Quem viu o Botafogo no início de 2025 cheio de desconfiança, com atuações oscilantes e sem uma identidade clara, talvez não imaginasse que poucas semanas depois o time começaria a dar sinais tão promissores. A vitória por 4 a 0 sobre o Capital (DF), na noite desta quarta-feira (30), pela ida da terceira fase da Copa do Brasil, não apenas praticamente garante a vaga na próxima fase do torneio, como também serve como mais uma prova de que a paciência com o trabalho do técnico Renato Paiva começa, enfim, a dar retorno.
A goleada foi construída com autoridade, mesmo com o treinador português optando por uma escalação alternativa. E isso foi um dos pontos mais interessantes da partida: além do resultado elástico, o desempenho do time — recheado de jogadores que ainda não haviam engrenado em 2025 — foi maduro, consistente e até mesmo animador para o torcedor alvinegro.
Renato Paiva, que vem sendo bancado por John Textor mesmo sob críticas nas primeiras rodadas da temporada, decidiu poupar alguns dos titulares visando a maratona de jogos nas próximas semanas. Mas a escolha foi muito mais do que apenas uma questão física: ele queria também dar confiança e ritmo para nomes que estavam precisando mostrar serviço. E deu certo.
Conquistando a confiança
Entre os destaques da noite no Estádio Nilton Santos, estiveram justamente esses jogadores que vinham sendo questionados. Rwan Cruz, Jeffinho, Allan e o goleiro Léo Linck começaram como titulares e aproveitaram bem a chance no time do Botafogo.
Rwan Cruz, que ainda busca se firmar como uma peça ofensiva confiável, teve uma atuação muito participativa, com movimentação inteligente e presença de área. Ele marcou um dos gols da partida e mostrou que pode, sim, ser uma opção real para o comando de ataque, principalmente em jogos que exigem mais mobilidade do setor ofensivo.
Jeffinho, sempre veloz e habilidoso, lembrou o jogador que encantou a torcida em 2022. Ele participou diretamente de lances perigosos, marcou também um dos gols e pareceu mais leve em campo. Sua confiança estava claramente em alta, e isso faz toda a diferença para um atleta com seu perfil.
Já Allan, que chegou cercado de expectativa mas ainda não havia mostrado o futebol que se esperava dele, fez uma partida segura no meio de campo. Distribuiu bem o jogo, deu assistência e mostrou que pode contribuir mais do que vinha fazendo.
Por fim, o goleiro Léo Linck teve pouco trabalho, mas quando foi exigido, foi seguro. Demonstrou tranquilidade, boa reposição de bola e pode ser uma sombra interessante para o titular, além de oferecer alternativas em momentos de necessidade.
Sequência positiva no Botafogo
A atuação sólida contra o Capital não veio por acaso. Ela é reflexo de uma semana em que o Botafogo já havia mostrado sua força no clássico contra o Fluminense, vencendo por 2 a 0 com autoridade. Aquele jogo, aliás, pode ter sido o divisor de águas da temporada até aqui. Não só pelo resultado, mas pelo desempenho coletivo, pela entrega tática e pela postura em campo.
Esses dois jogos colocam em evidência algo que já vinha sendo defendido nos bastidores do clube: a permanência de Renato Paiva. John Textor, CEO do Botafogo e figura central na gestão do futebol alvinegro, apostou na continuidade do trabalho do treinador mesmo diante de pressão e desconfiança externa. E agora começa a ver essa aposta dar frutos.
É claro que ainda é cedo para falar em temporada consolidada ou em Botafogo candidato a títulos, mas é nítido que o time está mais encaixado. Paiva, que sempre teve ideias claras de jogo mas pecava na execução, agora começa a ver o elenco comprar sua proposta. A circulação de bola melhorou, a transição ofensiva está mais rápida e, principalmente, o time parece ter mais alternativas — algo que ficou evidente com o bom desempenho dos reservas.
Outro fator importante é o ambiente no Botafogo. As vitórias recentes, o respaldo da diretoria e a boa atuação de nomes que estavam sendo pouco utilizados ajudam a criar uma atmosfera mais leve no clube. Isso tende a se refletir em campo nos próximos desafios, incluindo a sequência do Brasileirão e a volta da Copa do Brasil.
No fim das contas, o 4 a 0 sobre o Capital vale mais do que apenas a vantagem confortável para o jogo de volta. Ele representa um sinal claro de evolução, de maturidade e, acima de tudo, de que o Botafogo começa a colher os frutos da paciência e da confiança no trabalho de Renato Paiva.
Vítor Silva/Botafogo