Michael morales x Gilbert Durinho Burns
Lutas UFC

Derrota de Durinho aumenta sequência negativa do Brasil no UFC em 2025; confira

Gilbert “Durinho” Burns entrou no octógono neste sábado com a missão de retomar o caminho das vitórias, mas acabou frustrado mais uma vez. Derrotado por nocaute por Michael Morales na luta principal do UFC Vegas 106, o brasileiro se junta a uma amarga estatística: ele é mais um entre os nomes do país que não conseguiram vencer combates de cinco rounds como atração principal no UFC em 2025.

Durinho, veterano da elite do peso meio-médio, foi superado por um Morales jovem, explosivo e disciplinado taticamente. Embora tenha tentado encurtar a distância e levar o combate para seu território no grappling, o brasileiro foi contido na maior parte do tempo. A derrota, além de representar um passo atrás na carreira de Durinho, escancara um incômodo jejum do Brasil nas lutas de destaque da organização neste ano.

Durinho perde e continua tabu brasileiro

A derrota de Durinho foi a sétima consecutiva de brasileiros em lutas principais de eventos do UFC em 2025. Em todas essas ocasiões, os atletas do país enfrentaram oponentes de fora e acabaram superados. A lista de derrotas ilustres inclui:

  • Renato Moicano (perdeu para Islam Makhachev no UFC 311)
  • Gregory “Robocop” Rodrigues (perdeu para Jared Cannonier)
  • Alex “Poatan” Pereira (perdeu para Magomed Ankalaev no UFC 313)
  • Diego Lopes (perdeu para Alexander Volkanovski no UFC 314)
  • Carlos Prates (perdeu para Ian Machado Garry no UFC Kansas City)
  • Deiveson Figueiredo (perdeu para Cory Sandhagen no UFC Des Moines)
  • Gilbert “Durinho” Burns (perdeu para Michael Morales no UFC Vegas 106)

Mais do que uma coincidência, a sequência começa a desenhar um cenário preocupante. Em um esporte que vive de narrativas, essa repetição de resultados negativos em momentos de maior visibilidade afeta a confiança do fã brasileiro, o posicionamento dos atletas no ranking e o espaço do país no topo da elite do MMA mundial.

Gilbert Burns, ex-desafiante ao cinturão, vinha de três derrotas seguidas e buscava a recuperação diante de Morales. No entanto, o confronto provou que a idade e o desgaste começaram a pesar. A velocidade e os reflexos do equatoriano anularam as tentativas de pressão de Durinho, que não conseguiu impor seu jogo e foi facilmente anulado no primeiro round.

Aos 38 anos, Burns agora precisa avaliar seus próximos passos. A categoria está cheia de nomes jovens e em ascensão, e manter-se competitivo exige não apenas físico, mas também estratégia. O brasileiro segue sendo um nome respeitado e pode servir de teste de fogo para novos talentos, mas o sonho do título parece mais distante do que nunca.

Charles e Poatan: os responsáveis por quebrar o jejum?

Se o Brasil amarga uma sequência negativa nas lutas principais do UFC em 2025, há pelo menos dois nomes que podem mudar essa narrativa nos próximos meses: Charles “do Bronx” Oliveira e Poatan.

Charles está confirmado para enfrentar Ilia Topuria pelo cinturão peso-leve no UFC 317. O brasileiro, que já foi campeão da divisão, carrega experiência e estilo agressivo, e terá pela frente um adversário invicto, mas menos testado no mais alto nível. Será a oportunidade perfeita para não só conquistar o título novamente, como também encerrar a má fase dos brasileiros no topo do card.

Já Poatan está em negociações avançadas para uma revanche contra Ankalaev, após a controversa derrota no início do ano. O brasileiro, que está sendo questionado após perder o cinturão dos meio-pesados, pode ter a chance de defender seu legado e vingar a derrota em um dos combates mais esperados do segundo semestre.

No entanto, a sequência negativa dos brasileiros nas lutas principais do UFC em 2025 levanta questões importantes: há um problema técnico, físico ou de gestão? A resposta provavelmente está em um conjunto de fatores. Em alguns casos, como o de Diego Lopes ou Carlos Prates, pesou a inexperiência. Em outros, como o de Deiveson ou Durinho, talvez o matchmaking tenha colocado os atletas em combates duros demais em momentos de transição.

O Brasil ainda tem uma das maiores bases de lutadores no UFC, mas precisa equilibrar talento com planejamento. É fundamental que os atletas tenham tempo adequado de preparação, camp bem estruturado e foco total quando a oportunidade na luta principal surgir. A responsabilidade também recai sobre treinadores e empresários, que devem posicionar melhor seus atletas e evitar escolhas precipitadas.

(Foto: Getty Images)