Na noite desta quarta-feira (28), no Morumbi, São Paulo e Atlético-MG se enfrentaram pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil, em um confronto que prometia emoção e disputas acirradas.
O Tricolor Paulista chegou a esta fase após eliminar o Goiás nas oitavas de final. No primeiro jogo, venceu por 2 a 0 em casa e, na volta, conseguiu um empate sem gols em Goiânia, garantindo a classificação. Já o Galo enfrentou o CRB e, após um empate por 2 a 2 fora de casa, garantiu a vaga com uma vitória convincente por 3 a 0 na Arena MRV.
O São Paulo vinha embalado por um triunfo por 2 a 1 sobre o Vitória pelo Brasileirão, partida na qual o técnico Luis Zubeldía optou por poupar alguns titulares. No entanto, o treinador escalou força máxima, mesmo sabendo que não estaria à beira do campo devido a uma suspensão. O time não pôde contar com Alan Franco, suspenso, e Ferreira, lesionado.
Para a defesa, Ferraresi e Sabino disputaram uma vaga, enquanto o setor ofensivo foi formado por Wellington Rato, Luciano, Lucas e Calleri. Rodrigo Nestor e o jovem William Gomes também foram considerados como opções para o ataque. O São Paulo foi a campo com Rafael; Rafinha, Arboleda, Sabino e Welington; Luiz Gustavo e Bobadilla; Wellington Rato, Luciano e Lucas; Calleri.
Do outro lado, o Atlético-MG entrou em campo em busca de redenção. Em um momento de pressão, sem vencer há quatro rodadas no Brasileirão, o time de Gabriel Milito viu na Copa do Brasil uma chance de recuperação. O treinador, no entanto, não pôde contar com Zaracho, lesionado, e Deyverson e Fausto Vera, que já haviam disputado a competição por outros clubes.
A boa notícia para o Galo foi o retorno de Hulk, que, após quase um mês afastado, voltou a ficar à disposição. Saravia e Alonso também foram relacionados e brigaram por vagas na defesa. Milito escalou a equipe mineira com: Éverson; Saravia, Battaglia, Júnior Alonso e Guilherme Arana; Otávio, Alan Franco, Gustavo Scarpa e Bernard; Paulinho e Hulk.
A partida foi marcada por um clima de luto. Os jogadores do São Paulo entraram em campo com o coração partido após a morte do jogador Juan Izquierdo, do Nacional-URU, que sofreu uma arritmia cardíaca durante um jogo no Morumbi pela Libertadores e, após complicações, faleceu no Hospital Albert Einstein na noite da última terça-feira.
A equipe tricolor e seus torcedores prestaram diversas homenagens a Izquierdo. No final de semana anterior, contra o Vitória, os jogadores do São Paulo entraram em campo com uma camisa azul, em alusão ao Uruguai, país natal do jogador, com a mensagem “Fuerza Izquierdo”. Tanto o clube quanto os jogadores e a torcida prestaram homenagens desde a chegada da delegação ao Morumbi, com fumaças coloridas e orações.
Muitas ações, mas nada de gol na primeira etapa
O primeiro tempo foi marcado por intensidade, equilíbrio e boas oportunidades para ambos os lados. Desde o apito inicial, o Tricolor deixou claro que jogava em casa. Logo aos 2 minutos, Rafinha mostrou sua visão de jogo ao interceptar um passe pelo lado direito do meio-campo. Ele avançou em velocidade, driblando adversários e, sem hesitar, arriscou um chute rasteiro de fora da área. A bola parecia destinada ao cantinho esquerdo, mas Éverson, bem posicionado, fez a defesa sem dar rebote, salvando o Galo de um início de jogo desfavorável.
O Atlético Mineiro não demorou a responder. Hulk, sempre perigoso, escapou de uma marcação dupla no meio-campo e, com um passe preciso, virou o jogo para Guilherme Arana na esquerda. Arana avançou com perigo e cruzou na área. O momento foi de tensão, pois Hulk e Gustavo Scarpa se preparavam para finalizar. No entanto, Sabino, atento e bem posicionado, afastou de cabeça, garantindo a segurança da defesa tricolor.
O São Paulo voltou a levar perigo aos 18 minutos, quando Wellington Rato deu um lindo drible em Alan Franco, abrindo espaço no meio de campo. Ele tabelou com Calleri e, com o pé direito, arriscou um chute cruzado de fora da área. A bola tinha endereço certo, mas Éverson, mais uma vez, brilhou ao se esticar no cantinho, realizando a primeira grande defesa do jogo e mantendo o placar inalterado.
Mas o Galo não se deixou abater. Na jogada seguinte, Hulk mostrou sua habilidade com um passe açucarado para Scarpa, que disparou em velocidade e ficou no mano a mano com Arboleda. O meia conseguiu abrir espaço e bateu de fora da área, mas o chute saiu sem força, facilitando a defesa de Rafael.
Aos 32 minutos, o São Paulo esteve muito próximo de abrir o placar. Wellington Rato, em um momento de inspiração, recebeu na direita e aproveitou o espaço gerado pela ultrapassagem de Rafinha para chutar do bico da área. Éverson, mais uma vez decisivo, espalmou no cantinho esquerdo. Na sequência, Calleri, em jogada individual, driblou Júnior Alonso na ponta direita e cruzou à meia altura. Luciano se jogou em direção à bola, mas a finalização foi por cima do gol, arrancando suspiros da torcida.
