O presidente do Corinthians, Augusto Melo, corre o risco de enfrentar um processo de impeachment devido a possíveis irregularidades na gestão, incluindo a rescisão do contrato com a PixBet e as controvérsias envolvendo o caso VaideBet. Embora o afastamento seja possível, o procedimento é complexo e exige a observância de um protocolo rigoroso no clube.
Romeu Tuma Jr., presidente do Conselho Deliberativo do Timão, explicou o que processo de impeachment no clube segue um protocolo extenso e só pode avançar se houver provas substanciais de violação estatutária por parte do presidente ou dos dois vices.
Enquanto você não tiver nada… Só existe duas possibilidades de alguém ser afastado. No caso de impeachment, três pessoas apenas correm risco: presidente e seus vices”.
Você vai afastar um dirigente eleito, você tem que aprovar um procedimento de impeachment, esse processo ser votado no Conselho, e aí, antes de ele ser julgado pela Assembleia Geral, fica afastado. Enquanto isso não acontecer, ninguém fica afastado”.
— afirmou Tuma Jr. em conversa com a imprensa após a reunião do Conselho Deliberativo na última segunda-feira.
Atualmente, não há uma acusação formal de impeachment contra Melo. Entretanto, ele e outros dirigentes corintianos foram convocados pela Comissão de Ética para prestar esclarecimentos sobre a gestão do clube.
Reunião do conselho e convocação para esclarecimentos
Na última segunda-feira (12), Augusto Melo acompanhou de perto a reunião do Conselho Deliberativo no Parque São Jorge, que durou três horas e foi marcada por momentos de tensão. Ao final, ele e mais seis dirigentes do Corinthians foram indicados para prestar esclarecimentos à Comissão de Ética.
Entre os convocados estão Armando Mendonça, segundo vice-presidente do clube; Rozallah Santoro, ex-diretor financeiro; Yun-Ki Lee, ex-diretor jurídico; Fernando Perino, ex-diretor adjunto do departamento jurídico; Marcelo Mariano, diretor administrativo; e Rubens Gomes, ex-diretor de futebol. Rubão inclusive prestou depoimento nesta semana à Polícia Civil de São Paulo no caso da VaideBet, e pontuou que o Corinthians vem sendo tomado pelo “crime organizado”, após ser demitido da direção corintiana no mês de maio.
Faço questão de responder e esclarecer tudo que me for perguntado na Comissão de Ética para deixar tudo às claras e finalizar esse tema. Que todos sejam julgados e que se cumpra o estatuto do clube”.
— declarou Augusto Melo em pronunciamento ao fim da reunião.
Nos próximos dias, a Comissão de Ética deve protocolar a intimação dos dirigentes para que prestem os esclarecimentos necessários. Caso sejam encontradas evidências de irregularidades, Melo terá a oportunidade de apresentar sua defesa, que será analisada pela Comissão de Ética antes de ser encaminhada ao Conselho Deliberativo.
Se o Conselho considerar as evidências substanciais, poderá convocar uma Reunião Extraordinária para discutir o impeachment. Nesse cenário, Augusto Melo teria uma nova oportunidade de se defender perante os 300 conselheiros do Corinthians.
As investigações estão focadas na rescisão do contrato com a PixBet e no caso VaideBet, que levantou suspeitas de irregularidades na intermediação do contrato. Até o momento, não há acusações formais contra Augusto Melo, Armando Mendonça ou qualquer outro dirigente, mas o andamento das investigações será determinante para o futuro da atual gestão no Alvinegro.
Vice-presidente cita impeachment de Augusto Melo como inevitável
Em julho deste ano, Armando Mendonça, segundo vice-presidente do Corinthians, declarou que o impeachment de Augusto Melo é uma questão de tempo, considerando as investigações sobre um possível esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o clube. As declarações foram feitas durante uma entrevista ao podcast Alambrado Alvinegro, onde Mendonça apontou a gravidade do caso VaideBet como fator decisivo para o afastamento do presidente.
Acho que é inevitável. Em decorrência da gravidade [do caso VaideBet], é inevitável. Acho que não precisa nem colher todos os depoimentos. Saindo o do Cassundé, é inevitável. É uma confissão”.

A Polícia Civil de São Paulo investiga supostas irregularidades no contrato de patrocínio da VaideBet com o Corinthians, intermediado pela empresa Rede Social Media Design Ltda, de propriedade de Alex Cassundé, um dos responsáveis pela campanha presidencial de Augusto Melo na eleição corintiana realizada no ano passado.
Além de considerar o impeachment de Augusto como algo inevitável, Armando Mendonça também relatou estar sofrendo o que chamou de “perseguição política boba” após entrar em rota de colisão com o então aliado. Segundo Mendonça, ele foi informado por um colaborador do clube que perderia sua credencial de vice-presidente na Neo Química Arena.
“Nós vivemos uma crise, um momento tão difícil dentro de campo. É uma preocupação tão besta. Eu recebi um comunicado de um dos colaboradores [do clube] falando o seguinte: ‘Eu recebi uma determinação que a partir do próximo jogo você não tem mais credencial de vice-presidente’ [na Neo Química Arena]. Ele [Augusto] não pode [fazer isso]. Tem a liturgia do cargo. Ele não entende a importância do vice-presidente. É o preço”.