Na última terça-feira (15), o Barcelona classificou-se para as semifinais da Champions League após a derrota por 3 a 1, contra o Borussia Dortmund. Os alemães não conseguiram reverter a vantagem de quatro gols de diferença construída no jogo de ida pelos catalães, que avançaram para a próxima fase. Entretanto, a dinâmica da partida no Signal Iduna Park chamou a atenção pela superioridade do time da casa diante dos Blaugranas, gerando pontos de atenção para a equipe de Hansi Flick para o restante da temporada.
Mesmo com a presença dos artilheiros da competição, Lewandowski e Raphinha, o esitlo de jogo do Barcelona causou extremo incômodo nos fãs, mas principalmente na comissão técnica. Sendo assim, as críticas da imprensa espanhola em relação a performance dos Culés foi justificável, tendo em mente que trata-se de uma das melhores campanhas desta edição de Champions League, tendo o melhor ataque, assim como é um dos favoritos a conquistar a “orelhuda”.
Jogar com o “regulamento de baixo do braço” deixou o Barcelona em estado crítico

Frente aos Aurinegros, o Barcelona entrou em uma rotação completamente fora do habitual. Para aqueles que puderam acompanhar a partida observaram que os Blaugranas estavam adotando uma postura muito mais acomodada, do que propriamente ser agressiva — como fazem costumeiramente. Nesse sentido, a mentalidade dos jogadores era de confiança em relação ao resultado da ida, entendendo que era confortável os 4 a 0. No entanto, na prática, isto foi um erro.
De acordo com o jornalista Octávio Neto, da TNT Sports Brasil, esta foi a primeira derrota do Barcelona em 2025 e o estilo de jogo não condiz com que a equipe Hansi Flick apresentou não somente em 2024, mas em 2025 também. Certamente, jogar com o regulamento de baixo do braço não foi a melhor das ideias, o que permitiu que o Borussia crescesse a pressão e tivesse mais a bola, assim gerando grandes chances de balançar as redes. Além disso, pode-se dizer que mesmo com que a temporada dos adversários não seja boa, subestimá-los nunca deveria ser uma opção — ainda mais tendo fatores externos como a torcida, atmosfera e estímulos, características inerentes ao Dortmund.
No pós jogo, como informou o correspondente da TNT Sports, Marcelo Bechler, a expressão dos atletas Culés foi de deveras insatisfação e abatimento, isto é, acabaram sentindo o resultado final. O Dortmund, no total, em estatísticas finais criou ao menos cinco chances de gol, finalizou 18 vezes (mais que o dobro do que o rival) e obrigou Szczesny por oito ocasiões. Assim, não é uma surpresa que as impressões desta classificação, embora merecida pelo jogo de ida, é de que tenha sido a partida mais difícil do “Barça” desde que Flick assumiu o comando.
Mudanças táticas do adversário complicaram a vida

Hansi Flick, técnico do Barcelona, conhecido dos torcedores alemães por ter treinado o Bayern de Munique anos atrás e a seleção da Alemanha, poderia imaginar que os Aurinegros mudariam a sua forma de jogar para a segunda jornada das quartas. No entanto, nem mesmo o melhor especialista esperaria que essas alterações seriam tão radicais, tampouco ver que estas produziriam um verdadeiro “nó tático”.
Para o duelo contra os Blaugranas, o “BVB” mudou a formação da equipe. Saindo de um 4-3-3 do jogo de ida, para um 3-4-3 na segunda partida, a alteração foi crucial para que os três gols dos alemães saíssem. Nesse sentido, o próprio Barcelona teve de se reinventar dentro de seu jogo sem bola, ficando perdido em diversos momentos para encaixar a marcação. A partir da mudança para um sistema que usasse alas e não laterais, Niko Kovac, técnico do Borussia Dortmund, foi preciso na leitura de jogo e colocando o “Barça” em maus lençóis.
Costumeiramente, a equipe de Flick joga com um encaixe de Yamal e Raphinha nos dois zagueiros e Lewandowski fazia a pressão no volante para que este não recebesse a bola ou forçar um erro. Nas laterais, seja quem estivesse ocupando aquele setor, a missão era evitar que os laterais adversários subissem. Assim, era feito o “abafa” na saída de jogo dos rivais. Contudo, esta dinâmica sofreu muito na nova disposição do Dortmund, partindo de uma organização com três zagueiros.
