O técnico Filipe Luís provou novamente para o mundo que tem tudo para ser um dos grandes profissionais do Brasil na posição. Ao colocar o seu brilhante Flamengo para enfrentar o atual campeão da Conference League, o Chelsea, mostrou como sabe encontrar caminhos interessantes para bater fortes competidores na corrida pelo título da Copa do Mundo de Clubes.
Apesar dos times brasileiros estarem se saindo bem na competição, não existia essa crença de que Filipe Luís, Renato Gaúcho, Renato Paiva e Abel Ferreira teriam vida fácil para se classificar. Entretanto, o momento atual abre portas para que as quatro equipes estejam na primeira colocação de seus respectivos grupos, até mesmo o Glorioso, que tinha o caminho mais complicado de todos.
Esse embate entre clubes sul-americanos e europeus está dominando os holofotes, e é nesses momentos que o mundo tem tempo para apreciar a qualidade de alguns profissionais. Um deles, claro, só poderia ser Filipe Luís. Ele fez uma escalação contra o Espérance Tunis, mas, quando o adversário mais complicado da chave apareceu, ele resolveu inovar. Para quem não prestou muita atenção, confira abaixo.
Filipe Luís brilha contra o Chelsea e estende leque!

O Flamengo tem suas peças casuais, consideradas intocáveis no elenco, como Léo Ortiz, Léo Pereira, De Arrascaeta, Erick Pulgar, Gerson, Alex Sandro, entre outros. Mas de que adianta ter um grupo recheado de estrelas se você não inova nas escalações e não pega o adversário desprevenido? Pois bem, Filipe Luís resolveu seguir exatamente essa linha para dar um nó na cabeça de Enzo Maresca.
Bancou o seu principal zagueiro, Léo Ortiz, e colocou Danilo ao lado de Léo Pereira. Deixou Varela no banco e apostou na estreia de Wesley na Copa do Mundo de Clubes. Não tirou Ayrton Lucas do time titular, mas sacou Pedro para incluir Gonzalo Plata como centroavante. O foco de Filipe Luís era dar mais qualidade ao sistema defensivo, aproveitando as capacidades ofensivas de Wesley, e ao mesmo tempo, trazer de volta o ponto chave: a intensidade.
Plata no lugar de Pedro trouxe um ar novo para aquilo que Filipe Luís sempre buscou: pressão constante na saída de bola adversária. O equatoriano seria o responsável por trazer ainda mais energia para essa missão. O jogo seguiu exatamente essa lógica. Houve um deslize com a falha de Wesley, mas o Flamengo não voltou do 1 a 0 se sentindo inferior. Pelo contrário, havia muita confiança no trabalho de Filipe Luís no banco.
Depois de um bom primeiro tempo, apesar do resultado negativo, Filipe Luís, que já é conhecido pelos tempos de Blues, fez questão de mostrar novamente o seu crachá. Caso o Chelsea tivesse esquecido dele, Filipe Luís tratou de refrescar a memória ao mudar completamente o jogo: colocou Bruno Henrique no lugar de Arrascaeta. O mundo questionou essa escolha, mas, na cabeça de Filipe Luís, nunca fez tanto sentido manter o que ele mais acredita: intensidade e jogo aéreo.
Simplesmente seis minutos depois, o Flamengo empatou o confronto com o número 27, e logo em seguida, com assistência de BH, Danilo virou a partida. O fato de ter tantas peças capazes de mudar o estilo de jogo faz com que Filipe Luís nunca esteja “atrás” na forma de pensar ou de agir. As opções aparecem, e, como ele é espertíssimo, ele sabe aproveitá-las.
Esse extenso leque de alternativas abre espaço para Filipe Luís pensar em escalar Danilo ao lado de Léo Ortiz, caso ele não se importe tanto com a ausência de um canhoto. Se isso pesar, ele pode revezar os dois defensores ao lado de Léo Pereira. As laterais vivem um momento brilhante: Alex Sandro e Ayrton Lucas jogam muito bem na esquerda, Varela tem apresentado ótimo nível, e, apesar da falha no gol, Wesley cresceu absurdamente ao longo dos 90 minutos.

Outro ponto: Filipe Luís tem mostrado que Pedro e Arrascaeta dificilmente conseguem atuar juntos sob seu comando. Como ele preza muito pela intensidade, o camisa 9 não costuma aguentar essa batida, e o camisa 10 tende a cansar. Ou seja, é um ou outro em campo. Isso coloca Plata como uma forte opção para começar como atacante, ou até mesmo Bruno Henrique, se necessário.
No meio-campo, a disputa é pesada. Jorginho chegou e rapidamente assumiu a titularidade ao lado de Erick Pulgar. Mas, quando olhamos para o banco, quem está lá? Nada menos que De La Cruz. Caso Filipe Luís queira dar descanso a algum titular, pode ficar tranquilo que o nível continuará altíssimo. Essa variedade de opções faz com que o Flamengo seja imprevisível nas oitavas de final e dá ainda mais força ao sonho de ir longe na Copa do Mundo de Clubes.
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo