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Futebol Libertadores

Confusão em Colo-Colo x Fortaleza; quais foram as consequências de algumas das maiores tragédias da história do futebol?

O confronto entre Colo-Colo e Fortaleza, válido pela segunda rodada do Grupo E da Conmebol Libertadores, realizado no Estádio Monumental do Chile, em Santiago, nesta quinta-feira (10), terminou de forma trágica e conturbada. A partida foi oficialmente cancelada pela Conmebol após a invasão de campo por parte de torcedores do time chileno, em meio a um cenário de violência e caos.

Momentos antes do início da partida entre Colo-Colo e Fortaleza, um tumulto envolvendo torcedores sem ingresso resultou em um grave incidente. Aproximadamente 100 pessoas tentaram invadir o estádio pela área conhecida como Casa Alba. Durante a ação policial para conter o avanço, uma cerca cedeu, provocando uma correria fatal. Duas pessoas morreram: uma jovem de 18 anos, identificada como Martina Riquelme — que foi atropelada por um veículo da polícia que lançava gás lacrimogêneo — e um adolescente de 13 anos, cuja identidade não foi divulgada.

Apesar dos graves acontecimentos do lado de fora, o jogo começou no horário previsto, às 20h locais (21h de Brasília). Entretanto, o clima de tensão permaneceu. Já durante o jogo, torcedores do Colo-Colo arremessaram objetos no gramado e, aos 24 minutos do segundo tempo, com o placar em 0 a 0, houve a invasão do campo. Jogadores do Fortaleza correram em direção ao vestiário, enquanto atletas do Colo-Colo tentavam conter os invasores. O árbitro uruguaio Gustavo Tejera, diante da falta de segurança, suspendeu a partida. Quase duas horas depois, a Conmebol oficializou o cancelamento do jogo.

Consequências e repercussões

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) lamentou as mortes ocorridas e solicitou à Conmebol a vitória do Fortaleza por 3 a 0, alegando responsabilidade do Colo-Colo na falha de segurança. Até o momento, a entidade sul-americana não se pronunciou sobre o pedido.

Além disso, Pamela Venegas, responsável pelo Estadio Seguro — órgão chileno encarregado da segurança nos eventos esportivos — pediu demissão. O motorista do veículo policial envolvido no atropelamento foi afastado de suas funções, e o governo chileno abriu uma investigação para apurar os fatos entre Colo-Colo e Fortaleza pela Libertadores.

Foto: Getty Images

As consequências de outras grandes tragédias da história do futebol

As tragédias ocorrem, em sua maioria, por uma combinação de falhas estruturais, descuido com a segurança e violência das torcidas. Em 1989, a Tragédia de Hillsborough, na Inglaterra, resultou na morte de 97 torcedores do Liverpool devido ao colapso do sistema de controle policial e superlotação, levando a reformas profundas nos estádios britânicos.

Em 1985, no Estádio de Heysel, na Bélgica, torcedores do Liverpool invadiram a área da Juventus, gerando tumulto e o colapso de um muro que matou 39 pessoas — o episódio levou à exclusão de clubes ingleses das competições europeias por cinco anos.

Em 1964, a Tragédia de Lima, no Peru, foi desencadeada por uma decisão de arbitragem que gerou revolta. A resposta violenta da polícia com gás lacrimogêneo em um estádio lotado resultou em mais de 300 mortes. No Egito, em 2012, a Tragédia de Porto Saíde foi marcada por confrontos entre torcedores e a inércia das forças de segurança, culminando na morte de 74 pessoas e no cancelamento do campeonato nacional.

Mais recentemente, em 2022, o Desastre de Kanjuruhan, na Indonésia, evidenciou o despreparo das autoridades ao usarem gás lacrimogêneo dentro de áreas fechadas de um estádio lotado, provocando uma fuga em massa que matou mais de 130 pessoas.

Por isso, enquanto essas coisas continuam se repetindo, é necessário que o comportamento das autoridades seja mais incisivo. Podemos ver, neste texto, que os problemas estruturais dos grandes eventos e o despreparo das autoridades sempre levam a tragédias, mais cedo ou mais tarde. Portanto, se não houver uma represália pesada das autoridades, essas situações continuarão ocorrendo.

(Foto: Getty Images)