AD Fafe, Portugal, PCC
Futebol Outras ligas

PCC estaria usando clube da 3ª divisão de Portugal para lavar dinheiro e pretendia adquirir mais SAFs, afirma jornal

Foi revelado no último domingo (17) através de um jornal de Portugal que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) estaria presente na administração de um time do país, pertencente à terceira divisão local. Segundo o jornal “Público”, em matéria divulgada no Brasil pelo jornal O GLOBO, a Associação Desportiva de Fafe, clube da cidade pertencente ao distrito de Braga, foi denunciada à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) como suposta propriedade de membros do cartel, que usam a equipe para a prática de lavagem de dinheiro.

Além do Fafe, que já é investigado pela federação local como time da organização criminosa brasileira, outros clubes foram citados na reportagem do jornal “Público”, porém, que se recusaram a vender ações ao PCC, o qual teria ofertado uma espécie de Sociedade Anônima Desportiva (SAD), semelhante às SAFs. Varzim, Felgueiras e Vilaverdense, foram abordados por representantes da facção do Brasil, que tem como um dos investigados no caso um membro, preso em 2010 em uma tentativa de assalto ao Banco do Brasil, na Bahia, e o empresário e agentes de jogadores Ulisses Jorge, figura central em reuniões da AD Fafe.

No início desta semana, logo depois da denúncia ser apresentada à público pelo jornal português e repassada para a imprensa brasileira, Ulisses se pronunciou por meio de nota divulgada nas redes sociais da empresa que leva o seu nome, declarando que a reportagem se baseou numa informação falsa e leviana sobre a atuação dele no Fafe, que repostou a mensagem enfatizando confiar na inocência do empresário.

A empresa assegura que ‘não é verdadeira e é leviana a informação na qual a reportagem se baseia, de que o empresário Ulisses Jorge, CEO da UJ Football Talent, seria suspeito de gerir qualquer tipo de esquema ilegal’.”

— declarou nota da UJ Football Talent, em seu perfil oficial no Instagram.

PCC estaria utilizando Portugal como “porta de entrada” para crimes, afirma secretário de Segurança de SP

De acordo com um relatório do Serviço de Informações de Segurança de Portugal, emitido ainda no ano passado, a ação do PCC no país já estaria se proliferando antes mesmo da denúncia de sua presença no futebol realizada no último domingo, com cerca de 1000 integrantes da facção paulista atuando em solo lusitano. O assunto chegou a comentado em outubro deste ano pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, que afirmou que “Portugal estaria sendo uma porta de entrada para distribuição de drogas do cartel na Europa“.

Atrás de euros, PCC quer lavar dinheiro do crime na Europa, a começar por Portugal. No Brasil, os criminosos são muito violentos, e, na Europa, onde desenvolvem uma atividade de lavagem de dinheiro, com testas de ferro”

— disse Derrite.
Ainda de acordo com o “Público”, o Fafe já estaria sendo usado pelos empresários, com transferências de jogadores para lavagem de dinheiro. No entanto, eles ainda não estão de forma oficial no capital do clube. As investigações da FPF serão abertas apenas na próxima reunião do Conselho de Disciplina, mas já foram anunciadas.