Léo Jardim, Palmeiras x Vasco, Brasileirão 2026. Foto: Anderson Romão/AGIF.
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Brasileirão: do 11º para baixo, torcedores já dependem mais da ruindade dos rivais do que da qualidade do próprio time

Com apenas um jogo a ser disputado, a 24ª rodada do Brasileirão de 2026 teve contornos curiosos, principalmente na luta contra o rebaixamento. Apenas um time da parte de baixo da tabela venceu: a Chapecoense. Foi a segunda vitória, no campeonato inteiro, da equipe, que se mostrou competente ao bater o São Paulo na Arena Condá, por 1 a 0.

Contudo, o triunfo do Verdão, juntamente com os reveses dos clubes na parte inferior da tabela, nos leva a concluir que, em uma situação de queda para a segunda divisão, as esperanças dos torcedores dos clubes do Z4 e daqueles que estão na iminência de entrar na zona dependem muito mais da inconstância dos adversários do que da própria qualidade do time.

Parece que muita gente que dar adeus a Série A do Brasileirão…

RB Bragantino x Grêmio, Brasileirão 2026. Foto: Fernando Roberto/Grêmio FBPA
RB Bragantino x Grêmio, Brasileirão 2026. Foto: Fernando Roberto/Grêmio FBPA

 

O Brasileirão de 2026 tem uma briga muito mais acirrada para evitar o descenso do que a conquista do título. Flamengo e Palmeiras estão numa corrida para ver quem fica com o título, porém, na outra ponta da tabela, há uma infinidade de possibilidades para ver quem não termina a rodada na zona de rebaixamento.

Nesta 24ª jornada da competição, Remo, Grêmio, São Paulo, Vitória e Vasco perderam, enquanto Mirassol, Santos e Internacional apenas empataram. Claro que suas exibições não encheram os olhos, mas o ponto é: está cada vez mais desafiador alimentar-se de expectativas em avanços técnicos, táticos e anímicos de tais times que estão na parte de baixo da tabela.

As esperanças dos torcedores recaem sobre os tropeços dos rivais. Por isso, palavras como “reação” estão cada vez menos assíduas nos vocabulários e frases como “ainda bem que o outro não venceu” ganham mais força.

Em termos de comparação, atualmente, do 19.º (Vasco) ao 13.º colocado (São Paulo), a distância é somente de cinco pontos. Bastam apenas duas rodadas para que a configuração do Z4 mude novamente.

Se essa base já não contextualiza o suficiente, basta apenas olhar as probabilidades de rebaixamento antes da 24ª rodada. Os dados da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já mostravam um cenário extremamente apertado: Vasco com 63,3% de risco de queda, Remo 57,4%, Internacional 43,7%, Mirassol 40,7%, Santos 32% e Grêmio 30%. São Paulo aparecia com 14,2%, Vitória com 8% e Coritiba com 4%.

As porcentagens, no momento em que esta matéria é publicada, já devem ter sofrido alterações, mas nos ajudam a entender a situação de cada um dos clubes.

Assim, chega-se ao denominador comum: não é necessário estar no Z-4 para estar realmente ameaçado. E, ao mesmo tempo, não basta estar em 11º ou 12º para considerar a temporada tranquila.

Chapecoense é a única que fez “bonito”

Chapecoense x São Paulo, Brasileirão 2026. Foto: Liamara Polli/AGIF
Chapecoense x São Paulo, Brasileirão 2026. Foto: Liamara Polli/AGIF

 

Mesmo praticamente rebaixada, mas não matematicamente, a Chapecoense é a única que se porta de forma digna. O Verdão da Oeste chegou à sua segunda vitória no torneio e pontuou em duas rodadas seguidas — algo praticamente inimaginável para quem está nessas condições.

A Chape conquistou 14 pontos, resultado de 2 vitórias, 8 empates e 13 derrotas até o momento. São 46 gols sofridos, sendo que, nesta 24ª rodada, a equipe não foi vazada. O clube vinha de uma sequência histórica de 21 partidas sem vencer, a maior série sem vitória da história do Brasileirão Série A dos pontos corridos. Antes do jogo contra o São Paulo, a única vitória da equipe no campeonato havia acontecido justamente na primeira rodada, contra o Santos.

Como que uma equipe, nestes contornos, consegue ter um grau maior de competitividade aparente do que sete times que estão perigando a entrar no Z-4?

A distância entre todos os candidatos é mínima. E, para piorar, a Chape conseguiu ganhar justamente um confronto contra um adversário que também está envolvido na luta contra o rebaixamento, já que agora o São Paulo está a três pontos do Z4.

Em tese, é esse o tipo de jogo que os clubes da parte inferior precisam começar a vencer; na prática, tal fato não é consumado.

A vitória sobre o São Paulo mostra que ainda é possível reagir, mas o contexto é tão ruim que até um triunfo não tira a equipe da lanterna. Para os demais, a questão é justamente essa: quem está esperando a queda de um rival precisa primeiro fazer a própria parte.

Créditos da foto de capa: Anderson Romão/AGIF