José Mourinho parece já ter tomado uma decisão importante sobre Federico Valverde no Real Madrid. Mesmo sendo um dos jogadores mais versáteis do elenco, o uruguaio não deverá ser transformado em lateral-direito de maneira recorrente na temporada 2026/27.
A ideia do treinador português é bastante clara: Valverde será tratado como meio-campista.
A decisão ganha ainda mais peso porque o uruguaio já mostrou, em diferentes momentos, que pode atuar praticamente em qualquer setor do campo. Ele já foi utilizado como volante, interior, meia mais avançado e também como lateral-direito, especialmente em momentos nos quais o Real Madrid precisava de uma solução emergencial.
Mourinho, porém, parece querer aproveitar justamente aquilo que Valverde tem de mais valioso no meio-campo: intensidade, capacidade física, chegada ao ataque e qualidade para percorrer grandes distâncias durante os 90 minutos.
O jogador deve começar novamente no meio-campo no confronto contra o Deportivo La Coruña, pelo Troféu Teresa Herrera. Além disso, Valverde deve carregar mais uma vez a braçadeira de capitão, sinal de que seu peso dentro do elenco vai muito além da função tática.
Valverde não será o “quebra-galho” de Mourinho
A versatilidade é uma das características mais valorizadas por Mourinho. Em uma temporada longa, com La Liga, Champions League e outras competições no calendário, ter jogadores capazes de desempenhar mais de uma função pode ser uma enorme vantagem.
O uruguaio possui força física, velocidade, capacidade de pressionar, qualidade no passe e uma facilidade impressionante para cobrir grandes espaços. É o tipo de jogador que permite ao treinador alterar a estrutura da equipe durante uma partida sem necessariamente precisar fazer uma substituição.
O treinador não pretende transformar Valverde em lateral-direito titular. A decisão é importante porque o jogador já desempenhou a função em algumas oportunidades e, em determinados momentos, chegou a ser uma solução bastante útil para o Real Madrid.
O clube contratou Denzel Dumfries, especialista na posição, enquanto Trent Alexander-Arnold entra em sua segunda temporada no Santiago Bernabéu. Com duas alternativas específicas para o setor, Mourinho não precisa deslocar um dos seus principais meio-campistas para tapar um buraco na defesa.
É uma escolha simples na teoria, mas bastante relevante na prática.
Mourinho quer Valverde onde ele pode decidir jogos
O grande ponto da decisão está no impacto que Valverde consegue produzir quando joga pelo meio.
Como meio-campista, o uruguaio tem liberdade para aparecer em diferentes zonas do campo. Ele pode iniciar uma jogada mais recuado, carregar a bola, acelerar a transição, chegar à área e ainda retornar para ajudar defensivamente.
Esse tipo de comportamento combina muito com a ideia de futebol que Mourinho costuma valorizar.
O português gosta de equipes capazes de controlar diferentes momentos de uma partida e, principalmente, de jogadores que entendam quando acelerar e quando proteger a estrutura. Valverde oferece justamente essa possibilidade.
Colocá-lo permanentemente na lateral significaria limitar parte dessa influência.
É claro que ele poderia continuar sendo importante por ali, mas a quantidade de ações ofensivas e defensivas que consegue realizar no meio-campo é muito maior.
Por isso, Mourinho parece preferir encontrar soluções para a lateral sem sacrificar um dos seus jogadores mais completos. E isso também ajuda a explicar a contratação de Dumfries.
Dumfries e Alexander-Arnold resolvem o problema da lateral
A chegada de Denzel Dumfries muda bastante o cenário da lateral-direita do Real Madrid.
O holandês oferece características diferentes das de Alexander-Arnold e permite ao treinador escolher de acordo com o adversário e o contexto da partida. Enquanto Trent oferece uma qualidade de passe e criação fora do comum, Dumfries acrescenta força física, profundidade e presença ofensiva pelo corredor.
Com dois jogadores específicos para a posição, a necessidade de utilizar Valverde por ali diminui consideravelmente.
Isso é importante porque, no passado, o uruguaio acabou sendo usado como uma espécie de coringa.
Quando faltava uma opção na lateral, Valverde aparecia. Quando o meio-campo precisava de mais intensidade, ele retornava para sua posição. Era extremamente útil, mas também significava que o jogador nem sempre tinha uma função completamente definida.
Mourinho parece querer acabar com essa dúvida. Valverde continua sendo versátil, mas sua posição principal será o meio-campo.
Problema agora é outro: a concorrência
Se Valverde pode comemorar a decisão de Mourinho de mantê-lo no meio-campo, existe uma notícia menos confortável.
O Real Madrid possui nomes como Aurélien Tchouaméni, Bernardo Silva, Jude Bellingham, Eduardo Camavinga e Arda Güler. Todos têm qualidade suficiente para disputar minutos e, dependendo do esquema utilizado por Mourinho, podem ocupar funções diferentes.
Ou seja, não ser lateral não significa ter cadeira cativa no time titular. Valverde terá de disputar espaço justamente onde o elenco merengue parece mais recheado.
A vantagem do uruguaio é sua capacidade de oferecer algo que poucos outros jogadores possuem na mesma intensidade. Ele consegue contribuir fisicamente, defender, pressionar, conduzir a bola e chegar ao ataque.
Mourinho terá de administrar minutos, preservar jogadores e fazer mudanças constantes. Um atleta como Valverde, capaz de cumprir diferentes funções sem perder intensidade, naturalmente ganha valor nesse cenário.
Braçadeira mostra o tamanho de Valverde
Outro detalhe importante é a possibilidade de Valverde voltar a ser capitão contra o Deportivo La Coruña.
Aos 28 anos, o uruguaio já deixou de ser apenas um jovem talento do Real Madrid. Ele se tornou uma das referências do elenco e, cada vez mais, aparece como uma liderança dentro do grupo.
A braçadeira reforça essa percepção.
Não significa necessariamente que Valverde será o capitão principal durante toda a temporada, mas mostra que Mourinho confia nele para representar a equipe em campo.
Valverde é um jogador que transmite intensidade durante os 90 minutos. Corre, disputa, pressiona e não costuma desaparecer de uma partida. Para um treinador que valoriza tanto a competitividade, ter um jogador com esse comportamento como referência é extremamente útil.
Mourinho toma uma decisão que pode beneficiar o Real Madrid
A escolha de Mourinho pode parecer simples: Valverde é meio-campista e ponto final. Mas, olhando para o elenco do Real Madrid, a decisão revela uma ideia maior.
O treinador quer aproveitar a versatilidade do uruguaio sem transformar essa característica em uma obrigação.
Valverde continuará podendo atuar na lateral em situações específicas. Se houver uma emergência, suspensão ou lesão, ele certamente continuará sendo uma alternativa. A diferença é que isso não deverá fazer parte do plano principal. E talvez seja exatamente assim que o Real Madrid consiga extrair o melhor do jogador.
Em vez de utilizá-lo como solução para todos os problemas, Mourinho parece disposto a definir onde Valverde pode ter maior impacto.
A concorrência será pesada, e nomes como Bellingham, Camavinga, Tchouaméni, Bernardo Silva e Arda Güler não vão facilitar sua vida. Mas Valverde possui uma característica que pode fazer diferença na disputa: ele consegue entregar praticamente tudo que um meio-campista moderno precisa.
Mourinho já parece ter escolhido onde quer que isso aconteça. Agora, resta a Valverde mostrar que, mesmo em um meio-campo lotado de estrelas, continua sendo impossível deixá-lo fora do time.
Foto: Getty Images



