O lutador americano TJ Dillashaw, que conquistou o título dos pesos-galos do UFC em duas ocasiões, decidiu se aposentar em dezembro de 2022, aos 36 anos, depois de perder para Aljamain Sterling, então campeão da categoria. Dois anos após sua aposentadoria, Dillashaw, também conhecido como “Killashaw”, afirma que não pretende voltar ao octógono após esse período longe. Ele revela que sua decisão não é por falta de desejo, mas sim devido a um dano permanente em seu ombro esquerdo.
Durante a luta contra Sterling, ficou evidente que seu ombro esquerdo se deslocou no primeiro round, e ele tentou colocá-lo de volta no lugar. Posteriormente, Dillashaw admitiu que sofreu mais de 20 deslocamentos no ombro enquanto se preparava para a luta.
Depois de três cirurgias, o lutador ainda não conseguiu recuperar a mobilidade completa no local e, ao participar do podcast “The Casuals MMA” nesta semana, tentou levantar o braço esquerdo, mas fez uma expressão de dor ao chegar à metade do movimento.
– Infelizmente, está f***. Eu não consigo fazer isto (erguer o braço). Não dói, só não funciona. (…) Não consigo pentear o cabelo, é difícil de beber um copo d’água, então, resumindo, não, eu não vou voltar – afirmou TJ.
TJ Dillashaw no UFC
TJ Dillashaw foi campeão dos pesos-galos pela primeira vez em 2014, quando surpreendeu o público ao nocautear Renan Barão, mantendo o título no UFCaté 2016. Em 2017, recuperou o cinturão e manteve-o até 2019, quando foi despojado do título após um teste antidoping indicar o uso de EPO. Em uma recente entrevista, Dillashaw compartilhou que, entre 2016 e 2019, sofreu rupturas no manguito rotador de ambos os ombros, o que o levou a aproveitar o período de suspensão para realizar cirurgias corretivas.
Após a suspensão, TJ retornou ao octógono do UFC em julho de 2021, vencendo Cory Sandhagen e se posicionando novamente para disputar o cinturão, mas uma lesão no joelho o levou a outra cirurgia. Durante o processo de reabilitação, quando estava focado apenas na parte superior do corpo, começaram a surgir problemas no ombro esquerdo, que ele percebia estar mais fraco em comparação ao lado direito.
Após exames detalhados, foi diagnosticado com rupturas totais nos músculos supraespinhal e infraespinhal, dois dos quatro músculos que compõem o manguito rotador.
A situação se agravou durante os treinos para enfrentar Aljamain Sterling, quando seu ombro deslocou-se pela primeira vez durante uma sessão de manopla.
– Esquivei um golpe, joguei um gancho de esquerda forte no saco e meu ombro estalou, travou. Perdi toda minha rotação externa, não conseguia erguer meu braço muito, ficou muito ruim. Comecei a pensar. “F***, tenho 36 anos. Se eu operar, não vou receber uma luta pelo título quando voltar. Nem sei se vou voltar. F***-se, vou aceitar a luta.” – contou o lutador de UFC.
Após a luta, Dillashaw iniciou uma longa jornada de recuperação. Em novembro, poucas semanas depois do combate, ele passou pela primeira cirurgia, mas foi diagnosticado com uma falha crônica no manguito rotador. Em busca de uma solução, ele encontrou um especialista em Los Angeles, que realizou uma transferência de tendão do trapézio para tentar restaurar a função do ombro. Mesmo assim, a condição do ombro não melhorou, e uma nova lesão foi identificada, agora no músculo subescapular. Mais uma cirurgia foi realizada, desta vez envolvendo a retirada de uma porção do músculo latíssimo do dorso para reparar o subescapular. Apesar dos esforços, Dillashaw ainda não consegue levantar o ombro.
– Infelizmente estou nesta situação agora, em que terei que fazer a substituição do ombro, porque a cirurgia que ele fez e tudo que levou, está tudo certo, mas os nervos não estão funcionando, os músculos não estão contraindo da forma que deviam – se resignou Dillashaw.