A chave principal de Roland Garros começa a ser disputado no domingo (25). No entanto, o segundo Grand Slam do ano já está acontecendo, com as partidas das qualificatórias. E, apesar da pouca chance, são desses jogos que podem aparecer algumas zebras na edição de 2025.
Antes dos grandes nomes do tênis mundial entrarem em quadra, vamos relembrar quando estrelas sofreram derrotas inesperadas. Seja pelo contexto, pela qualidade do tenista derrotado ou pelo ranking, é comum ocorrerem zebras em torneios de tênis.
No entanto, algumas ficaram marcadas na história de Roland Garros de tão surpreendente que foram.
As maiores zebras de Roland Garros
6 – Thiago Wild 3 x 2 Daniil Medvedev (2023)
Daniil Medvedev já foi o número 1 no ranking da ATP, marca alcançada em 2022. Em 2023, o russo não chegou no topo, mas estava constantemente dentro do top 5 e, durante o Roland Garros daquele ano, o n.º 2. Apesar de nunca ter tido um bom histórico no saibro, ainda era esperado que pudesse ter um bom avanço em Paris.
Não foi o que aconteceu, sendo derrotado já na primeira rodada, pelo brasileiro Thiago Wild. O paranaense era o 172º e vinha do quali, sendo a grande zebra da partida. Não apenas por passar pelas qualificatórias, mas porque enfrentaria um top 5. É importante notar, contudo, que Wild já tinha bons resultados no saibro, enquanto Medvedev nunca gostou da terra batida.
A vitória em Roland Garros veio em cinco sets, precisando buscar a virada, as parciais foram de 7/6 (5), 6/7 (6), 2/6, 6/3 e 6/4. Daniil saiu na frente, após disputa no tie break, mas Thiago buscou o empate, também no tie break. No terceiro set, o russo voltou a ficar na frente, só que perdeu os dois seguintes, sendo surpreendido e eliminado do Grand Slam.
5 – Luis Horna 3 x 0 Roger Federer (2003)
A primeira vez que Roger Federer esteve no topo do ranking da ATP foi em fevereiro de 2004. No entanto, já estava conquistando ótimos resultados nos anos anteriores e chamava grande atenção. Seu primeiro Grand Slam foi em 2003, quando venceu Wimbledon.
Só que, nesse mesmo ano e pouco tempo antes, foi surpreendido por Luis Horna. Na época, o suíço já era top 5, enquanto o peruano era o 88º no ranking. Em um resultado que ninguém esperava, Horna ganhou de Federer por 3 a 0, logo na primeira rodada de Roland Garros.
As parciais foram de 7/6 (6), 6/2 e 7/6 (3). Roger, hoje uma lenda do esporte, admitiu há alguns anos que a derrota teve um impacto em sua carreira. Seu primeiro e único título no Aberto da França veio em 2009, quando completou a lista de Grand Slams. Pelo outro lado, Horna nunca passou da terceira rodada de nenhum dos quatro maiores torneios de tênis.
4 – Iva Majoli 2 x 0 Martina Hingis (1997)
Essa é uma zebra pelos fatores da temporada de 1997. Martina Hingis estava fazendo um excelente ano e tinha sido campeã em todos os seis torneios que disputou antes de Roland Garros. Número 1 do ranking e dominante até aquele momento, parecia imbatível em quadra.
Iva Majoli tinha apenas 19 anos na final do major francês, mas já tinha feito um grande impacto no circuito da WTA. Em 1996, alcançou sua melhor posição no ranking, chegando a ser a 4ª. Apesar disso, era a zebra de decisão em Paris, por conta da temporada impecável que Hingis estava fazendo.
Mas a croata surpreendeu e conseguiu seu primeiro e único título de Grand Slam na carreira. Em dois sets, ganhou por 4/6 e 2/6. Apesar do grande resultado, Majoli não voltou a apresentar um tênis no mesmo nível nos próximos anos. Para piorar, lidou com uma cirurgia no ombro, em 1999, e muitas lesões depois.
