suas últimas vitórias. Para ele, Monza será uma espécie de teste para determinar se a evolução do MCL40 pode ser transportada para outros tipos de pista.

O circuito italiano é conhecido por suas longas retas, altas velocidades e baixa carga aerodinâmica. Isso cria uma exigência diferente daquela encontrada em Zandvoort, onde o equilíbrio aerodinâmico e o desempenho em curvas de alta velocidade têm grande importância. A Mercedes, por sua vez, demonstrou grande força justamente em circuitos com características diferentes. Silverstone e Spa-Francorchamps foram exemplos de pistas em que a equipe alemã apresentou desempenho muito competitivo no início da temporada.

Por isso, Brundle acredita que ainda não é possível concluir que a McLaren passou definitivamente à frente. A pergunta que ficará para Monza é simples: a McLaren continuará sendo capaz de derrotar a Mercedes em um circuito completamente diferente?. Se a resposta for sim, a pressão sobre a equipe de Brackley aumentará consideravelmente.

Mercedes também prepara uma resposta

Apesar da ascensão da McLaren, a Mercedes não está parada. A equipe já trabalha em novas atualizações e pretende utilizar o restante da temporada para recuperar parte da vantagem perdida. A diferença é que a Mercedes adotou uma estratégia mais conservadora de desenvolvimento. No GP da Holanda, por exemplo, a equipe introduziu apenas uma modificação significativa na região dianteira do W17, enquanto McLaren e Ferrari levaram pacotes mais extensos. A McLaren apresentou mudanças na asa traseira, na carroceria central e no duto de freio traseiro.

O chefe da Mercedes, Toto Wolff, admitiu recentemente que a equipe não possui recursos financeiros para acompanhar imediatamente o ritmo de atualizações dos rivais. A equipe precisa distribuir o orçamento disponível ao longo da temporada e, por isso, não pode simplesmente reagir a cada pacote levado por McLaren ou Ferrari.

Essa estratégia ajuda a explicar por que a Mercedes pode parecer menos agressiva neste momento. A expectativa, porém, é que a equipe tenha novos desenvolvimentos mais adiante. Segundo Jolyon Palmer, outro ex-piloto e atual comentarista, a Mercedes estaria mirando principalmente o Grande Prêmio do Azerbaijão como uma oportunidade importante para apresentar sua próxima grande evolução.

Palmer considera que Monza pode até favorecer a Mercedes por suas características específicas, mas vê Baku como um momento mais significativo para avaliar o verdadeiro potencial da atualização alemã. Isso significa que a Mercedes pode estar disposta a aceitar alguma perda de desempenho no curto prazo enquanto prepara uma resposta maior.

Norris ganhou força, mas ainda está longe de Antonelli

O crescimento da McLaren também colocou Norris novamente no centro da disputa pelo campeonato. Depois de vencer duas corridas consecutivas, o atual campeão mundial reduziu significativamente sua desvantagem para Antonelli. Ainda assim, a distância permanece grande.

Antonelli lidera o campeonato com 242 pontos, enquanto Norris chegou a 159 após a vitória em Zandvoort. A diferença é de 83 pontos, com 11 etapas ainda pela frente. George Russell e Lewis Hamilton também estão à frente do piloto da McLaren, ambos com 183 pontos. Por isso, Palmer acredita que Mercedes e Antonelli ainda têm motivos para manter a tranquilidade.

O italiano vem mantendo uma regularidade importante ao longo da temporada e conseguiu terminar em segundo em Zandvoort mesmo depois de reconhecer que não teve um fim de semana perfeito. Ele também perdeu terreno para Norris durante a parte final da corrida, mas garantiu uma quantidade importante de pontos para continuar ampliando sua vantagem no campeonato.

Norris, por outro lado, precisa continuar vencendo. Duas vitórias consecutivas mudaram o cenário, mas não são suficientes para eliminar uma diferença de 83 pontos. Para transformar a recuperação em uma verdadeira disputa pelo título, o britânico precisará manter esse nível de desempenho e, ao mesmo tempo, contar com resultados menos favoráveis de Antonelli e dos dois pilotos da Mercedes.

“Motorista da temporada”: Palmer elogia Norris

Mesmo considerando improvável uma virada no campeonato neste momento, Palmer fez questão de destacar o desempenho de Norris. Para o ex-piloto, o britânico pode ser considerado o piloto da temporada até aqui. A avaliação leva em conta não apenas as duas vitórias recentes, mas também o fato de Norris ter conseguido extrair resultados muito fortes mesmo quando a McLaren não tinha um carro capaz de disputar regularmente na frente.

A situação mudou com as atualizações. A McLaren introduziu um pacote importante na Hungria e continuou evoluindo o carro para Zandvoort. No GP da Holanda, a equipe voltou a liderar a lista de atualizações ao lado da Ferrari, levando uma nova asa traseira, alterações na carroceria central e mudanças no sistema de freio traseiro.

O efeito foi imediato. Norris conquistou a pole em Zandvoort, venceu a corrida e conseguiu administrar a vantagem mesmo depois de Antonelli assumir a liderança no reinício. A McLaren também mostrou ritmo suficiente para que Norris abrisse mais de 11 segundos sobre o rival da Mercedes no final.

A questão agora é se esse desempenho pode ser repetido. Se a McLaren continuar próxima ou à frente da Mercedes em Monza, a narrativa do campeonato poderá mudar novamente. A equipe que começou o ano como referência absoluta terá de lidar com um rival que encontrou desempenho justamente quando a Mercedes reduziu o ritmo de desenvolvimento.

E existe outro fator importante: a própria Mercedes reconhece que perdeu parte da vantagem inicial. Antonelli afirmou que a equipe já não possui o carro mais rápido, enquanto Toto Wolff admitiu que as limitações orçamentárias dificultam uma reação imediata. Por isso, Monza pode representar mais do que apenas uma corrida.

Será o primeiro grande indicador de que a McLaren realmente mudou o equilíbrio de forças ou de que as vitórias em Hungaroring e Zandvoort foram potencializadas pelas características específicas desses circuitos. Se Norris voltar a vencer, ou pelo menos superar novamente os carros da Mercedes, o alerta de Alex Brundle ganhará ainda mais peso. A Mercedes não perderia apenas uma corrida: poderia estar diante de um rival que encontrou uma maneira consistente de transformar desenvolvimento em desempenho.

Por enquanto, Antonelli continua confortável na liderança e a Mercedes ainda controla os dois campeonatos. Mas a McLaren já não é apenas uma equipe tentando diminuir a diferença. Duas vitórias seguidas depois, Norris e a McLaren transformaram a disputa em um problema que a Mercedes não pode mais ignorar.

Foto: (Reprodução/ XPBImages)