O Palmeiras estreou na Libertadores com uma vitória suada e emocionante por 3 a 2 sobre o Sporting Cristal, nesta quinta-feira, em Lima, no Peru. Em um jogo marcado por oscilações, falhas defensivas e poder de reação de ambos os lados, o time comandado por Abel Ferreira mostrou resiliência e contou com um gol nos acréscimos do colombiano Richard Ríos para garantir os três pontos e largar com o pé direito no torneio continental.
Apesar de ser o franco favorito, o Palmeiras demorou a entrar no jogo. Dominou a posse de bola, mas apresentava lentidão na transição ofensiva e dificuldades para agredir a defesa peruana. O Sporting Cristal, ciente de sua limitação técnica, apostou em bolas paradas e cruzamentos para surpreender — e quase conseguiu. Aos 17, González obrigou Weverton a fazer boa defesa em cobrança de falta, e pouco depois Chávez cabeceou com perigo, exigindo mais uma intervenção do goleiro alviverde.
O cenário começou a mudar por volta dos 30 minutos, quando o Palmeiras aumentou a velocidade nas jogadas e passou a ocupar o campo adversário com mais presença. Aos 37, em jogada iniciada por Vitor Roque e com participação de Facundo Torres, Estêvão aproveitou um rebote para empurrar para as redes e abrir o placar.
Na volta do intervalo, o Palmeiras manteve o controle e teve chance de ampliar com Felipe Anderson, mas o goleiro Enríquez fez uma bela defesa. Porém, o Verdão perdeu intensidade e viu o adversário crescer novamente. O empate veio aos 21, em uma pancada de Prettel da entrada da área, sem chances para Weverton.
O empate parecia ter mudado o ímpeto da partida, mas o Palmeiras respondeu rápido. Aos 34, Flaco López sofreu pênalti e Piquerez cobrou com força para colocar o time de novo em vantagem. No entanto, a instabilidade defensiva voltou a cobrar seu preço: um minuto depois, Távala acertou um chute indefensável e empatou o jogo novamente.
Quando o empate já parecia definido, surgiu o herói improvável da noite. Nos acréscimos, após jogada confusa na área, Luighi cruzou na medida para Richard Ríos, que cabeceou com precisão e decretou a vitória por 3 a 2.
Palmeiras oscila, mas mostra maturidade
A estreia do Palmeiras escancarou algumas virtudes e defeitos do time. Por um lado, há maturidade, capacidade de reagir em momentos adversos e opções ofensivas que conseguem decidir jogos mesmo em dias ruins. Por outro, o time ainda sofre com momentos de desligamento defensivo e dificuldade para manter o ritmo durante os 90 minutos.
O trio de meio-campo é técnico, mas ainda precisa encontrar equilíbrio com o setor defensivo. A defesa, em especial, não se mostrou sólida: falhou nos dois gols e teve dificuldade com bolas aéreas e transições rápidas. Weverton, mesmo com grandes defesas, foi constantemente exigido, o que não é comum em jogos contra adversários de menor investimento técnico.
No ataque, Felipe Anderson e Estêvão mostraram que podem dar profundidade e criatividade ao time. Estêvão, inclusive, confirmou a expectativa criada em torno dele com mais uma atuação eficiente. Já Flaco López, mesmo sem marcar, teve boa presença física e conseguiu gerar o pênalti do segundo gol.
O time peruano não tem grandes nomes nem a mesma capacidade de investimento, mas mostrou que pode complicar a vida dos favoritos. Com um plano de jogo baseado na marcação dura e nos contragolpes, foi competitivo e teve chances de sair com um empate — ou até algo mais.
A equipe conseguiu explorar os momentos de desconcentração palmeirense e quase fez valer o mando de campo. Ainda assim, a derrota nos acréscimos serve como alerta sobre a necessidade de manter o foco até o último lance — algo que o próprio Palmeiras tem explorado em outras edições do torneio.
Não se pode vacilar na Libertadores
O Palmeiras volta de Lima com três pontos importantes na bagagem, mas também com lições a serem estudadas. A Libertadores é um torneio de altos e baixos, e saber vencer mesmo sem jogar o melhor futebol é um sinal de um time cascudo — algo que o Verdão tem demonstrado em temporadas recentes.
Entretanto, o desempenho defensivo preocupa e precisará ser ajustado se o clube quiser chegar longe novamente. O poder de reação foi louvável, mas em fases mais avançadas da competição, erros como os vistos em Lima podem custar caro.
Com o grupo em aberto, a vitória fora de casa pode pesar mais adiante. Mas o recado foi dado: não há espaço para apatia na Libertadores, mesmo para os favoritos. O Palmeiras, mais uma vez, precisará de consistência para brigar pelo título que tanto cobiça.
(Foto: Ernesto Benavides/AFP)