Há exatos cinco anos, a América era pintada de vermelho e preto com a conquista da Libertadores pelo Flamengo. Com dois gols de Gabigol, em um intervalo de menos de quatro minutos e uma virada nos minutos finais, o bicampeonato continental era consolidado. Os jogadores do Fla que estavam em campo puderam revelar o sentimento após o acontecimento memorável.
O “raio que caiu duas vezes no mesmo dia” pôde levar uma nação inteira ao delírio e atletas como Filipe Luís, Willian Arão e até o treinador Jorge Jesus deram os seus depoimentos sobre a grande final.
Filipe Luís afirma que estava nervoso no dia pois representava muito para a carreira
O primeiro foi o Filipe Luís, atual técnico do Flamengo, mas que naquele ano estava em campo como jogador. O lateral esquerdo comentou que não fez uma boa partida, e atribuiu essa autocrítica ao fato de estar muito nervoso.
“A noite anterior em Lima foi a primeira vez na minha carreira que significava demais o título, mais do que o normal. Meu sonho sempre foi ganhar a Champions, sempre foi esse na minha carreira como jogador. Eu não consegui ganhar a Champions, só que o fato de poder conseguir ganhar uma Libertadores com o clube do meu coração significava demais para mim” iniciou o ex-jogador.
“Eu não consegui separar a emoção da razão nesse dia, mas conseguimos a vitória. Como equipe, e eu sou parte dessa história e sou muito grato pela oportunidade que me deram de estar aqui nesse momento. De fazer parte desse grupo vitorioso, mas como falei não gosto de falar do passado. Prefiro estar em outra função e poder fazer outra história. Tentar conquistar outro título e dar alegrias de novo e sentir essa conexão e essa comunhão com a torcida. É inesquecível, então eu estou aqui hoje em busca desse grande objetivo”, completou.
Willian Arão revela que a ansiedade tomou conta dos jogadores
Peça fundamental do esquema de Jorge Jesus, Arão disse que o gol rubro-negro era apenas uma questão de tempo. O Flamengo começou atrás do placar, com o Borré inaugurando o marcador no primeiro tempo. Mas, após o intervalo, a equipe carioca colocou a cabeça no lugar e conseguiu a virada.
“Eu estava muito emocionado, porque, quando eu fui substituído (aos 40 minutos do segundo tempo), eu não acreditava. A sensação que eu tinha dentro do campo era que a gente ia fazer um gol e virar o jogo, porque a gente estava jogando bem. Começamos a dominar o jogo, só que vai passando o tempo, você vai ficando mais nervoso, aquela ansiedade, mais de 70% do estádio era flamenguista, então vai passando o tempo e você sente aquela aflição. O jogador sente, todo mundo tenso, e você fala que não é possível que isso vai acontecer, não é possível. Estávamos jogando bem, tivemos outras chances antes do gol” comentou o volante.
Arão lembra o que aconteceu na virada. “Eu fui abraçar (no momento da virada) o Mister (Jorge Jesus) e ele: “chama o Piris, chama o Piris (da Motta)”, porque ele só deixou a linha de quatro para falar a verdade. A última linha de quatro. Me tirou, eu era o primeiro volante, tirou o Gerson, que era o segundo volante, colocou o time todo para frente. E “chama o Piris que a gente precisa fechar o meio”, a cabeça do Mister estava no jogo. E eu já estava ali celebrando e abraçando meus companheiros, porque se acontece o 2 a 1…”, iniciou.
“A gente já tinha a sensação de que no 1 a 1 a gente ia virar, o time do River estava cansado. E na prorrogação a gente ia fazer o segundo gol, porque eles estavam acabados. Tínhamos um ritmo de jogo muito forte, e muitas partidas naquele ano ganhamos no segundo tempo. No primeiro tempo eles tinham fôlego para acompanhar a gente, mas no segundo tempo cansaram. Tínhamos uma capacidade física e uma maneira de nos impor que sufocava o adversário. E depois foi só choro mesmo”, finalizou Arão.
Jorge Jesus: o portuga responsável por comandar o time naquele 23 de novembro de 2019.
O popularmente chamado de “Mister” trouxe pra entrevista que este será um dia inesquecível na carreira como treinador. “Amigo, nunca vou esquecer o dia 23 de novembro. Obrigado, abraço!”, celebrou o atual treinador do Al-Hilal.
Naquele dia de 2019, o Flamengo colocou o seu segundo troféu continental em sua prateleira. Três anos depois, em 2022, a equipe conquistou pela terceira vez a América e entrou para a história ao lado de Palmeiras, Santos, São Paulo e Grêmio como os times brasileiros com mais títulos da competição apelidada de ‘Glória Eterna’.
Um momento único na memória dos torcedores do Mengão, e que muitos o consideram o melhor dia de suas vidas. Atualmente, o rubro-negro entra novamente na Libertadores, em 2025, em busca do tetracampeonato.
(Foto: Alexandre Vidal / CRF)