O futebol sul-americano amanheceu mais triste nesta terça-feira. Faleceu, aos 81 anos, o ex-jogador e ex-treinador argentino Juan Ramón “La Bruja” Verón, uma verdadeira lenda do Estudiantes de La Plata e, sem exagero, do futebol mundial. Ele estava internado no Instituto Médico Platense, na cidade de La Plata, e não resistiu a um quadro de deterioração progressiva e complicações renais.
A notícia foi confirmada pelo próprio Estudiantes, clube onde construiu praticamente toda a sua carreira e onde é tratado como um verdadeiro Deus do futebol. E não é pra menos. O comunicado do clube resume bem quem foi Juan Ramón Verón: “Emblema indiscutível da nossa história, símbolo eterno do compromisso, da humildade e da identidade que nos representa.”
Um cara que virou lenda
Nascido em La Plata, em 1944, “La Bruja” Verón fez história. Foi protagonista da época mais gloriosa da história do Estudiantes, aquele time lendário que desafiou os gigantes do mundo e venceu. E não é exagero dizer isso. Ele foi peça fundamental nas três conquistas consecutivas da Copa Libertadores em 1968, 1969 e 1970 — um feito simplesmente absurdo e raríssimo na história do futebol sul-americano.
Pra deixar o tamanho da lenda ainda mais claro, em 1968, Verón estava lá no épico confronto da Copa Intercontinental contra o poderoso Manchester United, campeão europeu. No jogo de volta, no lendário Old Trafford, foi ele quem marcou o gol do Estudiantes no empate por 1 a 1 — resultado que garantiu o título mundial ao clube argentino. É aquele tipo de história que parece até roteiro de filme.
Mais que um craque, um formador de gerações
Mas se engana quem acha que Verón foi só um grande jogador. Ele foi muito além disso. Depois de encerrar a carreira dentro das quatro linhas, se dedicou a formar jogadores, ensinar futebol e transmitir valores. Gente do Estudiantes fala, sem pestanejar, que ele não formava só atletas. Formava pessoas. Um cara de caráter gigante, referência humana pra gerações e gerações que passaram pelo clube.
O Estudiantes fez questão de destacar isso na despedida: “Futebolista excepcional, soube ser também um formador comprometido e um exemplo de vida para todos que cruzaram seu caminho.” E não dá pra discordar.
Uma carreira que foi além da Argentina
Juan Ramón Verón também deixou sua marca fora da Argentina. Ele teve uma passagem marcante pelo Junior de Barranquilla, da Colômbia, onde, em 1977, foi campeão tanto como jogador quanto como técnico. Isso mesmo. O cara tinha tanta bola, tanto conhecimento e tanta liderança, que fazia as duas funções e ainda levantava taça.
O Junior fez questão de lembrar disso, descrevendo “La Bruja” como “uma lenda do clube, ex-jogador emblemático e técnico campeão que deixou uma marca que nunca será apagada”.
Além disso, entre 1972 e 1975, teve uma experiência de três anos jogando na Europa, defendendo o Panathinaikos, da Grécia. E até como treinador da seleção da Guatemala ele teve uma breve passagem, em 1996, levando seu conhecimento e sua paixão pelo futebol para todos os cantos.
A marca no futebol sul-americano
A importância de Verón é tão grande que até a própria Conmebol fez questão de se manifestar. Em um post nas redes sociais, a entidade máxima do futebol sul-americano lamentou profundamente sua morte, destacando que ele foi “três vezes campeão da CONMEBOL Libertadores, uma lenda do Estudiantes de La Plata e do futebol sul-americano”. E completou: “Nossas condolências aos familiares, amigos e a toda a comunidade do futebol.”
É aquele tipo de perda que transcende clubes, fronteiras e até rivalidades. Quando um cara como Verón parte, o futebol inteiro chora.
Verón e o legado que fica
Se hoje o sobrenome Verón carrega tanto peso no mundo do futebol, muito se deve ao que Juan Ramón construiu. E ele ainda teve o privilégio de ver seu filho, Juan Sebastián “La Brujita” Verón, seguir seus passos, vestir a camisa do Estudiantes, da seleção argentina e de gigantes da Europa como Lazio, Manchester United, Inter de Milão e Chelsea. Mais do que isso: ver seu filho se tornar presidente do próprio Estudiantes, mantendo viva a chama da família no clube que tanto amaram.
A relação de Juan Ramón com o Estudiantes não era só de jogador pra clube. Era de vida. De amor incondicional. De quem ajudou a construir a história de um time que aprendeu a desafiar qualquer gigante, com raça, disciplina e, claro, muita bola no pé.
Despedida
Juan Ramón “La Bruja” Verón se foi, mas sua história jamais será esquecida. Ele não foi só um craque, não foi só um campeão. Foi, e sempre será, um símbolo do que significa vestir uma camisa com amor, com respeito e com entrega.
Hoje, o futebol perde um dos seus maiores mestres. Mas a lenda permanece viva, nos títulos, nas memórias e no coração de todo mundo que ama esse esporte.
Descanse em paz, Bruja. Seu legado é eterno.