O futebol brasileiro foi coroado com a consagração de Vini Jr. como o The Best da Fifa após uma contestada e surpreendente derrota para Rodri em outubro passado, na premiação da Bola de Ouro pela revista France Football. Com isso, além de se tornar o primeiro atleta do país nascido nos anos 2000 a conquistar o prêmio, e também se juntar a nomes como Romário, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká, Vini abre o leque para que o Brasil apresente ao mundo novos jogadores que podem despontar brevemente no cenário internacional, assim como fez na temporada 2023/24 pelo Real Madrid.
Pertencentes a uma geração de profissionais ainda contestados na Seleção, porém, tendo contato com um futebol de alto nível em seus respectivos clubes, Endrick, Estêvão e Raphinha assim como qualquer atleta, enfrentaram e enfrentam altos e baixos para se consolidar. Contudo, são nomes os quais devem ser observados com toda minuciosidade para o futuro do esporte brasileiro, que a partir da eleição de Vini como The Best pela Fifa, recebe um grande incentivo de olho em objetivos ainda maiores, como a Copa do Mundo de 2026. Saiba a seguir como o trio se encontra e em breve pode trazer mais conquistas importantes para o nosso país por meio de seus notáveis talentos.
Endrick, um craque adormecido no Real Madrid
Quando falamos de Endrick, logo podemos mencionar a sua meteórica passagem pelo Palmeiras, na qual despontou para o profissional com apenas 16 anos e deixou o clube com um total de 21 gols em 82 partidas. O sucesso foi tanto que o jovem logo atraiu a atenção da Europa e foi negociado ainda em 2022 com o Real Madrid, da Espanha, por cerca de R$ 411 milhões, e o levou no ano seguinte a estrear na Seleção Brasileira principal com Fernando Diniz e Dorival Júnior.
A chegada ao Real na metade de 2024, entretanto, após ser muito comemorada e cercada de expectativas em torno de seu desempenho, ainda não apresentou o resultado que boa parte dos críticos esperam acontecer de imediato. Por estar em um elenco rodeado de estrelas como os compatriotas Rodrygo, o próprio Vinicius, o francês Mbappé e o turco Arda Güller, o centroavante vem recebendo poucas oportunidades de Carlo Ancelotti, mesmo que tenha provado recentemente que tem chances de jogar na equipe.
Como atual campeão, os merengues tentam se reencontrar e retomar o caminho das glórias, bem como Endrick, que podemos considerar como um craque adormecido, e que vive um cenário semelhante ao de Vini quando chegou do Brasil. O camisa 7 precisou enfrentar uma disputa de posição com Karim Benzema e chegou a atuar pela equipe B enquanto não recebia oportunidades no grupo principal, até se consagrar de forma definitiva ao conduzir os galáticos na 12ª conquista da Liga dos Campeões e do Campeonato Espanhol em 23/24.
Tais situações motivam o jovem a conquistar a confiança de Ancelotti e mostrar para Dorival o porquê ele também merece estar na Seleção que luta por um Mundial em 2026. Talento Endrick possui de sobra, só lhe resta obter chances cruciais de apresentar seu futebol para o planeta, bem como seu colega, que “bailou” rumo ao ápice conquistado com todos os méritos nessa terça.

Estêvão, o francano que conquistou o Brasil e o Chelsea
Celeiro de jovens destaques, o Palmeiras de Abel Ferreira não parou em Endrick, e trouxe para o cenário profissional o menino Estêvão William, de 17 anos, natural de Franca, interior de São Paulo. Radicado inicialmente no Cruzeiro, o Verdão trouxe o ponta para a base em 2021, dando-lhe uma chance de atuar no principal ao fim de 2023, justamente com o objetivo de preencher um espaço que futuramente seria deixado pelo então xodó, negociado com o futebol espanhol.
Oficialmente integrado ao elenco alviverde em 2024, Estêvão passou por um ano de altos e baixos, começando pela conquista do Paulistão no primeiro semestre, e a sua rápida contratação pelo Chelsea, da Inglaterra, por R$ 358 milhões. O momento ruim ocorreu quando figurava na liderança da artilharia do Brasileirão desse ano e precisou desfalcar o Palmeiras por uma lesão, que o fez ser superado por Alerrandro, do Vitória, e Yuri Alberto, do Corinthians, encerrando o torneio com 13 gols.
Mesmo tendo sido desbancado na artilharia do Brasileiro, os treze tentos no campeonato foram determinantes para colocá-lo numa vitrine de craques que podem alçar voos mais altos no futebol, como por exemplo com a possibilidade de atuar no Super Mundial de Clubes de 2025 ainda pelo Palmeiras, antes de se transferir para o Chelsea. Tal fato na liga doméstica o fez superar Neymar, como o jogador mais jovem a participar de tentos marcados em um número de jogos numa edição de Brasileiro aos 17 anos, onde contribuiu também com 9 assistências, e por pouco não ajudou o Verdão a conquistar um terceiro nacional consecutivo.
O Mundial deste e a transferência para os Blues em seguida, quando completar a maioridade necessária para desembarcar em solo europeu, darão uma visibilidade ainda maior para que Estêvão ocupe um lugar ainda maior do que aquele já conquistou, pois assim como Endrick, já foi chamado para a Seleção Brasileira principal, mas ainda não viveu o ápice como muita gente ansiosamente espera testemunhar. O ano de 2025 haverá de ser uma “prova de fogo” para o jovem atacante brilhar aqui e lá fora, se posicionando como um franco candidato em futuras edições do The Best e da Bola de Ouro.

Raphinha, o auge no Barcelona e o bom momento na Seleção
Jogador mais velho do trio que desponta para alcançar ainda mais destaque internacionalmente, Raphinha vive no Barcelona o melhor momento de sua carreira, ao atingir a marca de 22 gols e 11 assistências em 30 jogos na temporada 2024/25. Além disso, encerrou o ano passado pela Seleção com 4 gols, sendo um na Copa América e três nos últimos confrontos da Amarelinha pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo.
Com 28 anos, o gaúcho teve uma trajetória semelhante a de Endrick e Estêvão ao deixar o país natal assim que completou a maioridade, rodando a Europa até se consolidar no futebol espanhol, onde está desde 2022. Titular absoluto do Barça com Hansi Flick, o meia-atacante já vem sendo requisitado por outros gigantes do velho continente, viu seu valor de mercado evoluir de patamar, porém demonstra que deve permanecer no Camp Nou, ao lado de craques como Robert Lewandowski e Lamine Yamal.
Já tendo uma Copa do Mundo em seu currículo, Raphinha é outro nome que em breve pode surgir como franco concorrente às grandes premiações individuais, e assim como Vini Jr., ter holofotes ainda mais apontados para o seu futebol. Se manter o nível que vem apresentando e passar por um período ileso de situações que possam afetá-lo entre o final de 2024 e a primeira metade de 2025, certamente poderá surpreender com uma indicação para o The Best da Fifa e o Ballon D’Or, da France Football ainda no ano seguinte.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF
