Charles Oliveira
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Charles Oliveira: técnico explica quem merece lutar pelo BMF e quem está de fora

Charles Oliveira ainda não tem uma próxima luta marcada pelo UFC, mas isso não significa que o brasileiro esteja pensando em ficar muito tempo longe do octógono. Segundo Diego Lima, treinador e empresário do ex-campeão dos leves, a intenção é voltar a competir antes do fim de 2026, enquanto a equipe já começa a avaliar quais adversários poderiam fazer sentido para o próximo compromisso.

E há um detalhe importante nessa escolha: não basta o rival ser bom.

Para Lima, uma possível luta envolvendo o cinturão BMF precisa também ter apelo comercial e midiático. É justamente nesse ponto que Arman Tsarukyan aparece em uma posição diferente de nomes como Justin Gaethje, Diego Lopes e Paddy Pimblett.

O brasileiro quer, acima de tudo, disputar novamente o título dos leves. Mas, caso esse caminho demore, a equipe pretende encontrar uma luta que seja grande o suficiente para justificar a espera.

Charles Oliveira ainda não tem próxima luta definida

Charles Oliveira está atualmente sem compromisso oficial no UFC. O brasileiro voltou aos treinamentos depois da morte de Allan Nascimento, seu amigo e companheiro de equipe de longa data, e agora começa a pensar novamente em seu futuro dentro da organização.

De acordo com Diego Lima, ainda não houve negociação concreta com o UFC sobre o próximo adversário.

A ideia, porém, é que Charles não passe muito tempo parado. A equipe trabalha com a possibilidade de uma luta ainda em 2026, especialmente nos eventos numerados previstos para novembro e dezembro, em Nova York e Las Vegas.

Existe uma exceção importante. Caso o UFC ofereça a Charles uma garantia de disputa pelo cinturão dos leves em abril, por exemplo, a equipe estaria disposta a esperar.

A prioridade continua sendo o título.

“Do Bronx” já deixou claro que gostaria de enfrentar Justin Gaethje pelo cinturão da categoria. O problema é que o americano não deve voltar a defender o título ainda em 2026, depois de enfrentar Paddy Pimblett e Ilia Topuria no decorrer do ano.

Isso abre espaço para outro combate.

Diego Lopes aparece como uma opção interessante

Se Charles Oliveira decidir lutar antes de uma eventual disputa pelo título, Diego Lima já tem alguns nomes em mente.

Um deles é Diego Lopes.

O brasileiro naturalizado mexicano vem construindo uma trajetória importante no UFC e já disputou o cinturão dos penas em duas oportunidades. Além disso, possui um estilo extremamente agressivo e costuma entregar lutas movimentadas.

Para Lima, isso torna Lopes um adversário interessante para Charles.

O fato de Diego estar subindo de categoria, inclusive, não é visto como um problema tão grande pela equipe. A lógica é simples: existem determinadas lutas que fazem sentido esportiva e comercialmente, independentemente de serem o caminho mais tradicional dentro do ranking.

Lima chegou a questionar a ideia de que uma luta não faria sentido simplesmente porque seria a primeira de Lopes nos leves. E existe um motivo.

Uma luta entre Charles Oliveira e Diego Lopes teria potencial para chamar bastante atenção dos fãs brasileiros e do público internacional. São dois lutadores conhecidos pelo estilo ofensivo, pela disposição para trocar golpes e pela capacidade de finalizar adversários.

Se depender do entretenimento, ninguém precisaria pedir muito esforço aos dois.

Gaethje continua sendo o grande objetivo

Apesar das alternativas, Justin Gaethje permanece como o nome que mais interessa a Charles Oliveira.

A história entre os dois também pesa. Charles derrotou Gaethje em 2022, em uma das vitórias mais marcantes de sua carreira. Na ocasião, o brasileiro finalizou o americano ainda no primeiro round e conquistou mais um passo rumo ao título dos leves.

Agora, uma revanche poderia ter um ingrediente ainda mais importante: o cinturão. Lima entende que Charles possui uma história com Gaethje que torna o confronto especialmente atrativo do ponto de vista comercial.

Além disso, o treinador acredita que o brasileiro seria uma das melhores opções para enfrentar o atual campeão. Mas existe uma possibilidade ainda mais ambiciosa.

Lima citou um cenário em que Charles e Gaethje colocariam em jogo o cinturão dos leves, o BMF e até o chamado cinturão da Casa Branca.

Seria uma combinação bastante peculiar e exatamente o tipo de superluta que poderia transformar um evento em um espetáculo gigantesco.

