Marcelo Oliveira
Futebol Brasileirão

Bicampeão brasileiro, Marcelo Oliveira admite aposentadoria como técnico e diz: “Pressão absurda para a saúde”

Um dos técnicos mais vitoriosos do século XXI no futebol brasileiro, Marcelo Oliveira não escondeu os motivos que o levaram a se afastar dos gramados após seu último trabalho, em 2020. Em entrevista ao ge, o agora ex-treinador, marcado por passagens de destaque em grandes clubes e títulos importantes, reconheceu que o desgaste físico e mental da profissão, lhe exigiram deixar a beira do gramado, depois de duas décadas de serviço.

Eu, como treinador, parei sim. Acho que é uma pressão absurda e acredito que depois de tantos anos passa até a fazer mal para a saúde”

— afirmou Marcelo Oliveira.

Aos 69 anos de idade, Marcelo ressaltou que a falta de convites, somada à própria decisão de reduzir o trabalho, foram determinantes para o final de sua carreira como treinador. O último trabalho foi na Ponte Preta, há quatro anos. No entanto, não lhe falta o desejo de iniciar um novo desafio em outra função do futebol, a de coordenador técnico, citando nomes do esporte que o inspiraram desde os tempos de jogador, entre as décadas de 1970 e 1980.

— Em algum momento, eu manifestei que estava diminuindo o ímpeto, o interesse de trabalhar com futebol, a não ser que fosse uma função diferente de coordenação, onde pudesse levar minha experiência armazenada para contribuir com algum clube, isso até já aconteceu, mas não foi tão interessante e resolvi não aceitar — disse.

— A pessoa que viveu o que vivi, trabalhei como atleta com excepcionais treinadores como Oswaldo Brandão, Telê Santana. Como técnico, trabalhei em grandes equipes, em Minas sou saudado e cumprimentado pelas duas torcidas, isso me orgulha muito, e trabalhei no Coritiba, Paraná, Fluminense, Palmeiras, são muitos anos de experiência que você armazena. Esse tipo de profissional, pessoa, pode contribuir em um clube dentro dessa função especifica — prosseguiu.

O legado de Marcelo Oliveira e suas conquistas

Aposentado como meio-campista em meados dos anos 1980, Marcelo Oliveira deu início ao vitorioso ciclo como técnico nos anos 2000, empilhando troféus expressivos e passagens históricas por grandes times do Brasil. Bicampeão paranaense (2011 e 2012) pelo Coritiba, ganhou destaque nacional ao conduzir um Coxa invicto por quase 30 partidas.

Em Minas Gerais, deixou legado ao comandar Atlético-MG e Cruzeiro, conquistando pela Raposa dois Brasileiros seguidos, em 2013 e 2014. No Palmeiras, em 2015, venceu a Copa do Brasil, iniciando um ciclo vitorioso do Verdão com a Crefisa, que perdura até os dias de hoje com seus sucessores.

— Como técnico, trabalhei em grandes equipes, aqui em Minas sou saudado e cumprimentado pelas duas torcidas, isso me orgulha muito. Depois que eu parei, andei viajando muito pelo Brasil como turista e sempre encontrei pessoas do Athletico e do Coritiba, que me agradeceram e me tratam muito bem. E sou eu que tenho que agradecer, porque o Coritiba foi onde eu alavanquei minha carreira. Dois títulos estaduais de forma invicta — falou o ex-treinador.

Marcelo Oliveira - Cruzeiro x Goiás - Campeonato Brasileiro (Foto: Gil Leonardi/LANCE!Press)
‘O Cruzeiro deu todas as condições que a gente precisava para chegar àquelas conquistas tão importantes’, disse o técnico sobre o bicampeonato brasileiro de 2013 e 2014 (Marcelo Oliveira – Cruzeiro x Goiás – Campeonato Brasileiro (Foto: Gil Leonardi/LANCE!Press)

O atual momento do futebol brasileiro

Além de enaltecer e ser enaltecido por seu legado, mesmo dando sua carreira como treinador de futebol por encerrada, Marcelo Oliveira também fez uma análise sobre o atual momento do Brasil no esporte, e destacou o trabalho realizado por equipes como Atlético-MG, Palmeiras, Flamengo e Internacional, além do Athletico-PR, mesmo estando no Z-4 do Brasileirão.

— Eu vejo o futebol brasileiro assim, tem quatro, cinco clubes que são bem administrados, tem uma condição melhor justamente porque as administrações são boas equilibradas, como Atlético Mineiro, Palmeiras, Flamengo, Internacional, o próprio Athletico-PR é muito bem administrado e se mantém, embora tecnicamente neste momento está em dificuldade, mas a gente sabe que pode recuperar — comentou.

— As outras equipes vão seguir com dificuldade, porque os melhores jogadores do Brasil que se revelam são vendidos para fora, porque os clubes precisam vender para fazer caixa e, com raras exceções, as categorias de base, a formação dos jogadores é muito ruim, tirando 10 clubes que fazem isso muito bem, que têm interesse nesse ativo. As equipes que estão bem administradas, que são SAFs, ou que são de donas, tendem a liderar o Campeonato Brasileiro e todas as competições nos próximos anos — concluiu.