Na manhã desta segunda-feira (24), entrando para a história das contratações que melaram, foi noticiado que Vitor Roque, atacante do Real Betis, não poderia se transferir para o Palmeiras, que já havia acertado sua contratação. Os trâmites foram travados em razão de La Liga não permitir movimento de jogadores emprestados – caso do brasileiro que está emprestado aos Verdolagas. Sem o desfecho positivo, o camisa 8 se juntou ao grupo de jogadores que foram confirmados como contratações de um clube, mas que não chegaram sequer a disputar uma partida. Sendo assim, eis aqui alguns dos jogadores que compõem esta lista.
Contratações acertadas…só que não!
Nicolas Anelka – Atlético Mineiro (2014)

Nicolas Anelka, atacante francês que atuou por grandes equipes no mundo inteiro (Real Madrid, Arsenal, Chelsea, Liverpool, PSG) chegou a ser anunciado pelo Atlético Mineiro, em 2014. O presidente do Galo na época chegou a publicar, em sua rede social, que o experiente jogador seria um dos reforços para a temporada daquele ano. No entanto, a novela entre o centroavante e o clube mineiro não teve um final feliz e acabou frustrando os planos dos atleticanos.
Anos depois deste episódio, Anelka relatou os bastidores desta negociação e, ainda por cima, criticou o comportamento antiprofissional de Alexandre Kalil (presidente do Atlético Mineiro naquela época). Na entrevista, o francês confirma que faltava pouco para o acerto, mas que a postura do dirigente foi crucial para que Nicolas desistisse de assinar contrato com a equipe. Confira o que falou o jogador:
Primeiramente, nunca se anuncia a chegada de um jogador que ainda não assinou o contrato, um jogador que ainda não chegou a um acordo com o clube sobre as condições do contrato. O contrato estava praticamente feito, estava 95% certo. Meu irmão que mora em Miami tinha viajado ao Brasil, tinha começado uma negociação e só faltava 5%”. – Explicou, o francês
Meu agente que vai se encarregar de ler e verificar linha por linha do contrato proposto pelo Atlético-MG. E que ele mande uma passagem para mim também, para eu conhecer a infraestrutura do clube e conhecer a cidade para levar minha família. Em seguida eu faria os exames médicos. Se tudo desse certo, depois dos exames eu assinaria o contrato. É assim que se faz quando se é um grande clube, um clube profissional. Eu esperei algumas horas. E depois de cerca de 10, 15 horas eu recebi uma única passagem de avião. Só uma, no meu nome. Foi uma enorme falta de respeito. Depois de um primeiro episódio, em que ele convoca uma coletiva de imprensa, um segundo, no qual ele me envia uma única passagem de avião, só para mim. Para mim foi uma enorme falta de respeito o fato de ele não querer que meu agente viaje para verificar tudo o que estava no contrato. – Finalizou.
Michel Preud’homme – Fluminense (1999)

O ano era 1999 e o Fluminense vinha recolhendo seus cacos após ser rebaixado para a terceira divisão. Para retornar em grande estilo, o vice-presidente de futebol do Tricolor das Laranjeiras, Francisco Horta, declarou que o belga seria o seu “novo Rivelino”, pois acreditava que seria uma das maiores contratações do futebol brasileiro daquela época.
Preud’homme é o meu novo Rivelino, é goleiro da década. Nem Taffarel, que foi o herói da Copa em 94, conseguiu superá-lo – Celebrou o dirigente
Na situação, estava tudo acertado entre o clube e o atleta: Preud’homme assinaria contrato com o Flu por dois anos e salário de 60 mil reais. O goleiro belga chegou, inclusive, a viajar para o Rio de Janeiro e elogiar muito a cidade, dizendo que não havia lugar mais bonito. No entanto, tudo foi por água abaixo na época quando Benfica – clube do qual Michel estava atuando naquele momento das tratativas – descobriu da viagem para a “Cidade Maravilhosa” e que reprovaram tal atitude. A diretoria dos Encarnados ficou extremamente irritada ao ver que o jogador viajou sem a autorização do clube e o ameaçou de ir à Fifa caso assinasse qualquer documento com o Fluminense.
Porém, 21 anos depois da frustração, Horta explicou o porquê da negociação ter falhado e completou que o belga tinha ofertas superiores no futebol europeu.
Foi ele que não pôde ficar aqui por causa de uma proposta superior na Europa. Foi meramente questão financeira. Depois não tentamos, ele estava muito velho, tinha que ser naquele momento ou nunca mais. Não fiquei frustrado na época. Se viesse seria uma atração a mais, mas o objetivo foi alcançado, que era voltar para a Série A. – Completou, Horta
Didier Drogba – Corinthians (2017)