Nos minutos finais da primeira etapa, o Atlético teve sua chance. Hulk, com muita habilidade, girou em cima de Sabino e encontrou Paulinho pelo lado direito da área. O camisa 10 tentou a finalização, mas foi atrapalhado por Welington e, em seguida, dividiu com Arboleda. A bola, no entanto, tocou por último no atacante antes de sair pela linha de fundo.
Foi um primeiro tempo equilibrado, onde as duas equipes tentaram valorizar a posse de bola. O São Paulo apostou nos lances coletivos, principalmente através de Wellington Rato, que obrigou Éverson a realizar duas boas defesas. Já o Atlético-MG contou com a inspiração de Hulk, seu principal jogador, para criar as melhores oportunidades. O placar permaneceu inalterado, mas o jogo prometia fortes emoções na segunda etapa.
Battaglia marca no finalzinho e Atlético-MG vence o jogo
O segundo tempo começou com o Tricolor mostrando toda a sua disposição para buscar a vitória em casa. Logo aos 3 minutos, Lucas, sempre participativo, recebeu de Sabino, dominou girando e abriu na direita para Wellington Rato. O atacante, em sua jogada característica, avançou e chutou de canhota buscando o ângulo direito. A bola tinha endereço certo, mas Éverson, com uma defesa espetacular na ponta dos dedos, salvou o Galo. A arbitragem, porém, gerou polêmica ao marcar tiro de meta, errando ao não conceder o escanteio que parecia claro.
O Atlético Mineiro não demorou a responder. Aos 10 minutos, Hulk, em um lance de pura habilidade, girou entre dois marcadores e invadiu a área pela ponta direita. No momento exato do chute, foi desarmado por Lucas, que salvou o São Paulo mais uma vez, cedendo escanteio ao Galo. Na cobrança, Gustavo Scarpa bateu fechado, quase surpreendendo Rafael. Mas Calleri, atento, afastou de cabeça, afastando o perigo e garantindo a segurança da defesa tricolor.
Aos 18 minutos, Lucas recebeu na intermediária de costas para o gol, driblou o primeiro marcador e acabou derrubado por Otávio. O árbitro marcou falta perigosa para o São Paulo. Na cobrança, Lucas exagerou na força e mandou por cima do gol, sem oferecer risco para Éverson.
O Tricolor continuava a pressionar. Aos 22 minutos, Sabino se mandou para o ataque, abrindo o jogo com Rafinha na direita. O lateral cruzou na área, a bola passou por Luciano e depois por Calleri, saindo pela linha de fundo, em mais um lance perigoso para o São Paulo.
A pressão continuava. Aos 24 minutos, Luiz Gustavo arriscou um chute forte de fora da área, mas a bola subiu demais, passando por cima do gol de Éverson. O São Paulo tentava de todas as formas furar a defesa atleticana, mas o gol insistia em não sair.
Aos 34 minutos, um susto para a defesa tricolor: Rafinha tentou virar o jogo para Sabino, mas pegou mal na bola e carimbou Hulk. Para a sorte de Rafinha, a bola acabou sobrando para Sabino, evitando o que poderia ter sido uma jogada de perigo para o Galo.
O jogo continuava aberto e emocionante. Aos 36 minutos, Calleri buscou o contato com Júnior Alonso, recebeu pelo lado direito da área e soltou uma bomba. Éverson, atento, fechou bem o ângulo e fez outra grande defesa, mantendo o placar em branco.
Aos 43 minutos, o lance mais incrível do jogo. Rafinha cobrou falta para o lado esquerdo da área, Calleri ajeitou de cabeça, e Bobadilla finalizou em cima de Saravia. Na sobra, o paraguaio levantou na medida para Lucas, que, livre e de frente para o gol, testou para fora, perdendo uma chance inacreditável.
E o ditado “quem não faz, toma” se confirmou aos 45 minutos. Em cobrança de falta da intermediária, Gustavo Scarpa levantou com precisão para a segunda trave. Battaglia apareceu livre, nas costas de Arboleda, e testou cruzado para mandar a bola na bochecha da rede, abrindo o placar para o Atlético Mineiro. 1 a 0 para o Galo, um golpe duro para o Tricolor que vinha melhor no segundo tempo.
Nos acréscimos, ainda houve tempo para polêmica. Welington cobrou lateral para a grande área, Calleri desviou de cabeça, e a bola bateu na mão de Battaglia, que estava colada ao corpo do zagueiro. Os jogadores do São Paulo reclamaram de pênalti, mas o árbitro mandou seguir, para desespero dos tricolores.
Final de jogo e 1 a 0 muito importante para o Atlético em um duelo marcado por equilíbrio e oportunidades desperdiçadas pelo São Paulo. O Tricolor sai de campo com a sensação de que poderia ter conseguido um resultado melhor.
FT: São Paulo 0-1 Atlético-MG
Como ficam as equipes?
Com a vitória por 1×0 no Morumbi, o Galo sai na frente e leva um excelente resultado para o jogo de volta. A decisão será disputada na Arena MRV, no dia 12 de setembro, quinta-feira, às 21h45 (horário de Brasília).
Enquanto isso, as duas equipes voltam suas atenções para o Brasileirão no final de semana. O Atlético-MG enfrentará o Grêmio fora de casa, no domingo, às 16h (horário de Brasília). Mais tarde, às 18h30, o São Paulo terá pela frente o Fluminense, também jogando fora de seus domínios.