Por que Tsarukyan fica fora do BMF?

É aqui que a situação de Arman Tsarukyan fica interessante.

O armênio é, sem dúvida, um dos principais nomes da divisão dos leves. Ele derrotou Charles Oliveira por decisão dividida no UFC 300, em abril de 2024, e continua sendo considerado um dos atletas mais perigosos da categoria.

Mesmo assim, Diego Lima não acredita que Tsarukyan seja o adversário ideal para uma disputa pelo BMF. E o motivo não é técnico.

Segundo o treinador, o cinturão BMF não deveria ser tratado simplesmente como um prêmio para o lutador mais duro ou mais completo. Para ele, o conceito está diretamente ligado ao apelo midiático do confronto.

Ou seja: ser um monstro dentro do octógono não é suficiente. O atleta também precisa atrair público, gerar interesse e vender a luta.

Lima fez questão de explicar que não considera Tsarukyan um lutador sem capacidade de vender combates. O ponto é que, para uma luta valer o BMF, seria necessário um nível ainda maior de apelo comercial. Nesse aspecto, nomes como Gaethje e Diego Lopes levam vantagem.

Revanche com Tsarukyan chegou a ser considerada?

A possibilidade de uma revanche entre Charles Oliveira e Arman Tsarukyan chegou a ser especulada pelos fãs, especialmente antes de o UFC anunciar Tsarukyan contra Mauricio Ruffy no UFC 331. Mas, segundo Diego Lima, essa revanche nunca chegou a ser negociada de fato com a organização.

Tsarukyan venceu Charles no UFC 300 em uma decisão apertada, e uma revanche poderia ter bastante sentido esportivo. Afinal, foi uma luta equilibrada e existe uma história recente entre os dois.

Ainda assim, o UFC optou por colocar Tsarukyan diante de Ruffy.

Para Lima, existe uma diferença entre escolher um adversário interessante para Charles e escolher um adversário que faça sentido para uma disputa pelo BMF. E esse detalhe pode ser decisivo nas próximas negociações.

BMF não é apenas sobre ser “durão”

O cinturão BMF nasceu justamente com uma proposta diferente dos títulos tradicionais do UFC.

Não se trata necessariamente de premiar o melhor lutador de uma categoria. A ideia está muito mais ligada à personalidade, ao estilo, à capacidade de entregar grandes combates e ao apelo que determinado atleta possui junto ao público.

Por isso, nomes como Jorge Masvidal, Justin Gaethje e Max Holloway estiveram associados à história do cinturão. Charles Oliveira também se encaixa nessa lógica.

O brasileiro possui uma carreira recheada de grandes vitórias, finalizações e momentos marcantes. Depois de conquistar o BMF, sua equipe agora avalia cuidadosamente qual adversário pode fazer sentido para colocar o título em jogo.

Tsarukyan, nesse caso, pode ser um excelente adversário esportivo, mas não necessariamente o melhor parceiro comercial.

Charles precisa escolher entre dois caminhos

Diego Lima resumiu o futuro de Charles Oliveira em dois caminhos. O primeiro é esperar pela disputa pelo cinturão dos leves. O segundo é aceitar uma luta importante antes disso, possivelmente envolvendo o BMF e um adversário com grande apelo.

Nesse segundo cenário, Gaethje e Diego Lopes aparecem como alternativas especialmente interessantes.

Paddy Pimblett também foi citado pelo treinador como um lutador que teria credenciais para uma disputa pelo BMF. O inglês, além de possuir forte presença midiática, já protagonizou grandes eventos e tem uma base de fãs bastante significativa.

No fim das contas, a equipe de Charles não está simplesmente procurando um adversário. Está procurando o adversário certo.

Aos 36 anos, Charles Oliveira já não precisa provar que pertence à elite do UFC. O objetivo agora é escolher cuidadosamente os próximos passos para voltar a disputar o título dos leves. E, enquanto essa oportunidade não aparece, uma luta de grande apelo pode manter o brasileiro ativo e, ao mesmo tempo, aumentar ainda mais sua posição nas negociações.

Para Arman Tsarukyan, a mensagem também ficou clara: ser um dos melhores lutadores da divisão não significa automaticamente ser uma opção para o BMF.

No mundo de Charles Oliveira, aparentemente, é preciso ser perigoso no octógono e interessante o bastante para fazer o público comprar a ideia. E, nesse quesito, Gaethje e Diego Lopes largam na frente.

Foto: Alejandro Salazar/Ag Fight