O técnico Pepa foi mais um demitido neste início de Brasileirão. Desta vez, o Sport é o time que precisa ir ao mercado por um substituto. A fase da equipe comandada pelo português estava bem ruim, principalmente no quesito resultados. Até o momento, é a única equipe que ainda não venceu na competição. Entretanto, não dá para jogar tudo nas costas do profissional e, nessas situações, é necessário olhar para o planejamento do projeto.
Pepa colecionou cinco derrotas e dois empates no Campeonato Brasileiro, mas é inviável afirmar que a equipe do português não praticava um bom futebol. Pode parecer contraditório, já que ele não venceu um jogo sequer, mas é interessante observar a forma como os confrontos do Sport se desenrolaram nas últimas rodadas.
Uma situação bem semelhante à dele foi com o Cruzeiro. Pepa decidiu dar seus primeiros passos no Brasil com a Raposa, ainda durante o processo de SAF do clube mineiro. O português fazia seu time dominar os adversários, mas, de que adianta, se na hora de concluir as jogadas o time desperdiça tudo? É exatamente assim que o Leão da Ilha vinha se comportando e, no fim das contas, a consequência foi a mesma para o treinador.
Pepa inocente? Confira os erros do Sport no planejamento

1. Excesso de contratações
Pepa esteve junto do Sport no meio da temporada passada, quando conseguiu o acesso do clube pernambucano à primeira divisão. Apresentava um futebol vistoso, superior ao do Ceará, que hoje também está na elite. Entretanto, a virada de ano fez com que a diretoria pensasse que só contratar um caminhão de jogadores seria o suficiente para dar ao técnico mais opções, mas nem sempre é assim que funciona.
Olhar para o Leão da Ilha nesta campanha é como encarar um time completamente diferente do de 2024. Aquele controle de posse de bola, com Lucas Lima livre para pensar o jogo no meio-campo, se tornou uma raridade em 2025. A questão é que o buraco é mais embaixo: os treinadores precisam conhecer as peças que têm nas mãos, e as peças também precisam se familiarizar com o elenco.
Se Pepa não tem tempo para conhecê-los, como vai conseguir distribuir funções e responsabilidades dentro das quatro linhas? A identidade do Sport se perdeu com o tempo. Não é por isso que o time jogava mal, muito pelo contrário. Criou grandes chances de conquistar resultados importantes no Brasileirão. Mas vamos falar disso melhor nos próximos tópicos.
2. Erros individuais dos jogadores
Se tudo o que acontece em campo cair nas costas do treinador, então já pode escalar o cara para bater pênalti, falta, escanteio e tudo mais. Pepa é o responsável por montar a estrutura tática, por ditar como o time deve se defender e criar chances e, no caso do Sport, elas apareceram. Muitas vezes, inclusive.
Apesar do calendário ter sido cruel, o time deu um passo interessante no início da competição. Contra o São Paulo, no MorumBIS, tinha tudo para sair derrotado, especialmente após a arbitragem marcar um pênalti bem discutível logo no início. Calleri acabou isolando a cobrança, e o Sport, então, cresceu no jogo e passou a pressionar os donos da casa. Poderia ter feito pelo menos um gol, mas a pontaria ficou em casa.
Barletta, Pablo, Paciência, Lenny Lobato e outros pareciam irreconhecíveis. No estadual, eram leões; na Série B, também se destacavam. Mas, ao chegar na elite, sumiram. Se os jogadores de ataque não entregam o básico, como é que as vitórias vão aparecer? Sérgio Oliveira até ajudou a criar algumas chances, principalmente contra o Corinthians.
No duelo contra o Timão, na Neo Química Arena, o Sport foi melhor em boa parte do jogo. Mas aí começou o segundo tempo e um defensor escorregou numa “casca de banana” (óbvio que não tinha), e Memphis Depay empatou o confronto. Em casa, com torcida e camisa pesada, diante de um time que ainda não sabe lidar com pressão… você já imagina o resultado.
3. Calendário do Sport
A vida do Sport poderia ter sido mais tranquila se a diretoria aceitasse que os primeiros jogos seriam difíceis por conta do azar no calendário. Mas não foi assim que pensaram. No fim das contas, demitiram Pepa depois de mais uma derrota injusta, dessa vez para o Fluminense, no Maracanã. Vamos recapitular tudo desde o começo?
O Leão da Ilha estreou fora de casa contra o São Paulo, no MorumBIS. Foi garfado e quase derrotado, mas conseguiu um empate. Depois, recebeu o Palmeiras na Ilha do Retiro, um dos melhores elencos da América do Sul. E, mesmo contra os “pedreiros” de Pepa, teve jogo. Foi pegado, interessante, e o empate seria mais justo. Mas a arbitragem entrou em ação.
O Verdão conseguiu um pênalti inexistente e, diferente do Tricolor, converteu. Em seguida, o Sport enfrentou o Vasco em São Januário. Outra pedreira. O time cruzmaltino é fraco, mas costuma crescer com a torcida. Achou que a arbitragem não ia aparecer de novo? “Achou errado, otário!” Pablo Vegetti marcou duas vezes. Na segunda, empurrou o zagueiro com gosto, e Wilton Pereira Sampaio, chamado pelo VAR, decidiu não anular.
O Sport causou muito perigo. Em alguns momentos, parecia o Barcelona do Guardiola. Em outros, parecia qualquer time da parte de baixo da tabela. Depois, voltou pra casa e recebeu o RB Bragantino. Perdeu por 1 a 0. Criou chances, mas, como sempre, falhou na conclusão.
Aí veio o duelo contra o Corinthians, em seguida o empate com o Fortaleza, onde dominou o primeiro tempo e perdeu mil gols. No segundo tempo, esqueceu como se joga futebol, mas acabou até sendo favorecido pela arbitragem. Por fim, no último sábado, perdeu para o Fluminense no Maracanã por 2 a 1. Diante da demissão, o presidente do time alegou que não tinha tempo para esperar pela melhora do time de Pepa, e já traça os próximos passos.
Preciso dizer que o Sport jogou melhor de novo e, mais uma vez, pecou nas finalizações?
Foto: Rafael Vieira/AGIF