Gabriel Martinelli Al Hilal
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Martinelli troca Arsenal pelo Al Hilal, mas ninguém parece ganhar com o negócio; entenda

Gabriel Martinelli não é mais jogador do Arsenal. O atacante brasileiro vai continuar a carreira na Arábia Saudita, onde defenderá o Al Hilal após a conclusão de sua transferência em definitivo. O negócio rendeu US$ 81,2 milhões, cerca de £60 milhões, aos Gunners e se tornou a venda mais cara da história do clube.

O valor é expressivo e representa quase o dobro do que o Arsenal recebeu pela venda de Alex Oxlade-Chamberlain em 2017. Financeiramente, portanto, a saída de Martinelli parece difícil de ser questionada. O problema é que o dinheiro não resolve necessariamente a questão mais urgente deixada pelo brasileiro: a falta de opções de alto nível para o lado esquerdo do ataque.

Martinelli já havia recusado uma transferência para o Galatasaray, mas acabou aparentemente sem espaço para continuar em Londres. Mikel Arteta deixou claro que não via mais um papel para o brasileiro no elenco. Mesmo tendo participado da pré-temporada dentro do esperado após a Copa do Mundo, Martinelli sequer ficou no banco na Community Shield e nas duas primeiras rodadas da Premier League.

Arsenal perde Martinelli sem contratar substituto

A situação é curiosa porque o Arsenal entrou no mercado justamente com a intenção de melhorar um elenco que havia terminado a temporada 2025-26 como campeão da Premier League e vice-campeão da Champions League.

O lado esquerdo do ataque era uma das posições que pareciam precisar de reforços. Martinelli havia perdido espaço no time titular para Leandro Trossard, que acabou vendido ao Beşiktaş em julho. Para ocupar a vaga deixada pelo belga, o Arsenal contratou Christos Tzolis.

O grego, porém, chegou com algumas dúvidas. Ele precisava provar seu valor depois de sair do futebol belga e também de ter dificuldades durante uma passagem anterior pela Inglaterra. Ainda assim, Tzolis conseguiu impressionar nas primeiras semanas da nova temporada.

O problema é que o Arsenal tentou contratar jogadores de outro patamar para a posição e não conseguiu. Morgan Rogers, Vinícius Júnior e Bradley Barcola foram alvos, mas nenhuma das negociações avançou. O clube também não parece ter feito uma tentativa realmente forte por Malick Fofana.

Uma lacuna difícil de explicar

Dessa forma, o Arsenal decidiu vender Martinelli sem conseguir contratar um substituto de elite para a posição. A escolha pode acabar cobrando seu preço ao longo da temporada, principalmente porque os Gunners pretendem novamente brigar pelo título inglês e avançar nas principais competições.

Tzolis precisará de apoio. Eberechi Eze também pode atuar pelo lado esquerdo, enquanto o Arsenal contratou recentemente James Scanlon, jovem de 19 anos formado nas categorias de base do Manchester United. A saída de Martinelli, sem uma reposição direta, também abre espaço para que o jovem tenha um caminho mais claro dentro do clube.

Ainda assim, existe uma diferença importante entre ter opções para a posição e possuir profundidade suficiente para disputar uma temporada tão exigente. Martinelli pode não ser um jogador de nível absolutamente extraordinário, mas acumulou 278 partidas pelo Arsenal e já conhece completamente o ambiente do clube.

Por isso, forçar sua saída nas circunstâncias atuais gera questionamentos. O Arsenal conseguiu uma quantia importante com a transferência, mas a pergunta inevitável é: quanto essa decisão pode custar em profundidade de elenco?

Martinelli também terá desafio no Al Hilal

A mudança para o Al Hilal também não representa necessariamente uma vitória esportiva para Martinelli. É claro que o brasileiro terá um enorme aumento em seus ganhos, com um salário elevado e livre de imposto de renda. Dentro de campo, porém, o cenário está longe de ser tão simples.

O Al Hilal já conta com Crysencio Summerville, contratado do West Ham em julho. O holandês começou como titular as quatro primeiras partidas da Pro League na temporada 2026-27 e já conseguiu deixar sua marca.

Summerville marcou uma vez e deu duas assistências na vitória por 5 a 1 sobre o Al Khaleej, além de ter balançado as redes novamente no triunfo por 3 a 0 sobre o Al Ahli. Ou seja, Martinelli não chega para assumir automaticamente uma posição no time.

O brasileiro ainda terá de disputar espaço com Salem Al-Dawsari, um dos grandes nomes da história do Al Hilal. Aos 35 anos, o jogador soma 500 partidas e 142 gols pelo clube desde sua estreia em 2011. Atualmente, ele está nas etapas finais de recuperação de uma cirurgia realizada no verão.

Uma transferência que deixa dúvidas para todos

No Arsenal, Martinelli deixa uma lacuna que o clube não conseguiu preencher com uma contratação de peso. No Al Hilal, chega a um elenco que já possui concorrência pela posição que prefere ocupar. Por isso, olhando apenas para o futebol, é difícil apontar quem realmente saiu ganhando com a operação.

A grande vantagem para o Arsenal está no dinheiro. Os £60 milhões representam uma receita recorde com uma venda e dão ao clube um retorno financeiro importante. Mas isso não elimina a necessidade de ter um elenco profundo para uma temporada que promete ser longa.

Para Martinelli, o cenário é parecido. O salário será um enorme atrativo, mas a mudança para a Arábia Saudita não garante que ele terá mais facilidade para jogar ou que sua carreira dará um passo à frente esportivamente.

É um cenário semelhante ao vivido por Darwin Núñez depois de sua transferência para o Al Hilal. O uruguaio permaneceu apenas uma temporada no clube e agora foi emprestado ao recém-promovido Al Diriyah.

Martinelli, portanto, deixa o Arsenal com um valor recorde, mas em uma transferência que levanta uma pergunta incômoda para os Gunners: o dinheiro recebido será suficiente para compensar a perda de profundidade no lado esquerdo do ataque?

Foto: X/Fabrizio Romano