José Aldo
Lutas UFC

José Aldo dá adeus ao MMA, mas aposentadoria deveria ter sido antes

A derrota de José Aldo para Aiemann Zahabi por decisão unânime no UFC 315, realizada no último sábado, em Montreal, marcou o fim da trajetória de um dos maiores nomes da história do MMA. Em entrevista após a luta, o ex-campeão dos penas deixou claro que vai encerrar a carreira de vez, sinalizando que sua volta ao octógono não produziu o desfecho digno de sua grandeza.

O resultado foi controverso. Muitos analistas e torcedores viram vantagem para Aldo durante os rounds. No entanto, o veredito oficial marcou mais uma derrota amarga, a segunda consecutiva desde o seu retorno em 2024, e jogou luz sobre um questionamento inevitável: o retorno ao UFC foi necessário?

O legado incontestável de Aldo

José Aldo é, sem dúvida, uma das maiores lendas da história do UFC. Primeiro campeão peso-pena da organização após a fusão com o WEC, o brasileiro dominou sua divisão por anos. Com vitórias marcantes sobre nomes como Urijah Faber, Frankie Edgar, Chad Mendes, Kenny Florian e Ricardo Lamas, Aldo construiu uma era de supremacia e elegância no octógono.

Seu jogo explosivo, baseado em um muay thai técnico, defesas de queda quase intransponíveis e um condicionamento físico exemplar, fez com que ele se tornasse referência mundial na categoria até 66 kg. Foi campeão durante mais de cinco anos e entrou para o seleto grupo de atletas considerados verdadeiros símbolos do esporte.

Mesmo após perder o cinturão para Conor McGregor em 2015, em apenas 13 segundos, Aldo se reconstruiu, venceu lutas importantes e até migrou para a divisão dos galos, onde conseguiu se reinventar e até disputar novamente um título mundial, contra Petr Yan.

Em 2022, após a derrota para Merab Dvalishvili e com um cartel de respeito, Aldo decidiu se aposentar do MMA profissional. Recebeu homenagens, foi exaltado por companheiros e rivais, e migrou para o boxe, onde chegou a vencer combates em 2023.

Por isso, sua decisão de voltar ao UFC em 2024 surpreendeu. Muitos consideraram o retorno desnecessário e arriscado. E, de certa forma, estavam certos. Aldo já havia saído ovacionado, como lenda. Não tinha mais nada a provar.

Ainda assim, sua volta ao octógono no UFC 301, em abril de 2024, no Rio de Janeiro, reacendeu a paixão da torcida brasileira. Em sua terra natal, derrotou Jonathan Martínez por decisão unânime, em uma atuação segura e dominante. O clima de despedida estava lá. Era o cenário perfeito para fechar o ciclo: vitória, casa cheia, torcida em êxtase. Mas Aldo escolheu continuar.

Um final que não condiz com a carreira

Depois do triunfo no Rio, Aldo aceitou enfrentar Mario Bautista e, agora, Aiemann Zahabi — dois nomes de perfil mais modesto em comparação ao que o brasileiro encarou ao longo da carreira. Nas duas ocasiões, perdeu por decisão. A derrota para Zahabi no UFC 315, em especial, veio com uma pontuação dividida que deixou o gosto amargo da dúvida, mas ainda assim, consolidou uma segunda derrota seguida para adversários abaixo do seu nível histórico.

É difícil assistir a um ícone como José Aldo deixar o esporte com uma sequência negativa e sem a grandeza que o acompanhou por mais de uma década. São derrotas que, infelizmente, não refletem o que ele representa para o UFC e para o MMA.

Aos 37 anos, com uma carreira repleta de conquistas e batalhas memoráveis, a hora parece mesmo ter chegado. Ainda que esse retorno recente tenha manchado levemente a reta final de sua história, nada será capaz de apagar o que Aldo representou: um campeão dominante, um guerreiro técnico, e um dos maiores lutadores que já pisaram no octógono.

Se aposentando agora, o fará com a cabeça erguida — não pelo resultado da última luta, mas pelo que construiu ao longo de toda a sua trajetória. José Aldo pode até sair com duas derrotas, mas entra na história com vitórias eternas que moldaram o UFC como conhecemos hoje.

(Foto: Instagram/UFC)