Lionel Messi é, indiscutivelmente, o maior jogador da história do Barcelona e, desde sua saída do clube catalão para o Paris Saint-Germain, surgem especulações sobre um possível retorno no futuro. Atualmente jogando pelo Inter Miami, na MLS, e totalmente focado no futebol de clubes, rumores na Europa indicam que Messi deseja voltar aos Culés.
No entanto, esta provavelmente é a primeira vez desde sua saída que vemos o Barcelona com uma estrutura funcional e apresentando um futebol bonito e imprevisível. Sob o comando de Xavi, o Barça fez alguns bons jogos em um curto período, antes de seu estilo de jogo se tornar previsível, facilitando a marcação dos adversários.
Com Hansi Flick, o Barcelona adota uma estrutura que varia entre jogo posicional e jogo mais fluido (aposicional), pressiona com linhas altas e exige grande intensidade física. Esses fatores podem dificultar a chegada de Messi, já que, em reta final de carreira, há dúvidas sobre como ele se encaixaria nesse esquema. Isso pode gerar uma disputa entre Flick e a diretoria sobre sua contratação.
Portanto, vamos analisar o Barcelona atual, como Messi poderia ser integrado à equipe e se realmente valeria a pena para o clube catalão trazê-lo de volta.
O Barcelona de Hansi Flick
Flick alterna entre as formações 4-3-3 e 4-2-3-1, dependendo de sua estratégia para cada jogo. Se deseja maior ocupação no meio-campo e liberdade para os laterais, opta pelo 4-3-3. Se pretende que os meias ataquem os espaços e permitir mais duelos individuais para os pontas, utiliza o 4-2-3-1. Sua estrutura, no entanto, prioriza a criação de superioridade numérica (overloads) no meio, gerando espaço para jogadas pelos lados.
O Barcelona não recua muitos jogadores para a saída de bola, o que faz com que os adversários geralmente optem por não pressionar na defesa, preferindo cobrir os jogadores mais adiantados. Contra times que jogam em linha alta, é comum ver Pedri atacando os espaços como box-to-box, enquanto Gavi assume a função de armador, e os laterais avançam para dar amplitude ao ataque.
Com os laterais puxando a marcação para os lados, Raphinha e Gavi (ou Dani Olmo) infiltram-se pelo meio. O brasileiro atua quase como um segundo atacante, fazendo diagonais para explorar os espaços entre os defensores, enquanto Gavi trabalha para criar um corredor de ataque ou liberar Lamine Yamal no mano a mano pela direita.
Enquanto isso, Jules Koundé cobre os espaços deixados pelos companheiros, embora seja mais eficiente na fase defensiva. Para potencializar esse domínio no meio, Iñigo Martínez e Pau Cubarsí têm papel crucial na construção ofensiva, quebrando as linhas de marcação com passes verticais rápidos.
Como Messi se encaixaria no Barcelona?
Para encaixar Messi no time, Flick teria que mudar sua formação para um 4-4-2, posicionando o argentino mais próximo de Robert Lewandowski e permitindo que ele flutuasse entre os espaços da defesa adversária. Essa mudança, no entanto, traria um dilema tático: Flick precisaria abrir mão de um de seus meio-campistas, seja Gavi, peça essencial para atacar os espaços, ou Pedri, o único box-to-box do time.
Essa alteração reduziria o número de jogadores para criar superioridade no meio-campo e limitaria as oportunidades de Lamine Yamal, que tem sido o principal driblador da equipe. Além disso, a necessidade de manter Raphinha mais fixo na direita pode comprometer seu desempenho, que tem sido digno de destaque nesta temporada.
Outro ponto crítico seria a exigência física do sistema de Flick. Embora a pressão alta seja liderada pelos pontas, os dois jogadores mais avançados costumam marcar os volantes adversários. Messi, no entanto, teria mais dificuldades para acompanhar essa movimentação defensiva em comparação com Gavi ou Pedri, o que poderia desorganizar a marcação do Barcelona e forçar o time a recuar para um bloco médio — algo que não faz parte da filosofia de Flick.
Portanto, a inclusão de Messi representaria uma mudança drástica no esquema de Flick, o que poderia gerar conflitos entre o treinador e a diretoria.
Vale a pena trazer Messi de volta?
A possível volta de Messi ao Barcelona depende de uma questão fundamental: qual é o objetivo do clube? Uma mudança imediata para um impacto de curto prazo ou um trabalho de longo prazo com Flick?
Nesse cenário, é difícil imaginar Messi se adaptando ao estilo de jogo intenso e físico de Flick, assim como é improvável que o treinador altere significativamente sua abordagem para acomodar um jogador, algo que tentou fazer sem sucesso na seleção alemã. Dessa forma, Messi representaria um impacto imediato para o Barcelona, mas poderia prejudicar a consistência da equipe no longo prazo.
Além disso, há dúvidas sobre sua capacidade de suportar a exigência física de uma temporada europeia novamente e se conseguiria render em alto nível. Dessa forma, o retorno de Messi traz mais questionamentos do que certezas, tornando a decisão de sua contratação ainda mais complexa.