Na terceira rodada do do Brasileirão, o Palmeiras apresentou, enfim, uma atuação que a torcida esperava há meses. Em um clássico contra o rival Corinthians, o Verdão venceu com autoridade por 2 a 0, no Allianz Parque, e não apenas somou três pontos importantes. O time mostrou sinais claros de evolução coletiva, especialmente em aspectos que vinham sendo duramente criticados desde o início da temporada.
A vitória no dérbi, além de aliviar a pressão sobre Abel Ferreira e sua comissão, deixou evidente que o Palmeiras começa a encontrar soluções em setores que vinham sendo ineficazes. A atuação consistente, construída com superioridade desde os primeiros minutos, expôs um Corinthians frágil com atuações apagadas de seu trio de ataque.
Protagonismo com a bola nos pés
Uma das críticas recorrentes ao Palmeiras de 2025 era sua dificuldade em assumir o controle do jogo quando não podia jogar no erro do adversário. A equipe vinha mostrando pouca mobilidade ofensiva e lentidão nas transições. Contra o Corinthians, no entanto, a proposta foi clara: tomar a iniciativa, dominar a posse e pressionar desde o início.
O Verdão terminou a partida com ampla vantagem em posse de bola e número de finalizações, mas mais importante do que os números foi a forma como essas ações foram construídas. A equipe soube circular a bola com paciência, abrir o campo com seus pontas e encontrar boas infiltrações, principalmente com o meia Facundo Torres, um dos destaques da partida.
O uruguaio, que chegou este ano com status de reforço de impacto, teve sua melhor atuação com a camisa do Palmeiras. Movimentando-se bem entre as linhas, foi o elo entre meio e ataque, deu dinamismo ao setor ofensivo e participou diretamente da construção dos dois gols. Aos poucos, Torres começa a justificar o investimento feito e se encaixa como peça-chave para o estilo que Abel quer implementar.
Meio de campo sólido com Emiliano Martínez
Se o ataque funcionou melhor, o meio de campo também foi decisivo para a superioridade palmeirense. E neste setor, Emiliano Martínez merece todos os elogios. O volante argentino, conhecido por sua entrega e posicionamento inteligente, foi o pilar da marcação palmeirense. Ele comandou a pressão alta e, apesar de não ter feito nada de especial, sua segurança liberou os alas e deu amplitude para a equipe.
Martínez foi o motor do time na parte defensiva, mas também não se limitou à destruição. Sua qualidade nos passes e capacidade de leitura de jogo foram essenciais para iniciar jogadas com rapidez e objetividade. Contra um Corinthians que apostava nos contragolpes, sua atuação foi crucial para cortar a transição alvinegra ainda na origem. Com a proteção de Emiliano, a linha defensiva do Palmeiras pouco sofreu.
Vitória que pode marcar um ponto de virada para o Palmeiras
Para o Palmeiras, a vitória sobre o Corinthians tem peso que vai além da tabela. Foi um jogo simbólico, em que a equipe finalmente conseguiu mostrar um futebol mais propositivo e consistente. O elenco começa a responder melhor às ideias de Abel Ferreira, que já vinha sendo cobrado por apresentar mais variações ofensivas e um meio de campo mais produtivo.
Ainda é cedo para dizer que o Palmeiras reencontrou seu melhor futebol. Mas, no jogo mais simbólico até aqui na temporada, o time mostrou que ainda sabe como jogar como protagonista — e que, quando bem ajustado, continua sendo um dos elencos mais fortes do país.
O próximo passo é dar sequência. A consistência que faltou no início da temporada precisa se transformar em uma marca. Se isso acontecer, o Palmeiras volta a ser um dos favoritos ao título. E o clássico deste domingo pode ter sido o ponto de partida dessa virada.
(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)