Atlético-MG
Futebol Copa Sul-Americana

Atlético-MG transforma desespero em combustível e reencontra força que parecia perdida

O Atlético precisava de uma resposta e encontrou muito mais

O Atlético-MG chegou à Arena MRV pressionado por todos os lados.

A derrota por 2 a 0 para o Santos na Vila Belmiro havia deixado o time à beira da eliminação na Sul-Americana, enquanto a campanha irregular no Brasileirão aumentava a cobrança sobre Eduardo Domínguez. Não havia espaço para administrar a noite. O Galo precisava atacar a decisão desde o primeiro minuto.

E fez exatamente isso.

O gol de Bernard aos 17 segundos não apenas diminuiu a desvantagem. Mudou o ambiente da partida. O Atlético passou a jogar com a intensidade que a situação exigia, empurrou o Santos para trás e construiu uma das atuações mais fortes da temporada no primeiro tempo.

Depois, quando a partida ficou caótica, o time encontrou forças para continuar acreditando. A vitória por 4 a 2 no tempo normal levou a decisão para os pênaltis. Gabriel Delfim defendeu três cobranças e colocou o Galo na semifinal.

Mas a classificação representa mais do que uma vaga. Ela mostra que o Atlético-MG encontrou, justamente no momento em que parecia mais pressionado, uma força que vinha procurando havia meses.

O primeiro tempo mostrou o Atlético-MG que Domínguez queria

A grande diferença em relação ao jogo de ida foi a postura. Na Vila Belmiro, o Atlético teve uma atuação abaixo do que precisava e voltou para Belo Horizonte obrigado a buscar uma reação. Na Arena MRV, a equipe não esperou o Santos cometer erros.

Foi buscar o jogo. A pressão começou imediatamente, e o gol de Bernard logo no primeiro ataque deu ao Atlético aquilo que uma equipe em situação tão complicada precisava: convicção.

Reinier também apareceu em um dos melhores momentos desde sua chegada ao clube. O meia marcou duas vezes e teve participação direta na reação atleticana, enquanto Cuello voltou a ser decisivo ao marcar o quarto gol nos acréscimos.

Mais importante do que os nomes, porém, foi o comportamento coletivo.

O Atlético-MG pressionou a saída, ganhou disputas, ocupou o campo ofensivo e fez o Santos jogar longe da própria área. Domínguez havia dito depois do jogo de ida que o time precisava mostrar outra cara.

Mostrou. E talvez essa seja a maior notícia para o treinador.

O desespero virou combustível em vez de peso

Existe uma diferença entre jogar pressionado e jogar com medo. O Atlético tinha todos os motivos para sentir o peso da situação. Precisava marcar pelo menos dois gols para levar a decisão ao empate no agregado e não poderia sofrer outro golpe cedo.

Mesmo assim, a equipe transformou a necessidade em combustível. Esse comportamento foi fundamental para a classificação.

Quando o Santos conseguiu marcar em um lance de bola parada e diminuir o ímpeto do Galo, o time não abandonou o plano. Quando Gabigol voltou a marcar e colocou novamente o Atlético-MG diante da possibilidade de eliminação, a equipe continuou procurando o gol.

E encontrou.

O lançamento de Castaño para Cuello, já nos acréscimos, levou o jogo aos pênaltis. Foi o tipo de lance que resume a noite: o Atlético não aceitou que a partida terminasse antes de tentar mais uma vez.

Esse espírito competitivo havia aparecido poucas vezes com tamanha força durante a temporada. Na quarta-feira, apareceu quando mais importava.

Reinier, Cuello e Delfim transformaram pressão em protagonismo

A classificação também ajuda a entender como algumas decisões recentes começaram a produzir respostas. Reinier vinha de um período complicado. O meia ainda buscava conquistar espaço e confiança junto à torcida, mas já havia marcado contra o Vitória e depois balançou as redes novamente diante do Fluminense. Contra o Santos, fez dois gols em uma atuação que muda completamente sua relação com o momento do clube.

Cuello também voltou a aparecer. O argentino participou do jogo contra o Fluminense e foi decisivo novamente na Sul-Americana, mostrando que o Atlético-MG possui jogadores capazes de produzir soluções individuais quando o coletivo precisa delas.

Mas nenhum nome representa melhor a classificação do que Gabriel Delfim. Reserva de Everson, o goleiro assumiu uma responsabilidade enorme depois de o jogo chegar aos pênaltis. Defendeu três cobranças e foi o personagem definitivo da noite.

O Atlético precisou de protagonistas. Encontrou vários.

A classificação não apaga os problemas, mas muda o ambiente

Seria um erro transformar uma noite extraordinária em prova de que todos os problemas do Atlético desapareceram. Eles continuam existindo.

O segundo tempo mostrou que a equipe ainda pode perder controle, sofrer com espaços e permitir que um jogo praticamente encaminhado volte a ficar perigoso. Lyanco, por exemplo, teve participação negativa nos dois gols santistas, segundo a análise das atuações.

Esse é justamente o próximo desafio de Domínguez.

A classificação mostrou que o Atlético-MG consegue competir quando a urgência é máxima. Agora, precisa aprender a apresentar essa intensidade sem depender de uma situação-limite para encontrar concentração e agressividade.

Porque não haverá uma desvantagem de 2 a 0 em todos os jogos. A evolução verdadeira será fazer parte do que apareceu contra o Santos se tornar comportamento habitual.

O Galo reencontrou uma força que parecia perdida

A temporada ainda não está resolvida. O Atlético continua precisando melhorar no Campeonato Brasileiro e ainda terá uma semifinal de Sul-Americana pela frente. O adversário sairá do confronto entre Montevideo City Torque e Cienciano.

Mas alguma coisa mudou na Arena MRV.

O Atlético entrou em campo precisando provar que ainda acreditava. Saiu dele com uma classificação que devolve confiança, fortalece o trabalho de Domínguez e mostra que o elenco possui respostas que, em alguns momentos da temporada, pareciam escondidas.

A maior vitória talvez não esteja apenas no placar. Está na maneira como o time reagiu quando tudo parecia perdido. O Atlético-MG transformou a pressão em energia, a desvantagem em motivação e a necessidade em coragem para atacar.

Agora, o desafio é não deixar essa força morrer junto com a adrenalina de uma noite histórica. Porque o Galo não precisa passar por outra situação de desespero para jogar com essa intensidade. Precisa aprender a transformar o que aconteceu contra o Santos em identidade.

E, se conseguir fazer isso, a classificação desta quarta-feira pode ter sido muito mais do que uma vaga na semifinal. Pode ter sido o ponto em que uma temporada que parecia escapar começou, finalmente, a encontrar outro caminho.

Foto: Pedro Souza / Atlético / Divulgação