Bahia x Remo
Futebol Brasileirão

Bahia vence o Remo, entra no G4 e mostra que ainda precisa aprender a matar os jogos

Bahia mostra força, mas deixa escapar uma chance de construir uma vitória tranquila

O Bahia venceu o Remo por 2 a 1 na Fonte Nova, chegou aos 46 pontos e terminou a 27ª rodada dentro do G4 do Brasileirão. O resultado confirma a força de um time que já vinha de 10 partidas sem perder na competição e que agora transforma a boa fase em uma posição ainda mais relevante na disputa pelas primeiras colocações.

Mas, se o resultado merece ser valorizado, a atuação também precisa ser analisada com um pouco mais de cuidado. O Bahia fez um primeiro tempo muito superior, criou oportunidades suficientes para construir uma vantagem maior e, por vários momentos, deu a impressão de que venceria o Remo sem grandes sustos. Só que não matou o jogo quando teve a oportunidade e acabou permitindo uma reação que tornou os minutos finais muito mais complicados do que deveriam.

Esse é, talvez, o principal ponto a ser observado na partida. O Bahia tem futebol para brigar na parte de cima da tabela, mas ainda precisa transformar domínio em controle durante os 90 minutos.

Primeiro tempo teve o Bahia que Rogério Ceni quer

A primeira etapa foi bastante positiva para o Tricolor. O time ocupou o campo ofensivo, circulou a bola com qualidade e conseguiu encontrar espaços principalmente quando acelerava a jogada depois de recuperar a posse.

Rodrigo Nestor foi um dos jogadores que mais apareceu nesse cenário. O meio-campista finalizou com perigo, obrigou Marcelo Rangel a trabalhar e participou de uma equipe que conseguiu manter o Remo longe de sua área durante boa parte do período.

O gol saiu aos 19 minutos, quando uma falha defensiva do Remo abriu espaço para Cristian Olivera cruzar e Jean Lucas completar para as redes. A vantagem era justa, mas poderia ter sido maior.

O Bahia acertou a trave com Erick Pulga, teve Alejo Véliz cabeceando para fora e criou outras oportunidades em que Rangel apareceu bem. Luciano Juba também levou perigo em cobrança de falta, enquanto Marcos Victor parou em mais uma defesa do goleiro adversário no rebote.

Ou seja: não foi uma superioridade baseada apenas em posse de bola ou controle territorial. O Bahia efetivamente criou situações para ampliar.

E é justamente por isso que fica a sensação de que faltou eficiência. Quando um time produz tanto diante de um adversário que tem dificuldades para sair de trás, deixar o placar em apenas 1 a 0 significa manter o jogo aberto desnecessariamente.

Mudanças do Remo alteram completamente o cenário

O intervalo trouxe uma mudança importante. Léo Condé fez três alterações de uma vez e o Remo voltou muito mais agressivo. José Welison passou a aparecer mais no ataque, Vitor Bueno ganhou liberdade para finalizar e Gabriel Taliari começou a incomodar a defesa baiana.

O Bahia ainda encontrou espaços para atacar, mas já não tinha a mesma intensidade da primeira etapa. O Tricolor chegou a marcar novamente com Kanu após uma cobrança de falta, mas o gol foi anulado por impedimento.

A partir daí, o jogo começou a ficar mais desconfortável.

O Remo passou a finalizar de fora da área, buscar mais bolas aéreas e aproveitar as cobranças de escanteio. Ronaldo precisou trabalhar, Vitor Bueno teve novas oportunidades e Zé Ivaldo chegou a cabecear com perigo. Marlon também apareceu em condição para finalizar.

A diferença não estava apenas nas chances criadas. O Bahia havia perdido parte do controle territorial que tinha no primeiro tempo e passou a permitir que o adversário acreditasse no empate.

Isso não apaga o mérito da vitória, mas é um alerta importante. Contra o Remo, uma equipe que chegou à Fonte Nova pressionada e lutando contra o rebaixamento, o Bahia mostrou que ainda pode sofrer quando deixa de pressionar e recua demais.

Pênaltis definem a reta final de um jogo que parecia resolvido

Quando a partida caminhava para uma reta final perigosa, o Bahia conseguiu o lance que precisava. Aos 43 minutos do segundo tempo, Matheus Felipe cometeu falta em Alejo Véliz dentro da área, e Luciano Juba converteu o pênalti para fazer 2 a 0.

Naquele momento, parecia que a vitória estava encaminhada.

Só que o Remo respondeu praticamente de imediato. Aos 48 minutos, Everton Ribeiro atingiu o pé de apoio de Gabriel Taliari dentro da área, e Vitor Bueno cobrou o pênalti para diminuir.

O 2 a 1 recolocou tensão na partida justamente porque o Bahia havia permitido que um jogo no qual foi superior em boa parte do tempo chegasse aos acréscimos completamente aberto.

Ainda assim, há mérito em saber resistir. O Bahia não entrou em desespero, segurou a pressão nos minutos finais e confirmou uma vitória que o coloca no G4 e reforça sua condição de candidato a uma vaga na Libertadores.

O Bahia já tem nível de G4, mas precisa evoluir no controle

A principal conclusão da partida é positiva, mas não pode ignorar o alerta.

O Bahia não chegou aos 46 pontos por acaso. A equipe vive sua maior sequência invicta no Brasileirão desde o início dos pontos corridos e vem mostrando capacidade para competir contra diferentes adversários. Antes do duelo com o Remo, inclusive, havia vencido o Red Bull Bragantino por 3 a 2 fora de casa, resultado que manteve o time entre os primeiros colocados.

O que falta agora é dar um passo adiante.

Um time que pretende permanecer no G4 precisa saber reconhecer quando tem o jogo nas mãos e transformá-lo em uma vitória sem sustos. Contra o Remo, o Bahia teve essa oportunidade. Criou no primeiro tempo, poderia ter ampliado e teve momentos para controlar melhor a partida depois do intervalo. Não conseguiu.

Contra adversários mais qualificados, esse tipo de oscilação pode ter um preço muito maior.

Por enquanto, porém, o saldo é bastante positivo. O Bahia venceu, chegou aos 46 pontos, entrou no G4 e ampliou uma sequência que mostra consistência. Mais importante do que simplesmente estar entre os quatro primeiros é perceber que o time de Rogério Ceni já construiu argumentos para permanecer nessa briga.

A vitória sobre o Remo, portanto, vale como confirmação e também como aviso. O Bahia já aprendeu a competir na parte de cima da tabela. Agora precisa aprender a fechar os jogos com a mesma autoridade com que, muitas vezes, começa a construí-los.

Foto: Catarina Brandão/EC Bahia / Divulgação