Santos x Grêmio
Brasileirão Futebol

Santos e Grêmio fazem duelo das equipes mais desorganizadas do Brasileirão neste ano

O confronto entre Santos e Grêmio, válido pela sétima rodada do Campeonato Brasileiro, coloca frente a frente dois dos times mais desorganizados do país na atual temporada. A partida, que em outros tempos poderia ser um clássico nacional de alto nível técnico, hoje é marcada por incertezas, crises internas e atuações que beiram o preocupante.

Ambos os clubes chegam ao jogo pressionados, sem identidade em campo e colecionando vexames recentes em outras competições. No Santos, a situação beira o colapso. O clube demitiu Pedro Caixinha no final do último mês, em meio a atuações fracas e um elenco que não corresponde, mesmo após a badalada chegada de Neymar, e contratou Cléber Xavier, que não teve uma estreia empolgante.

Crise técnica no Santos exposta após chegada de Neymar

A volta de Neymar ao Santos era para ser o grande símbolo de reconstrução do clube. No entanto, a realidade é bem mais dura. O camisa 10, mesmo com lampejos de genialidade, tem ficado pouco em campo por conta de lesões. Além disso, o Santos é um time mal montado, fragilizado fisicamente e sem estrutura coletiva. A recente demissão de Caixinha expôs ainda mais a falta de planejamento.

Cleber Xavier assumiu o comando e teve pouco tempo para fazer ajustes. Sua estreia foi sofrida: o Santos quase perdeu dentro da Vila Belmiro pelo CRB, em jogo válido pela Copa do Brasil, escapando de um vexame nos minutos finais. O time segue cometendo erros defensivos básicos, tem uma transição lenta e é extremamente dependente de lances individuais. As promessas da base têm oscilado, e o elenco como um todo parece sem confiança.

O que se vê é um Santos com muitas peças desconectadas, sem uma ideia clara de jogo. Neymar, por mais talentoso que seja, não conseguirá carregar esse time sozinho, principalmente após quase dois anos afastado dos gramados de alto nível. A missão de Cleber Xavier será, no mínimo, conter os danos enquanto o clube tenta encontrar estabilidade, algo que parece distante neste momento.

Grêmio de Mano Menezes também afunda em erros repetidos

Do outro lado, o Grêmio vive um 2025 de frustração. O técnico Mano Menezes chegou com a promessa de recuperar a solidez da equipe após a queda de Gustavo Quinteros, mas os problemas persistem. O time segue sem consistência defensiva, cria pouco no ataque e tem uma transição lenta e espaçada no meio-campo.

A derrota para o CSA fora de casa pela Copa do Brasil foi o mais recente episódio da má fase gremista. Mesmo com elenco experiente, o Grêmio não consegue se impor nem contra adversários tecnicamente inferiores. A equipe apresenta pouca variação tática e sofre para reagir quando sai atrás no placar.

Internamente, o ambiente também é de cobrança. Mano tenta minimizar as falhas, mas os resultados não acompanham. A torcida, já impaciente, questiona a escolha do treinador, afirmando que seria um “mais do mesmo” em relação a Quinteros. Contra o Santos, o Grêmio entra com a missão de frear a queda antes que a pressão se torne insustentável.

Duelo de emergência: quem vai reagir?

Santos e Grêmio se enfrentam, portanto, em um jogo marcado mais pelo desespero do que pela expectativa. Ambos os clubes têm camisas pesadas, história e torcidas gigantescas, mas vivem um momento técnico frágil. O resultado pode não apenas influenciar a tabela, mas o futuro imediato de seus treinadores e projetos de reconstrução.

Para o Santos, o jogo é mais uma chance de evitar que a temporada vire um caos absoluto. Uma derrota em casa, mesmo contra um rival em crise, aumentaria ainda mais a pressão sobre Cleber Xavier e a diretoria. Para o Grêmio, é a chance de parar a sangria e tentar reconstruir algum nível de confiança em um elenco que já mostra sinais de desgaste e desorganização.

Neste momento, é difícil apontar um favorito. O que se espera é um jogo tenso, com erros dos dois lados e potencial para drama até o último minuto. Se o futebol apresentado for o mesmo das últimas rodadas, o torcedor pode esperar um confronto mais emocional do que técnico, onde sobreviver, e não necessariamente jogar bem, será o maior triunfo.

(Foto: Raul Beretta/Santos FC)