Em 2017, o Corinthians estava negociando a vinda de Didier Drogba, astro marfinense multicampeão pelo Chelsea. Os torcedores e a internet se empolgaram com a notícia, algo que ficaria ainda mais inflamado quando observaram que a base salarial estava acertada. Com a questão financeira da operação já firmada, bastava apenas a assinatura do atacante para que ele se tornasse o mais novo reforço da Fiel. Porém, as tratativas não seguiram por este caminho.
O sonho dos corintianos não se concretizou e Didier recusou a proposta por entender que havia um projeto mais chamativo e duradouro, como um co-proprietário de um clube. A explicação que fez o Marfinense recusar o projeto só exposta dois anos depois. Confira o que o atleta comentou:
O que aconteceu foi que eles fizeram uma oferta, não foi a única oferta que eu tive. Claro que é um clube grande e eu tenho muito respeito pelo Corinthians e pelos meus irmãos brasileiros, mas eu decidi ir por outro caminho, ser co-proprietário de um clube, agora sou dono de um clube – Revelou, Drogba
Leandro Romagnoli – Bahia (2014)

Campeão da Libertadores com o San Lorenzo em 2014, Romagnoli estava se encaminhando para ser o novo jogador do Bahia. O jogador argentino e seu empresário confirmaram a assinatura do pré-contrato e ele desembarcaria em Salvador no segundo semestre para atuar no Tricolor de Aço. O meia de 33 anos era considerado o melhor meia argentino e um dos destaques da campanha do “Time do Papa”, assim, tal chegada certamente elevaria o patamar da equipe baiana.
No entanto, alguns meses depois da assinatura do acordo prévio, Romagnoli desembarcou em Salvador não para se apresentar e jogar no Esquadrão, mas sim para tentar romper o pré-contrato que havia assinado. O jogador havia declarado que, com esta negociação concretizada, ele não poderia disputar o Mundial de Clubes daquele ano com o San Lorenzo. Com esta posição definida, os dirigentes do clube brasileiro solicitaram a devolução dos U$ 50 mil dólares que haviam ofertado como luvas e também o pagamento de uma indenização de U$ 250 mil dólares ao Bahia, com ajuda do clube argentino. O Bahia, além disso, cobrava U$ 500 mil, multa que constava no contrato assinado.
Após toda essa novela, alguns anos depois, o vice-presidente do Bahia naquela ocasião, Valton Pessoa, contou alguns detalhes dessa negociação e lamentou a não vinda do argentino. No entanto, ele manteve uma perspectiva até saudosa, pelo fato de que a quebra do acordo rendeu ao Tricolor de Aço um valor significativo, assim como houve um aumento no número de sócios.
Cinco dias depois que eu cheguei em Salvador, esse cara me liga e diz que Romagnoli está disposto a jogar no Bahia. Uma pessoa dizendo ser Romagnoli falou comigo, negociei ao telefone, mas eu não acreditei. Pedi para ir a Argentina, porque achei que era blefe. Romagnoli era o melhor jogador do futebol argentino naquele ano. Acabou que deu certo, fizemos o contrato. Só que ninguém imaginava que o San Lorenzo chegaria na final da Libertadores naquele ano, nem o próprio jogador. Romagnoli chegou a vir para cá e acabamos ganhando um bom dinheiro com isso, porque saiu sem jogar e pagou a multa sem que o Bahia tenha gasto nenhum valor. Não rendeu nosso camisa 10, mas rendeu um bom dinheiro e alguns bons sócios na época – Conversou
Ronaldinho Gaúcho – Grêmio (2011)
Com a saída de Ronaldinho Gaúcho do Milan em 2011, o “Bruxo” estava negociando sua volta ao futebol brasileiro e haviam dois candidatos negociando seu retorno: Flamengo e Grêmio. O Imortal estava na frente dos cariocas em razão de que o coração do jogador falar mais alto, pois foi revelado no clube. A presidência do time gaúcho estava esperançosa pelo retorno e de tão certa que estava colocou caixas de som no Olímpico (antigo estádio do Grêmio) para um fazer uma festa de apresentação. Mas, querendo também se precaver, Paulo Odoni – presidente do Grêmio – ordenou a retirada dos equipamentos e manteve a cautela enquanto as conversas estavam em curso.

Mas, alguns dias depois, o Flamengo atravessou a negociação e conseguiu fechar um acordo mais rápido com o Milan e avançou nas tratativas com o R10. Nesse sentido, a diretoria do Imortal não ficou contente com a mudança de postura do jogador e isso culminou na desistência pela sua contratação, abrindo livre caminho para que o Rubro Negro carioca assinasse contrato com o astro.
Ainda será a possível a contratação Vitor Roque ?
A instituição prevê que jogadores emprestados tem que ser devolvidos aos donos para que as negociações ocorram, porém a janela já se encerrou e com isso há este bloqueio. Mesmo com o veto de La Liga, os advogados palmeirenses tentam recorrer a um recurso para uma liberação do jogador e se embasam na compreensão da FIFA sobre “Registro Técnico”.
Para esta tentativa de viabilização, o Verdão tenta usar o caso de “Pedro Lima” – jogador palmeirense que teve uma transferência temporária ao Nogometni klub Osijek, da Croácia. O atleta que estava cedido ao Norwich City, teve seu registro revertido ao Palmeiras depois do fechamento da janela e, em sequência, foi emprestado ao clube croata. Caso o recurso seja negado, a diretoria do Porco não pretende desistir até o dia 28 de fevereiro – data em que se encerra o período de transferências no Brasil.