Bia Haddad (21ª) e João Fonseca serão os brasileiros na disputa da chave de simples em Wimbledon. Nesta sexta-feira (27), ocorreu o sorteio das chaves e foram decididos os adversários da estreia de ambos. Os dois tenistas pegaram chaves relativamente boas, mas a situação pode ser mais complicada do que aparenta.
Chave de Bia Haddad
Grande nome do tênis brasileiro dos últimos anos, Bia Haddad passa por momento de instabilidade. A fase ruim, onde perdia sets por 6/0 ou 6/1, parece ter acabado. Na última semana antes de Wimbledon, também se saiu muito bem, fazendo ótimas partidas. Mas perdeu em um confronto disputado com Jasmine Paolini (4ª).
Bia também mostrado um bom nível na temporada de grama, mesmo com as derrotas no caminho. Voltando a ter confiança em quadra, teve excelente vitória contra Elina Svitolina (14ª). E pode levar isso para a disputa na capital inglesa. Sua estreia, apesar de entrar como favorita, já não será tão fácil.
O duelo da primeira rodada será contra Rebecca Sramkova (36ª). A paulista tem vantagem contra a adversária, com quatro vitórias em seis jogos. Mas o último encontro entre as duas foi em México, nesse ano. Vivendo a sua fase ruim, Haddad Maia perdeu por 2 a 0, 6/7 (8) e 3/6.
Caso avance, Bia terá, teoricamente, partida mais fácil: Harriet Dart (71ª) ou Dalma Galfi (112ª). É só a partir da terceira rodada que a brasileira pode enfrentar tenistas de melhor ranking. Chegando nessa fase do torneio, as prováveis oponentes são Yulia Putintseva (34ª) ou Amanda Anisimova (13ª).
Nas oitavas de final, pode voltar a enfrentar Paolini, para quem perdeu em Eastbourne, ou Linda Noskova (30ª). Para as quartas, as tenistas mais bem ranqueadas são Qinwen Zheng (5ª) e Diana Shnaider (12ª). Já na semi, tem Aryna Sabalenka (1ª) no caminho, com Coco Gauff (2ª) sendo a possível finalista da outra chave.
Com uma temporada curta, é complicado analisar a forma das tenistas. No entanto, apresentando melhora nas últimas semanas, é possível acreditar que Bia consiga avançar para a terceira rodada. A partir de então, os duelos devem ser mais difíceis e parelhos.

Chave de João Fonseca
Se é difícil analisar a forma de tenistas experientes na grama, a situação piora ainda mais para os mais jovens. Sem ter muitos jogos nessas quadras, a adaptação e nível de tênis são afetados. E é o caso de João Fonseca. Antes de 2025, o carioca só havia jogado na grama em torneios juvenis, Challengers ou exibição.
A vitória de João contra Zizou Bergs (50º) foi a sua primeira nos principais torneios da ATP. Na sequência, acabou superado por Taylor Fritz, mas fez um ótimo jogo contra o top 5. É possível que isso se repita em Wimbledon, mas não há como garantir. Além disso, é a sua estreia no Grand Slam já que, em 2024, jogou apenas o quali.
Suas primeiras partidas são, teoricamente, mais fáceis, sem enfrentar ninguém do top 30. A estreia é contra Jacob Fearnley (51ª), contra quem Fonseca já venceu uma vez, mas em piso duro. Na sequência, se avançar, enfrenta Jenson Brooksby (149º) ou Tallon Griekspoor (34º).
Holger Rune (8º) pode ser o adversário da terceira rodada. E é importante notar que o brasileiro tem enfrentado dificuldades contra top 10 e só tem uma vitória até aqui. Mesmo assim, caso vença, os prováveis adversários das oitavas são Jiri Lehecka (25º) e Frances Tiafoe (12º).
E a partir das quartas tudo fica ainda mais difícil. Avançando para a fase final do torneio, Carlos Alcaraz (2º) e Andrey Rublev (14º) aparecem no caminho. Para a semi, Alexander Zverev (3º) ou Fritz e, na final Jannik Sinner (1º) ou Jack Draper (4º).
Contudo, é importante deixar claro que, com 18 anos e sendo seu primeiro ano completo no circuito, não é esperado que João Fonseca chegue tão longe. E, apesar das primeiras duas rodadas serão mais ‘acessíveis’ para seu atual nível, uma derrota também não seria uma surpresa.

Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP