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Temporada ruim e reclamações da torcida: os problemas do RB Salzburg antes da Copa do Mundo de Clubes

O RB Salzburg representará a Áustria na próxima edição da Copa do Mundo de Clubes da FIFA nos Estados Unidos. A equipe foi sorteada no Grupo H, ao lado de gigantes como o Real Madrid (Espanha), Pachuca (México) e Al-Hilal (Arábia Saudita). A classificação para o torneio veio através do ranking da UEFA, critério que levou em conta o desempenho da equipe nas últimas quatro edições da Champions League. A temporada passada foi decisiva para garantir a vaga: o Salzburg não passou da fase de grupos, mas o Ajax sequer conseguiu participar da principal competição de clubes da Europa.

Fundado em 1933, com o nome SV Austria Salzburg, o clube passou por duas mudanças de nome antes de adotar a atual identidade em 2005, quando foi adquirido pela Red Bull. Até a chegada da empresa de bebidas energéticas, o time havia conquistado 3 títulos do Campeonato Austríaco e 3 Supercopas nacionais. Atualmente, o Salzburg soma 17 títulos da liga local (incluindo uma sequência de 10 conquistas seguidas) e 9 Copas da Áustria. No cenário continental, sua melhor campanha foi em 1994, quando chegou à final da UEFA Europa League, mas acabou derrotado pela Inter de Milão.

O elenco atual, com média de idade de apenas 22 anos, é marcado por jovens talentos. Entre os principais nomes estão o meia israelense Oscar Gloukh, de 21 anos, e o atacante malinês Nene Dorgeles, de 22. Já o goleiro Alexander Schlager, de 29 anos, é um dos líderes experientes do grupo. Esta será a primeira vez que o clube disputa um torneio de alcance mundial. Apesar de nunca ter levantado a taça da Champions League, o Salzburg se credenciou para o Mundial de Clubes e terá o desafio de enfrentar adversários de peso, como Real Madrid e Al-Hilal, considerados favoritos a avançar às oitavas de final.

Foto: AFP

Temporada abaixo das expectativas e pressão da torcida: os desafios do Salzburg antes da Copa do Mundo de Clubes 2025

O Red Bull Salzburg chega à edição de 2025 da Copa do Mundo de Clubes da FIFA em meio a um ambiente conturbado, reflexo de uma temporada marcada por decepções, protestos da torcida e dúvidas sobre o futuro do projeto esportivo. Como um dos representantes da UEFA no torneio, o clube austríaco encara a competição mais importante de sua história em um de seus momentos mais frágeis dos últimos anos.

Fim da hegemonia no futebol nacional

Acostumado a dominar o Campeonato Austríaco nas últimas décadas, o RB Salzburg viu sua supremacia ser interrompida na temporada 2024/25. A equipe terminou apenas na terceira posição da Bundesliga Austríaca, atrás do campeão Sturm Graz e do vice-campeão LASK. Foi a primeira vez desde 2012 que o clube ficou fora da liderança nacional, resultado que gerou grande preocupação internamente.

Na ÖFB-Cup, o desempenho também foi decepcionante: o RB Salzburg foi eliminado ainda nas quartas de final para o LASK Linz. Na UEFA Champions League, a equipe não conseguiu passar da fase de liga, enfrentando adversários de peso como Atlético de Madrid, Bayer Leverkusen, PSG e Real Madrid. Com apenas quatro pontos somados e uma única vitória, o desempenho foi considerado muito aquém do esperado.

Clima de tensão com a torcida

A sequência de más atuações provocou um aumento significativo na insatisfação da torcida, algo pouco comum em um clube que vinha de anos de domínio no futebol austríaco. Faixas de protesto foram exibidas nas arquibancadas e as redes sociais se tornaram palco de críticas pesadas contra a direção esportiva e a comissão técnica. Um dos lemas mais repetidos pelos ultras foi: “não somos laboratório, somos torcida”, uma crítica direta à política da Red Bull de transformar o clube em um centro de desenvolvimento de jovens talentos antes de negociá-los com outras equipes do grupo, como o RB Leipzig.

Além disso, o estilo de jogo mudou do clube austríaco. Conhecido por seu futebol ofensivo e de alta intensidade, marca registrada do modelo Red Bull, o Salzburg, sob o comando de Thomas Letsch, ex-Bochum, adotou uma postura mais defensiva e pragmática. A nova abordagem, pouco eficiente em campo, desagradou grande parte dos torcedores.

Perdas no elenco e mercado de transferências turbulento 

As saídas de jogadores importantes no elenco do Salzburg ao longo da temporada só agravaram a situação. O meia Oscar Gloukh que está de saída do clube, após a Copa do Mundo de Clubes, enquanto o zagueiro francês Oumar Solet seguiu para o futebol italiano, quando se transferiu para a Udinese em janeiro. As reposições foram apostas em jovens da base e contratações de menor impacto, que não conseguiram manter o nível de desempenho esperado.

A direção defendeu as vendas como parte da sustentabilidade financeira do projeto, mas a falta de resultados reacendeu o debate sobre o equilíbrio entre o desempenho esportivo e os interesses comerciais do grupo Red Bull.

A missão do RB Salzburg na Copa do Mundo de Clubes

Diante desse cenário, o RB Salzburg embarca para os Estados Unidos como o franco atirador entre os representantes da UEFA no Mundial de Clubes. No entanto, o torneio é visto internamente como uma oportunidade de virada, uma chance de reconquistar a torcida e mostrar força em um palco global.

Com adversários de peso como Real Madrid e Al-Hilal logo na primeira fase, o desafio será grande. Mas o discurso dentro do elenco é de superação e foco. “Foi uma temporada difícil, mas temos orgulho de estar aqui. Vamos competir com coragem e tentar mostrar ao mundo do que somos capazes”, declarou  Amar Dedić na entrevista pré-estreia e atualmente no Olympique de Marseille, da França.

Futuro indefinido

Independentemente da campanha no Mundial de Clubes, o Salzburg vive um momento de virada em sua trajetória. O clube, que já foi considerado um exemplo de modernidade e gestão eficiente dentro do grupo Red Bull, agora enfrenta o desafio de reconquistar a confiança da torcida, reequilibrar seu modelo de trabalho e retomar o protagonismo no futebol nacional e europeu.

A missão é complexa — e o mundo todo estará observando para ver se o RB Salzburg conseguirá se reinventar diante das câmeras da principal vitrine global do futebol de clubes.

(Foto: AFP)