3 – Guga 3 x 2 Yevgeny Kafelnikov (1997)
Em 1997, Guga venceu seu primeiro título de Grand Slam na carreira. Gustavo Kuerten é tricampeão em Roland Garros, vencendo os outros dois em 2000 e 2001. No entanto, o seu primeiro veio como uma grande surpresa no mundo do tênis. Na época, com 20 anos e 88º do mundo, estava longe de ser apontado como um dos favoritos.
Na terceira rodada, o brasileiro já enfrentou um top 5 e ex n.º 1, Thomas Muster, também vencendo por 3 a 2. Mas foi nas quartas que Guga realmente surpreendeu. Enfrentando Yevgeny Kafelnikov pela segunda vez, conquistou a primeira vitória contra o russo. O tenista era um grande favorito ao título na França e, com o resultado, o catarinense deixou de ser uma zebra no torneio.
Foi uma dura batalha contra o número 3, que foi o campeão de 1996 e se tornou um grande rival do brasileiro. Guga começou muito bem e saiu na frente, com 6/2, mas o russo buscou a virada, com 7/5 e 6/2. No quarto set, o futuro líder do ranking aplicou um pneu no adversário e ganhou por 6/4 no último.
Após ganhar confiança por passar por Muster, Andrei Medvedev e Kafelnikov, Guga teve partidas mais tranquilas. Na semifinal, derrotou Filip Dewulf em quatro sets e, na final, foi campeão em cima de Sergi Bruguera, em três sets.
2 – Kathy Horvath 2 x 1 Martina Navratilova (1983)
Martina Navratilova fez uma temporada perfeita em 1983, ou quase. Em 87 jogos no ano, a tenista teve apenas uma derrota: nas oitavas de final de Roland Garros. Antes da partida, tinha um recorde de 126 vitórias em 129 confrontos desde o início de 1982. E somente perdeu para Sylvia Hanika, Pam Shriver e Chris Evert.
A tcheca, naturalizada americana, parecia estar vivendo um momento imbatível. Navratilova era apontada como a grande favorita ao título do Aberto da França, mas Kathy Horvath não se importou com isso. A jovem atleta de 17 anos e 45ª no ranking da época venceu por 2 a 1, parciais de 6/4, 0/6 e 6/3.
Até hoje, o jogo é lembrado como uma das maiores zebras na história do tênis. Naquele ano, Martina foi campeã no Australian Open, Wimbledon e US Open, perdendo apenas Rolang Garros. Ao todo, a lendária tenista conquistou 18 majors em sua carreira. Horvath acabou nunca vencendo um Grand Slam e teve a 10ª posição como seu melhor ranking.

1 – Robin Soderling 3 x 1 Rafael Nadal (2009)
Rafael Nadal é, sem dúvida, um dos maiores tenistas da história. Mas é unânime que é o maior que já passou por Roland Garros. No saibro, o espanhol vivia os seus melhores momentos e costumava dominar qualquer adversário. Até mesmo contra Roger Federer e Novak Djokovic, o Rei do Saibro era superior.
Em 2005, 5º do mundo, Nadal disputou Roland Garros pela primeira vez, pois havia ficado de fora nos anos anteriores. Foi quando começou a era de domínio do tenista no Stade Roland Garros. Rafael se tornou tetracampeão e vinha de uma sequência de 31 vitórias na capital francesa, sem nunca ter perdido.
Grande favorito para ser campeão mais uma vez, foi surpreendido por Robin Soderling, 25º na época. O sueco ganhou em quatro sets, 6/2, 6/7 (2), 6/4 e 7/6 (2). Naquele ano, chegou na final, mas perdeu para Roger Federer, por 3 a 0. Assim como a derrota de Navratilova, essa se tornou uma das maiores zebras da história do tênis.
Rafa logo voltou a mostra seu domínio em Roland Garros. Após a derrota, foi pentacampeão, entre 2010 e 2014. Em 2015, perdeu nas quartas, para Djokovic, e em 2016 precisou abandonar por lesão. Teve mais um tetracampeonato, 2017 a 2020, e voltou a ser derrotado por Nole, em 2021. Nadal ainda conquistou o seu último em 2022, terminando com 14 títulos só em Paris.
Foto: Getty Images/Gary M Prior/Allsport

