Fernando Diniz Corinthians Brasileirão
Futebol Libertadores

Corinthians salva o que poderia ser um desastre na Argentina, mas vai ter que melhorar poderio ofensivo para vencer

O Corinthians voltou da Argentina com um empate por 1 a 1 contra o Estudiantes que, diante das circunstâncias, pode ser considerado um bom resultado. O gol sofrido logo aos três minutos e os erros cometidos durante o primeiro tempo fizeram o confronto parecer caminhar para um cenário bastante complicado para o Timão. Mas a equipe reagiu depois do intervalo, empatou com Kaio César e conseguiu levar para a Neo Química Arena uma disputa completamente aberta.

O resultado é importante principalmente pelo contexto. O Corinthians vinha de uma sequência de quatro derrotas no Campeonato Brasileiro e precisava apresentar uma resposta depois de mais um tropeço, desta vez diante da lanterna Chapecoense. Jogando em La Plata, o time não teve uma atuação brilhante, mas mostrou uma característica que havia sido cobrada nos últimos jogos: competitividade.

Antes da partida, Matheuzinho havia deixado claro que a ideia era sair da Argentina com a baliza intacta e dar tranquilidade para Hugo Souza. O plano, porém, foi desmontado muito cedo. Hugo chegou a defender o cabeceio de Guido Carrillo, mas Alexis Castro aproveitou o rebote e abriu o placar. O gol não apenas colocou o Estudiantes em vantagem como também aumentou a pressão sobre um Corinthians que já chegava ao confronto cercado de dúvidas.

Primeiro tempo preocupa o Corinthians

O problema não ficou restrito ao gol sofrido. Durante praticamente toda a primeira etapa, o Estudiantes foi superior nos duelos e conseguiu dominar o meio-campo. O Corinthians teve dificuldades para manter a posse, errou passes e encontrou pouca capacidade para construir jogadas ofensivas.

Os números ajudam a mostrar essa dificuldade. O Timão finalizou apenas duas vezes no primeiro tempo, enquanto o Estudiantes conseguiu cinco finalizações. Além disso, a equipe brasileira acumulou cartões amarelos em meio à tentativa de acompanhar a intensidade dos argentinos. Para um time que precisava reagir depois dos resultados negativos no Brasileiro, a atuação inicial aumentava a preocupação.

O cenário poderia ter ficado ainda pior se o Corinthians não tivesse conseguido mudar sua postura depois do intervalo. A equipe voltou mais ligada e encontrou o empate logo aos três minutos. Rodrigo Garro enxergou a infiltração de Kaio César nas costas da defesa, colocou o atacante em boas condições e o camisa 9 dominou antes de bater rasteiro na saída de Muslera.

Empate muda completamente o cenário

O gol de Kaio César fez o Corinthians perceber que o jogo poderia ser diferente. Depois de um primeiro tempo em que praticamente não conseguiu incomodar o Estudiantes, o time passou a disputar melhor o meio-campo e encontrou mais equilíbrio na partida.

Isso não significa que o Timão tenha passado a dominar o confronto. Houve momentos de dificuldade e o Estudiantes continuou tentando pressionar, mas a equipe brasileira conseguiu se comportar melhor defensivamente. Quando foi necessário, Hugo Souza apareceu com defesas importantes para impedir que os argentinos voltassem a ficar na frente.

A postura defensiva foi justamente um dos pontos positivos da segunda etapa. Depois de sofrer um gol tão cedo, o Corinthians conseguiu evitar que o jogo saísse completamente do controle. Em vez de se desorganizar, encontrou uma forma de sobreviver à pressão e voltar para São Paulo com a decisão em aberto.

Poderio ofensivo será fundamental na Neo Química Arena

O grande alerta, porém, está no ataque. O empate fora de casa tem valor, mas o Corinthians poderia ter voltado da Argentina com uma situação ainda melhor se tivesse sido mais incisivo e organizado quando recuperava a bola. A equipe conseguiu equilibrar o jogo depois do intervalo, mas faltou transformar esse equilíbrio em mais oportunidades.

Esse será um ponto fundamental para a partida de volta. O Estudiantes não precisa necessariamente sair para o ataque da mesma maneira que faria se tivesse vencido na Argentina. O Corinthians, por jogar diante de sua torcida, terá que assumir mais responsabilidades ofensivas e encontrar maneiras de furar a defesa adversária.

E esse cenário pode ser bastante diferente do encontrado em La Plata. Em casa, a expectativa é de um Corinthians mais presente no campo de ataque, mas isso exigirá precisão. Não basta ter a posse ou ocupar o território ofensivo: será necessário criar chances e aproveitá-las.

Diniz encontra uma resposta importante

Para Fernando Diniz, entretanto, o principal ganho da partida foi a postura apresentada pelos jogadores. O treinador destacou a entrega da equipe e enxergou o comportamento na Argentina como uma resposta às críticas que o Corinthians vinha recebendo pelos resultados no Campeonato Brasileiro.

A reação também teve um significado importante para a relação com a torcida. Diniz afirmou que, em determinados momentos, os corintianos presentes no estádio fizeram mais barulho do que o próprio público argentino. Para o treinador, o time precisa jogar com esse mesmo desejo de vencer e não desistir até o fim.

Essa conexão pode ser decisiva na partida de volta. O Corinthians terá a Neo Química Arena ao seu lado e sabe que precisa aproveitar o fator casa. Ao mesmo tempo, não pode transformar a necessidade de vencer em ansiedade. O empate na Argentina garantiu ao Timão a possibilidade de decidir diante de sua torcida, mas não colocou a classificação nas mãos dos brasileiros.

A classificação está totalmente aberta

O confronto volta a acontecer na próxima quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), na Neo Química Arena. Quem vencer garante a vaga nas semifinais da Libertadores. Em caso de novo empate, independentemente do placar, a classificação será decidida nos pênaltis.

Por isso, o Corinthians saiu da Argentina vivo e até pode considerar o resultado positivo, principalmente pelo que aconteceu nos primeiros minutos. Mas a equipe também sabe que não pode repetir a mesma dificuldade ofensiva apresentada no primeiro tempo. Se conseguir manter a competitividade demonstrada depois do intervalo e acrescentar qualidade na frente, terá condições reais de avançar.

(Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)