No jogo disputado no Norte da Vestfália, Raphinha, Yamal e Lewandowski saíram para dar combate na linha de três defensores do Dortmund, Süle, Anton e Bensebaini. Liberando os alas, Yan Couto e Svensson, a vida de Jules Koundé e Gerard Martín não foi fácil, pois não sabiam se pressionavam o brasileiro ou o sueco, e por conseguinte deixavam o setor em suas costas aberto; ou ficavam contidos na marcação de Beier e Adeyemi, dando mais campo para que os camisas 2 e 24 subissem e gerando construções de jogadas ou lançamentos.
Em outro caso, Serhou Guirassy atuou como um “falso 9”, uma característica talvez nova dentro de seus atributos. Mesmo que saindo da referência, o francês gerava jogo ao fornecer opção de passe para os companheiros. Porém, as descidas do, originalmente, centroavante foram mais radicais, chegando a colar na linha de meio campistas, e o principal: conseguia arrastar os zagueiros do Barcelona que saiam para a marcação individual, e produzindo espaços em suas costas. Estas lacunas em aberto foram uma “avenida” para que Karim Adeyemi, Max Beier e até mesmo Pascal Gross se infiltrassem. Deste modo, havia sempre uma superioridade numérica, seja na segunda linha ou na última.
O pênalti que deu origem ao primeiro gol dos donos da casa foi exatamente nestas ocasiões de ataque ao espaço vazio, deixado pelos zagueiros. Aos nove minutos da primeira etapa, Beier fez o facão e recebeu livre para driblar Szczesny. O goleiro polonês derrubou o camisa 14 do Dortmund e acabou cometendo a infração dentro da área. A penalidade foi cobrada com ousadia por Guirassy, em uma cavadinha fria para abrir o placar.
Na segunda etapa, uma jogada ensaiada deu o tento para a equipe de Kovac. A cobrança de escanteio, em um arco longo e direto para a segunda trave, encontrou Rami Bensebaini que cabeceou para o meio da área e Guirassy completou para o fundo das redes.
Porém, sorte sempre é bem vinda em momentos delicados. Na boa percepção de que, sem bola, o Dortmund deixava alguém sempre livre, o Barcelona também pode usar isso a seu favor. Koundé achou uma triangulação com Fermín López e que acionou o Yamal pela direita. O garoto cruzou para o meio da área e viu Bensebaini atacar contra o próprio patrimônio. 2 a 1.
Já no terceiro gol do BVB, mais um reflexo da estratégia inicial: sempre terá alguém livre nas beiradas do campo. Foi assim que Duranville recebeu em boas condições, superou a marcação dupla do “Barça” e cruzou. A zaga afastou mal e Guirassy pegou o rebote para marcar o seu hat-trick, o isolando na artilharia da UCL. Esta foi talvez a melhor partida do Dortmund na temporada, simultaneamente que foi a pior do Barcelona, que quase sofreu o quarto — mas também por sorte, foi marcado um impedimento milimétrico na jogada e o tento foi invalidado.
Sequência para a temporada das equipes
No prosseguimento do calendário, o Dortmund, embora eliminado, caiu atirando. Niko Kovac pôde se orgulhar pela forma da qual conseguiu dominar um dos melhores times da Europa nesta temporada. Os Aurinegros dificilmente estarão na próxima edição da Champions devido ao mau desempenho na Bundesliga. Mas, ainda há como terminar seus compromissos com uma vaga nas competições continentais, Europa League e Conference.
Para isso, precisarão marchar e lutar por esta classificação via Campeonato Alemão. No próximo domingo (20), o Dortmund receberá o Mönchengladbach, em um enfrentamento de clubes homônimos (ambos tem “Borussia” no nome oficial). Os liderados por Kovac estão na oitava posição do torneio, ao passo que os Potros estão em sétimo — separados por apenas dois pontos na classificação. É um confronto direto, fundamental para os dois lados.
O Barcelona está classificado para as semifinais da Champions League, depois de seis anos sem estar presente entre os quatro melhores da disputa. Nas “meias-finais”, os Blaugranas enfrentarão a Inter de Milão, a melhor defesa do torneio inteiro e que eliminou o Bayern na fase anterior. Para este confronto, será necessário se atentar aos perigos expostos pelo Dortmund nas quartas, assim como terão outros oponentes dentro da La Liga que fatalmente se aproveitarão destas falhas.
A equipe de Hansi Flick na próxima rodada do Campeonato Espanhol enfrentará o Celta de Vigo, no sábado (19). A partida está marcada para às 11h15, no Olímpic Lluis Companys e marca a 32ª rodada da competição da qual Barcelona é líder. Os Blaugranas estão com 70 pontos, quatro a frente do segundo colocado Real Madrid. Faltando seis rodadas para o fim e ainda com um “El Clasico” para ser disputado, a disputa promete ser fervorosa em seus últimos capítulos.
Foto: Max Maiwald/DeFodi Images — Divulgação.