Mudanças no comando, dúvidas e inúmeras mudanças entre as convocações, são fatores que estagnaram a seleção brasileira no primeiro ano pós-Mundial do Catar, segundo o lateral-direito Danilo. Ele reforçou que o cenário atual do futebol de seleções tem sido mais organizado, e que muitos rivais têm deixado o Brasil para trás no quesito organização.
Capitão da equipe de Dorival Júnior, que vem buscando reformular o Brasil em 2024, depois de uma fase pouco criativa entre a passagem de Fernando Diniz e a “espera” por Carlo Ancelotti, Danilo afirmou que o planejamento da CBF tem deixado a desejar. O jogador declarou ter deixado isso claro inclusive para Ednaldo Rodrigues, presidente da entidade.
– Eu tenho uma posição bem clara em relação a isso. Separo por duas colunas: a primeira a da qualidade de jogadores, material humano e continuamos sendo os melhores do mundo. Estou há 12 temporadas no futebol europeu e tenho certeza do que estou falando. A matéria prima é das melhores do mundo. Mas tem uma coisa que evoluiu muito no mundo inteiro, que é organização, planejamento, observar o que vem pela frente, e nisso deixamos a desejar por algum tempo. Nos outros dois ciclos, mesmo tendo isso muito bem feito, não conseguimos vencer. Então, você pensa… Se fazendo isso tudo muito bem pensado, não conseguimos vencer.
Neste momento, estamos um passo atrás. Tivemos muita instabilidade, nomes, treinadores, estratégia, planos, jogadores, pensou um caminho de renovação ou não. Perdeu-se tempo em relação a isso e faz com que estejamos certamente um passo atrás das principais potencias. Tudo isso porque o nosso conjunto não está bem feito. Digo matéria prima, organização e planejamento. Agora, sim, com o Dorival desde março as coisas entraram por um caminho que tenho planejamento bem feito. Está claro que depois da Copa do Mundo perdemos tempo e isso faz com que estejamos um passo atrás.
Danilo opina sobre a vitória contra o Equador e desafio da Seleção contra o Paraguai
Após um período de oscilação nas Eliminatórias, acompanhado de uma eliminação para a Colômbia na Copa América, o Brasil se reencontrou com a vitória na última sexta, após bater o Equador por 1 a 0, no estádio Couto Pereira, em Curitiba. Sobre a recuperação brasileira, que encaminhou uma subida na classificação, com dez pontos ganhos em sete jogos, Danilo reforçou que o resultado auxilia na melhora do ambiente e facilita a superação dos problemas.
— Era muito importante o resultado, vínhamos de um mau humor, uma tristeza, pelo resultado não alcançado na Copa América. E também pela nossa posição na tabela de classificação das eliminatórias, era importante vencer, dar um sinal, subir posições na tabela. Quando se vence, é melhor para corrigir as coisas, o ambiente melhora, facilita superar os obstáculos. Esse é o caminho. Temos que jogar bem, somos conscientes disso, é o primeiro passo, mas quando se vence é mais fácil de corrigir.
Diante do desafio desta terça, a seleção do Paraguai fora de casa, o Brasil tenta fechar a Data Fifa de setembro com uma série positiva de duas vitórias, feito que não consegue desde setembro do ano passado, quando começou as Eliminatórias vencendo Bolívia e Peru. Há três jogos sem vencer, os paraguaios tentarão reagir diante da Amarelinha em casa, e segundo Danilo, terão a seu favor a defesa, que no último jogo garantiu um empate sem gols com o vice-líder do torneio Uruguai, em Montevidéu.
– É curioso que a expectativa aumenta. Todo mundo espera um tipo de jogo, uma exibição do Brasil, mas o Paraguai sempre foi uma equipe muito física. Jogo de eliminatórias, assim como de Libertadores, são muito especiais e com características diferentes do futebol europeu. É difícil ter andamento no jogo, é muito faltoso, há confronto entre os jogadores, o árbitro para… Então, é um jogo que muitas vezes não anda e isso prejudica o desempenho. Vencemos por 2 a 0 nas últimas eliminatórias e havia anos que o Brasil não vencia o Paraguai aqui.
É claro que a expectativa aumenta e temos que estar habituados a isso, mas os jogos são mesmo difíceis, independentemente do momento do Paraguai. É uma equipe que corre, que luta, vai estar na frente do torcedor e tenta se recuperar. Espero que a estratégia possa funcionar para que possamos dar fluidez no jogo. Acredito que vai ser um jogo muito difícil, muito truncado e com enfrentamento físico.
A seleção brasileira enfrenta o Paraguai no estádio Defensores del Chaco às 21h30 (de Brasília) desta terça-feira. Buscando a segunda vitória seguida sob o comando de Dorival Júnior, o Brasil é o quarto colocado das Eliminatórias com 10 pontos, estando a oito da líder Argentina, com 18 pontos.

