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Futebol Brasileirão

Grêmio teve vitória “culposa” contra o lanterna do Brasileirão; entenda como time salvou 3 pontos

O Grêmio ganhou da Chapecoense por 3 a 1, respirou um pouco mais no Brasileirão e chega ao Gre-Nal decisivo da Copa do Brasil com uma vitória no bolso. Só que o placar conta uma história bem mais confortável do que a partida.

Contra o lanterna do campeonato, o Tricolor permitiu 30 finalizações. Nove delas foram na direção do gol. O próprio Grêmio finalizou apenas 11 vezes, com cinco chutes no alvo. É difícil chamar isso de uma atuação segura.

A vitória, diante deste cenário, teve algo de “culposa”: o Grêmio fez o suficiente para vencer, mas também colaborou bastante para que a Chapecoense acreditasse no jogo durante boa parte dos 90 minutos.

O Grêmio foi eficiente quando teve suas chances

O primeiro ponto positivo foi justamente aquele que decidiu o placar: a eficiência. A Chapecoense abriu o marcador, mas a vantagem durou pouco. Gustavo Martins desviou a finalização de Enamorado e empatou dois minutos depois.

Na sequência, Pavón apareceu para fazer o gol da virada. Foi uma das poucas jogadas em que o argentino conseguiu deixar os erros técnicos de lado e produzir algo realmente decisivo.

Depois, voltou a participar diretamente do resultado ao cobrar o escanteio que terminou no segundo gol de Gustavo Martins. O Grêmio não criou muito, mas aproveitou momentos importantes. E isso fez toda a diferença.

A bola passou melhor pelo meio

Outro ponto que merece ser observado foi a evolução, ainda que discreta, na progressão com a bola.

O croata Krovinovic ofereceu uma circulação mais organizada ao meio-campo e ajudou o Grêmio a sair da pressão com mais qualidade. O europeu deu ao setor uma capacidade de controlar melhor alguns momentos da partida, especialmente no primeiro tempo.

Não foi uma transformação do time, mas foi uma melhora em um aspecto que vinha sendo problemático. O Grêmio conseguiu, em alguns momentos, encontrar caminhos pelo centro em vez de depender exclusivamente de bolas longas ou jogadas individuais.

O problema é que essa melhora não foi suficiente para controlar o jogo.

A Chapecoense também ajudou o Grêmio

Aqui está o fator mais importante da vitória. A Chapecoense teve volume suficiente para complicar muito mais a vida gremista, mas falhou justamente onde mais precisava: na conclusão.

O Grêmio deixou espaços, principalmente pelos lados do campo, e permitiu que o lanterna acumulasse chegadas. Só que transformar posse e finalizações em gols continua sendo um problema para a equipe catarinense.

Quando conseguiu finalizar com perigo, encontrou Weverton.

A defesa também teve méritos. Gustavo Martins e Wallace fizeram uma partida firme em meio ao cenário de pressão e evitaram que parte do volume adversário se transformasse em uma avalanche ainda maior.

É uma diferença importante: o Grêmio não controlou a Chapecoense, mas conseguiu sobreviver a ela.

O placar escondeu uma preocupação para o Gre-Nal

Depois do 3 a 1, o recuo gremista ficou ainda mais evidente. Há uma explicação óbvia: com a vantagem construída e um Gre-Nal decisivo pela frente, Luís Castro tinha motivos para preservar seus jogadores e diminuir o ritmo.

Mas existe também um problema estrutural. O Grêmio já demonstra dificuldade para manter uma postura agressiva durante os jogos. Quando encontra uma vantagem, tende a baixar suas linhas e proteger o resultado. Contra a Chapecoense, isso funcionou porque o adversário não conseguiu aproveitar as oportunidades.

Contra o Internacional, a margem para esse tipo de comportamento será muito menor.

O clássico pode até repetir o cenário de poucos espaços e muita disputa visto na partida de ida, mas o rival possui jogadores capazes de transformar uma oportunidade em gol. Não será possível depender novamente de uma combinação entre eficiência, defesa e desperdício adversário.

O desafio muda completamente na Copa do Brasil

O próximo jogo exige do Grêmio algo que a Chapecoense não conseguiu cobrar durante os 90 minutos: capacidade de jogar sob pressão contra um adversário de nível semelhante.

Se o Internacional adotar uma postura mais cautelosa, Luís Castro terá de encontrar soluções para propor o jogo. Esse é um dos pontos em que o Grêmio mais sofreu ao longo da temporada. Ao mesmo tempo, quando perder a bola, precisará proteger melhor os corredores laterais e evitar os espaços que apareceram diante da Chapecoense.

Ou seja, a vitória serviu para o resultado, mas também deixou um alerta. O Grêmio chega ao Gre-Nal com três pontos importantes e um pouco mais de tranquilidade no Brasileirão. Porém, também chega sabendo que não pode repetir a mesma quantidade de concessões.

Contra o lanterna, 30 finalizações não foram suficientes para derrubá-lo. No Gre-Nal, isto será muito arriscado. Por isso, a vitória por 3 a 1 precisa ser comemorada pelo que entregou na tabela, mas analisada com cuidado pelo que revelou em campo. O Grêmio encontrou maneiras de vencer uma partida que poderia ter sido muito mais complicada.

Foi eficiente, contou com boas atuações individuais e, principalmente, contou com a falta de qualidade do adversário. Contra o Internacional, a fórmula pode não funcionar.

FOTO: LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA/DIVULGAÇÃO