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Futebol Libertadores

Corinthians vê eliminação provável escapar com atuação covarde; Confira

Corinthians teve tudo para avançar, mas não jogou como quem precisava vencer

O Corinthians chegou à Neo Química Arena com o cenário ideal para buscar uma vaga na semifinal da Libertadores. Mais de 47 mil torcedores estavam no estádio, os principais titulares haviam sido preservados no fim de semana e o empate por 1 a 1 na Argentina deixava a classificação completamente aberta.

Faltou ao time, porém, assumir a responsabilidade que a partida exigia.

O Estudiantes venceu por 1 a 0, marcou aos 41 minutos do segundo tempo e avançou. Memphis Depay ainda teve a oportunidade de levar o confronto aos pênaltis nos acréscimos, mas desperdiçou a cobrança.

O lance será lembrado por muito tempo, mas não pode servir como explicação para a eliminação. O Corinthians teve 90 minutos para construir a classificação e produziu muito pouco durante esse período.

A atuação foi covarde justamente porque o time não assumiu os riscos necessários para quem precisava vencer. Não faltou necessariamente esforço individual, mas faltou comportamento coletivo compatível com uma decisão dentro de casa.

A Arena fez sua parte, mas o Corinthians não transformou apoio em pressão

A torcida entregou o ambiente que o Corinthians precisava. O estádio estava cheio, o jogo era decisivo e o time tinha descansado seus principais jogadores para chegar inteiro à partida.

Mesmo assim, o Estudiantes conseguiu jogar durante boa parte do confronto sem sentir que estava diante de um adversário sufocante.

O Corinthians circulou a bola, tentou encontrar espaços, mas não conseguiu transformar posse em perigo. Memphis teve dificuldades para participar da construção, Garro pouco conseguiu influenciar o jogo e Kaio César foi uma das poucas alternativas para tentar quebrar a marcação individualmente.

O problema não era simplesmente criar muitas chances e desperdiçá-las. O Corinthians sequer conseguiu construir um volume ofensivo capaz de colocar o Estudiantes em situação constante de pressão.

Quando uma equipe precisa de um pênalti nos acréscimos para produzir sua principal oportunidade de sobrevivência, existe algo errado muito antes da cobrança.

Diniz também precisa responder pelo pouco futebol apresentado

Fernando Diniz não tem responsabilidade pelo pênalti perdido por Memphis, mas precisa explicar por que o Corinthians demorou tanto para assumir uma postura mais agressiva.

Durante a partida, o treinador cobrou que a equipe adiantasse a marcação e colocasse mais jogadores na área. A cobrança expôs uma questão básica: esse comportamento deveria ter aparecido naturalmente desde o início.

Diniz também demorou para mexer em uma equipe que não encontrava soluções. Quando o Estudiantes marcou, o Corinthians precisou correr contra o relógio para tentar fazer em poucos minutos aquilo que não havia conseguido construir durante praticamente toda a partida.

Isso não é apenas um problema de escalação ou substituição. É uma questão de funcionamento.

O Corinthians tem jogadores capazes de decidir, mas ainda não encontrou uma maneira consistente de colocá-los em condições de fazer isso. A ideia de jogo precisa produzir situações reais de gol, e não apenas circulação de bola.

Memphis perdeu o pênalti, mas a eliminação é coletiva

Memphis será inevitavelmente associado ao momento mais doloroso da eliminação. A cobrança nos acréscimos poderia ter levado o confronto para os pênaltis, e o atacante acabou isolando a bola.

Mas seria injusto colocar a queda inteira em suas costas.

Se Memphis tivesse marcado, o Corinthians ainda precisaria vencer a disputa por pênaltis. Mais importante: a equipe só chegou àquela situação porque não conseguiu resolver a partida durante os 90 minutos.

O holandês não poderia ser, ao mesmo tempo, responsável por criar as oportunidades, construir as jogadas e decidir sozinho uma partida em que o coletivo produziu tão pouco.

O pênalti virou a imagem da eliminação, mas o problema é muito maior.

O Corinthians tem Memphis, Garro, Carrillo e outros jogadores de qualidade. O que falta é fazer essas peças funcionarem juntas com mais frequência, em vez de esperar que uma individualidade apareça para salvar um time que não consegue controlar o jogo.

A Libertadores acabou, mas o problema do Corinthians continua

A eliminação para o Estudiantes acontece depois de uma sequência que já vinha colocando o Corinthians sob pressão. São cinco derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro, além da queda na Copa do Brasil. Agora, restou apenas o Brasileirão.

Isso aumenta o peso dos próximos jogos porque não existe mais uma competição para recuperar confiança ou mudar rapidamente o ambiente. O Corinthians terá de encontrar respostas justamente onde seus problemas mais apareceram.

E a situação também não permite uma reconstrução simples. O clube enfrenta dificuldades financeiras, limitações para contratar e um cenário administrativo que reduz a margem para buscar soluções imediatas no mercado.

Por isso, o time que está no elenco precisa entregar mais.

Diniz precisa encontrar respostas. Os jogadores precisam assumir mais responsabilidade coletiva. E o Corinthians precisa recuperar uma característica que desapareceu na partida mais importante de sua temporada: a capacidade de jogar com urgência quando a situação exige.

A eliminação pode entrar para a história como mais um trauma corintiano na Libertadores. O pênalti de Memphis certamente será a imagem mais lembrada. Mas o que deveria incomodar muito mais é o futebol apresentado antes dele.

O Corinthians teve a Arena, a torcida, os titulares descansados e uma classificação possível até o último lance. O que não teve foi uma atuação à altura da oportunidade. E, quando um time precisa de um pênalti nos acréscimos para finalmente parecer desesperado pela classificação, talvez o problema não esteja no último lance.

Está em todos os outros.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians/Divulgação