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Dorival estreia no Corinthians; confira as primeiras impressões

A estreia de Dorival Júnior como técnico do Corinthians deixou uma boa impressão, dentro daquilo que o contexto da partida permitia. Na vitória por 1 a 0 sobre o Novorizontino, fora de casa, pela terceira fase da Copa do Brasil, o treinador manteve o esquema tático que vinha sendo utilizado por Ramón Díaz (o 4-3-1-2), escalou uma equipe mista e apostou em segurança defensiva como ponto de partida para tentar estabilizar um time que até aqui não encontrou consistência em 2025.

Com poucos dias de trabalho, Dorival optou por não fazer mudanças estruturais. O time jogou no mesmo sistema herdado da comissão anterior: uma linha de quatro na defesa, três meio-campistas marcadores, um armador e dois atacantes móveis. A formação é conhecida, mas o comportamento em campo foi outro. O Corinthians se mostrou mais compacto, menos exposto e com um posicionamento mais disciplinado sem a bola. E isso já representa uma mudança importante, principalmente considerando a quantidade de gols sofridos em erros de cobertura e desorganização nas últimas semanas.

Movimentação no ataque: solução que criou outro problema

A movimentação do ataque trouxe uma nuance interessante do time de Dorival. Talles Magno e Héctor Hernández, escalados como dupla ofensiva, não são atacantes de referência e nem jogadores com presença de área. Ambos procuraram se movimentar mais pelos lados ou recuar para buscar o jogo, o que abriu espaço no setor central do ataque.

O problema é que, com o meio-campo formado por jogadores sem característica de infiltração, esse espaço acabou ficando desocupado. O resultado disso foi um Corinthians quea teve posse de bola em alguns momentos, chegou ao ter superioridade em certos setores, mas finalizou pouco e criou poucas chances claras.

O único gol da partida veio em jogada rápida pela direita, iniciada por Matheuzinho, que antecipou a marcação e tocou para Talles Magno cruzar rasteiro. Héctor Hernández finalizou e balançou a rede. O bandeira marcou impedimento, mas o VAR corrigiu e confirmou o gol — o primeiro da nova era corintiana. Depois disso, o time recuou e passou a apostar mais nos contra-ataques. Uma estratégia consciente e pragmática, condizente com a proposta de jogo para uma estreia fora de casa, com time alternativo e sob novo comando.

Ponto positivo: a postura defensiva com Dorival

Do ponto de vista defensivo, o Corinthians passou no teste. Hugo Souza fez apenas uma grande defesa no primeiro tempo, e no segundo tempo, mesmo com o Novorizontino tentando a reação, a defesa segurou bem as investidas, especialmente pelo alto. Os zagueiros foram firmes, e os volantes deram boa proteção à frente da área. O setor defensivo, que vinha sendo um problema recorrente na temporada, deu sinais claros de melhora, mesmo com a ausência de titulares.

Outro ponto que merece destaque é a postura da equipe sem a bola. O Corinthians de Dorival mostrou mais organização no posicionamento, linhas mais próximas e boa recomposição. Não foi um time que pressionou alto, nem se lançou à frente, mas tampouco se desorganizou em nenhum momento. A compactação defensiva foi visivelmente mais eficiente do que nas últimas atuações do time com Ramón Díaz, quando o meio ficava espaçado e os adversários facilmente exploravam as costas dos volantes.

A vitória por si só foi importante. Jogando fora de casa, com um elenco misto e em meio a uma transição de comando, o Corinthians conseguiu um bom resultado e, mais importante, saiu de campo sem sofrer gols — algo raro nos últimos meses. A vantagem para o jogo de volta, agora, permite que Dorival comece a fazer ajustes com mais calma e possa, quem sabe, observar com mais atenção a integração dos titulares a esse modelo tático.

Ainda assim, o desempenho ofensivo continua sendo uma preocupação. O time teve dificuldade para articular jogadas de perigo, não criou volume no terço final do campo e mostrou dependência de lampejos individuais. A ausência de jogadores mais decisivos no setor ofensivo explica em parte esse cenário, mas expõe a necessidade de Dorival encontrar soluções criativas — seja com mais presença dos meias no ataque, seja com mudanças na estrutura.

É preciso destacar também que essa foi uma partida atípica em termos de elenco. Sem alguns de seus principais jogadores, o Corinthians ainda não mostrou a cara que Dorival deseja para o time ideal. Com nomes como Rodrigo Garro e Yuri Alberto à disposição, o técnico poderá testar novas combinações que preencham melhor a área ofensiva e qualifiquem a criação de jogadas.

A estreia de Dorival não foi espetacular, mas foi segura. O Corinthians foi organizado, competitivo e eficiente, mesmo sem encantar. Dentro do que o momento exige — e depois de semanas de instabilidade — é um bom começo. O técnico inicia sua trajetória com vitória, sem sustos, e já com sinais de que pode ajustar o que vinha sendo um time vulnerável.

Agora, resta saber como será o desempenho com força máxima, diante de adversários mais fortes e em situações de maior pressão. O Corinthians começa a dar os primeiros passos sob nova direção. E, ao menos por enquanto, eles são firmes.

(Foto: Joisel Amaral/AGIF)