O Vasco voltou os olhos para o mercado argentino em busca de um jogador capaz de preencher uma lacuna específica do elenco: a criação pelo centro do campo. O nome da vez é Alan Lescano, meia de 24 anos do Argentinos Juniors que aparece no radar cruz-maltino e é avaliado internamente como um jogador com potencial para chegar e assumir a titularidade. Mais do que uma oportunidade de mercado, a possível contratação representa a busca por um perfil que o Vasco ainda não encontrou em seu elenco: um articulador capaz de organizar o jogo e, ao mesmo tempo, participar da fase final das jogadas.
Lescano nasceu em San Carlos de Bolívar, na província de Buenos Aires, e foi formado nas categorias de base do Gimnasia y Esgrima La Plata. Depois de chegar ao futebol profissional em 2022, começou a ganhar espaço ainda jovem e chamou a atenção do Argentinos Juniors, que o contratou em 2023. Em La Paternal, encontrou o ambiente ideal para transformar potencial em protagonismo e, desde 2024, passou a ter presença cada vez mais importante na equipe.
A temporada de 2024 foi particularmente importante para sua afirmação. Lescano disputou 45 partidas, marcou 12 gols e deu quatro assistências, números que ajudaram a consolidá-lo como um dos principais jogadores ofensivos do Argentinos. Em 2026, mantém papel relevante: são 27 partidas e cinco gols, além de uma presença constante entre os titulares.
Lescano é um camisa 10 que não fica preso ao camisa 10
Embora vista a camisa 10 e tenha no futebol criativo sua principal característica, Lescano não é necessariamente aquele meia clássico que espera a bola entre as linhas para decidir o que fazer com ela. Uma das características mais interessantes de seu jogo é justamente a capacidade de recuar para participar da construção, aproximando-se dos defensores e dos volantes para ajudar a equipe a progredir com a bola.
Lescano tem uma participação elevada na circulação, com média de aproximadamente 42,7 passes por 90 minutos. Isso ajuda a explicar por que seu perfil pode ser interpretado como o de um “camisa 8 moderno”, mesmo utilizando a camisa 10: ele consegue participar da primeira fase de construção e depois avançar para zonas onde pode finalizar.
Essa característica também aparece na maneira como ocupa o campo. Lescano pode atuar centralizado atrás dos atacantes, mas tem capacidade para aparecer pelos lados, tanto pela esquerda quanto pela direita. É um jogador que procura espaços em vez de simplesmente permanecer fixo em uma determinada região, o que lhe permite alternar momentos de organizador com momentos de chegada à área.
Seu pé esquerdo é outra arma importante. O argentino apresenta qualidade para encontrar passes entre linhas, acelerar a circulação e finalizar de média distância. Não é apenas um jogador preocupado em oferecer a última bola: também tem repertório para concluir as jogadas, característica evidenciada pela produção de gols ao longo de sua passagem pelo Argentinos Juniors.
Ao mesmo tempo, Lescano não deve ser confundido com um meio-campista de grande explosão física. Velocidade e intensidade não estão entre seus principais atributos. Seu diferencial está mais na leitura do jogo, na técnica e na capacidade de se posicionar corretamente do que em ganhar duelos pela força ou pela aceleração.
Por que Lescano interessa ao Vasco?
É justamente aí que a possível contratação ganha sentido. O Vasco não estaria procurando apenas mais um meia para aumentar o número de opções do elenco. Lescano é visto internamente como um jogador que chegaria para ser titular e poderia atuar tanto como um 10 mais próximo dos atacantes quanto como um 8 ofensivo, oferecendo uma característica que atualmente falta ao grupo.
A contratação também representaria uma mudança interessante na composição do meio-campo. Em vez de concentrar a criação exclusivamente em jogadores posicionados no último terço, Lescano poderia participar da saída desde trás, receber a bola dos volantes e conduzir a equipe até zonas mais perigosas. Isso daria ao Vasco um jogador capaz de conectar setores, algo especialmente importante contra adversários que utilizam blocos baixos e reduzem os espaços próximos à área.
O argentino também poderia se beneficiar dos atacantes que o Vasco vem adicionando ao elenco. A presença de jogadores com mobilidade e capacidade de atacar profundidade cria uma condição interessante para um meia como Lescano: quanto mais movimentos acontecerem à sua frente, mais possibilidades ele terá para encontrar passes entre os defensores. Sua função não precisaria ser simplesmente “dar a assistência”, mas manipular a defesa até encontrar o espaço certo.
Taticamente, uma das possibilidades seria utilizá-lo centralizado, à frente de dois meio-campistas, permitindo que ele recebesse liberdade para recuar na construção e avançar posteriormente. Outra alternativa seria colocá-lo como um dos interiores em um meio-campo com três jogadores, aproveitando sua capacidade de participar da saída sem abrir mão da chegada ao último terço.
Uma aposta com lógica
Ainda existe uma distância importante entre interesse e contratação. O Vasco não havia apresentado proposta formal quando algumas das primeiras informações surgiram, enquanto outras apurações apontam que Argentinos Juniors e clube carioca já conversam sobre uma possível operação, ainda distante de um acordo. A situação financeira do Vasco também é determinante para a velocidade da negociação.
Mas, do ponto de vista futebolístico, o interesse faz sentido. Lescano não chega com a promessa de ser um meia dominante fisicamente ou um jogador capaz de resolver sozinho todos os problemas ofensivos. Seu valor está em outra dimensão: dar organização, criatividade e conexão ao meio-campo.
Aos 24 anos, ele também está em uma idade interessante para uma transferência internacional. Já acumulou experiência profissional, tornou-se protagonista no futebol argentino e ainda possui margem para adaptação e evolução. O Vasco, portanto, não estaria contratando apenas o jogador que Lescano é hoje, mas também tentando apostar no potencial de um meia que ainda pode atingir um patamar superior.
É por isso que Alan Lescano aparece como um nome tão interessante para o Vasco. O argentino não é simplesmente um camisa 10 tradicional, tampouco um volante transformado em armador. É um meio-campista híbrido, capaz de construir desde trás, ocupar espaços entre as linhas, chegar à área e finalizar. Se o Vasco conseguir transformar o interesse em contratação, poderá estar levando para São Januário justamente o tipo de jogador que faltava para fazer o meio-campo deixar de apenas transportar a bola e começar a controlar o jogo.
(Foto: Getty Images)



